No próximo dia 26 de setembro comemora-se o dia mundial do coração. Não poderia deixar esta data passar de forma despercebida e por isso resolvi que deveria estar escrevendo alguma coisa sobre o nosso coração.
Entretanto a quantidade de informações médicas na Internet é extremamente grande e com relação ao coração parece ser um dos temas mais apreciados.
Exatamente por isto achei interessante sair um pouco da rotina e deixar para aqueles que estão buscando, a maneira mais simples de ter um infarto. Alguns dizem que a autoria deste texto é do médico Dr. Ernesto Artur, mas não sei se é verdade. Se for está citado, se não, espero estar desculpado, pois a intenção é apenas deixar a receita.
1. Cuide de seu trabalho antes de tudo. As necessidades pessoais e familiares são secundárias. Nunca ponha a família acima do trabalho.
2. Trabalhe aos sábados o dia inteiro e, se puder também aos domingos.
3. Se não puder permanecer no escritório à noite, leve trabalho para casa e trabalhe até tarde da noite. Durma pouco. Café e cigarro são bons companheiros para uma boa noite de trabalho. Não acredite que stress seja ruim para o seu coração, muito pelo contrário ele é um excelente estimulante.
4. Ao invés de dizer não, diga sempre sim a tudo que lhe solicitarem em seu trabalho.
5. Procure fazer parte de todas as comissões, comitês, diretorias, conselhos e aceite todos os convites para conferências, seminários, encontros, reuniões, simpósios etc; e se permitirem responsabilize-se pelas atas.
6. Não se dê ao luxo de um café da manhã ou uma refeição tranqüila. Café se toma de pé. Não perca tempo e aproveite o horário das refeições para fechar negócios ou fazer reuniões importantes.
7. Coma tudo que tem vontade; não ligue para o peso, ou melhor, jamais suba na balança, ela somente serve para te aborrecer.
8. Esqueça os médicos. Procure-os somente em casos extremos eles são exagerados e sempre vão contrariar seu modo de viver a vida. Assista o “Fantástico” é muito mais confiável e barato.
9. Não perca tempo fazendo ginástica, nadando, pescando, jogando bola ou tênis. Exercício físico serve apenas para deixa-lo mais cansado, e convenhamos você já passou dessa "idade atlética". Afinal, tempo é dinheiro e repita para si: “Eu não perco tempo com bobagens”.
10. Não se esqueça de que elevador foi feito para facilitar a sua vida e proporcionar alguns minutos de distração e prazer, sendo porque conversa com pessoas diferentes ou assiste aquela TV que informa sobre o trânsito, bolsa de valores e avisa se vai chover ou não para medir o tamanho do congestionamento na volta para casa.
11. Nunca tire férias, você não precisa disso. Lembre-se que você não é de ferro, mas é como se fosse.
12. Centralize todo o trabalho em você, controle e examine tudo para ver se nada está errado. Delegar é pura bobagem; é tudo com você mesmo.
13. Se sentir que está perdendo o ritmo, o fôlego e pintar aquela dor de estomago tome logo estimulantes, energéticos e antiácidos. Eles vão te deixar tinindo. Repito, não procure o médico, ele vai interferir na sua carreira profissional.
14. Se tiver dificuldades em dormir não perca tempo: tome calmantes e sedativos de todos os tipos. Agem rápido, são baratos e facílimo de serem comprados sem receita.
15. Não se permita ter momentos de oração, meditação, audição de uma boa música e reflexão sobre sua vida. Isto é para crédulos e tolos sensíveis.
16. No final de semana, se tiver que ir até a padaria vá de carro, pois na volta pode chover e molhar o pão. Você tudo bem porque já vimos é como se fosse de ferro.
17. Não leve em consideração o que te disserem dentro da sua casa. Não se esqueça que santo de casa não faz milagre.
Se você não concordar com um ou outro item desta receita pode despreza-los, pois os outros 15 levarão você para onde quer chegar.
Neste espaço você vai encontrar questões que de alguma forma originaram o próprio nome do Blog e estaremos abordando as questões da Saúde e da Tecnologia da Informação, ou a mistura das duas, enunciadas como textos e imagens. Esta imagem panorâmica foi capturada pela sonda Phoenix Mars Lander em 10 de Junho de 2008 no 16º dia após o pouso na superfície de Marte e em primeiro plano vemos seus painéis solares e o braço robótico. Credit:NASA/JPL/University of Arizona,Tucson. E não é bobagem...
Por outro lado, a imagem do plano de fundo foi feita pela Curiosity Mars Science Laboratory em 08 de setembro de 2012 no 33º dia após o pouso na superfície de Marte observando-se o solo marciano como jamais foi visto. E também não é bobagem...
Image credit: NASA/JPL-Caltech/MSSS.
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sexta-feira, 24 de setembro de 2010
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Catástrofes e o coração
Várias pesquisas médicas detectaram um significativo aumento de problemas cardíacos agudos após a ocorrência de eventos catastróficos, sejam atentados terroristas, guerras ou fenômenos da natureza. Na verdade não é que a catástrofe em si seja a responsável pela morte, mas sim o fato de que estes pacientes já estavam num limite crítico, e qualquer evento que aumentasse seus níveis de adrenalina poderia provocar a morte. Costumo dizer que estas pessoas morreram em conseqüência da “gota d’agua”, pois uma doença pré existente estava latente, assintomática ou muito pouco sintomática e no primeiro evento regado à uma boa dose de emoção , que no caso pode ser algo bom ou ruim, advém a morte súbita, seja ela por oclusão coronariana, arritmia cardíaca, ou até mesmo de origem cérebro vascular, tendo porém o stress agudo, como o fator desencadeante do óbito.
O exemplo mais claro desta situação é do cidadão que morre num campo de futebol. A emoção, da derrota ou da vitória foi a gota d’agua para alguém que foi ao estádio aparentemente em boas condições de saúde e não suportou assistir a vitória ou a derrota de seu time do coração, tão do coração que o matou...
O atentado terrorista ao World Trade Center, o furacão Katrina em New Orleans e as inundações em Santa Catarina são exemplos de grandes catástrofes que têm estimulado interesse na compreensão das conseqüências para a saúde geral e cardiovascular.
Potenciais efeitos causados pelo estresse agudo são atualmente estudados, embora não haja dados suficientes disponíveis sobre terremotos, enchentes, terrorismo e outros. Os efeitos psicológicos podem durar semanas, se não meses, e, às vezes, deixam uma seqüela permanente.
Desde os ataques ao World Trade Center foram associados aumento do stress pós-traumático e problemas cardiovasculares. Existem conhecidos efeitos fisiopatológicos do estresse agudo e a indução ou potencialização de arritmias cardíacas; indução de isquemia miocárdica em pacientes suscetíveis subjacentes à doença arterial coronariana; aumento da pressão arterial, precipitação de piora da função endotelial e/ou lesão endotelial, anormalidade da coagulação; e hemoconcentração. Esses representam todas as áreas importantes para estudos, após a ocorrência de catástrofes.
Com base nos atuais dados epidemiológicos e fisiopatológicos relativos a efeitos cardíacos agudos pós estresse, faz-se necessário o acompanhamento de perto dos pacientes de alto risco cardíaco após esses eventos. Recentes estudos demonstraram um aumento de infarto do miocárdio (IAM) no momento e semanas após catástrofes naturais. O papel do estresse crônico na patogênese do IAM é ainda mal compreendido nessa ocasião.
Os dados pós Katrina revelaram que ocorreu perda de emprego e de seguros, diminuiu o acesso à saúde preventiva e aumentou a incidência de IAM. Além disso, parece que o estresse leva a um grave transtorno psicossocial com perda de emprego, de seus lares e, com isso, aumento do abuso de álcool, drogas, tabagismo e abandono de terapêutica.
A Sociedade Brasileira de Cardiologia está analisando o aumento na incidência de IAM e de morte súbita após as enchentes de Santa Catarina, baseada exatamente nos dados pós-Katrina, que mostraram número três vezes maior de ocorrências, dois anos após o desastre, o que representou uma mudança significativa na condição de saúde da população geral. Um maior estudo sobre os efeitos do estresse crônico faz-se necessário e conta com o apoio integral dos nossos dirigentes da sociedade.
Parte deste material foi publicado no Jornal da SBC nº 94 Jul/Ago 2009
O exemplo mais claro desta situação é do cidadão que morre num campo de futebol. A emoção, da derrota ou da vitória foi a gota d’agua para alguém que foi ao estádio aparentemente em boas condições de saúde e não suportou assistir a vitória ou a derrota de seu time do coração, tão do coração que o matou...
O atentado terrorista ao World Trade Center, o furacão Katrina em New Orleans e as inundações em Santa Catarina são exemplos de grandes catástrofes que têm estimulado interesse na compreensão das conseqüências para a saúde geral e cardiovascular.
Potenciais efeitos causados pelo estresse agudo são atualmente estudados, embora não haja dados suficientes disponíveis sobre terremotos, enchentes, terrorismo e outros. Os efeitos psicológicos podem durar semanas, se não meses, e, às vezes, deixam uma seqüela permanente.
Desde os ataques ao World Trade Center foram associados aumento do stress pós-traumático e problemas cardiovasculares. Existem conhecidos efeitos fisiopatológicos do estresse agudo e a indução ou potencialização de arritmias cardíacas; indução de isquemia miocárdica em pacientes suscetíveis subjacentes à doença arterial coronariana; aumento da pressão arterial, precipitação de piora da função endotelial e/ou lesão endotelial, anormalidade da coagulação; e hemoconcentração. Esses representam todas as áreas importantes para estudos, após a ocorrência de catástrofes.
Com base nos atuais dados epidemiológicos e fisiopatológicos relativos a efeitos cardíacos agudos pós estresse, faz-se necessário o acompanhamento de perto dos pacientes de alto risco cardíaco após esses eventos. Recentes estudos demonstraram um aumento de infarto do miocárdio (IAM) no momento e semanas após catástrofes naturais. O papel do estresse crônico na patogênese do IAM é ainda mal compreendido nessa ocasião.
Os dados pós Katrina revelaram que ocorreu perda de emprego e de seguros, diminuiu o acesso à saúde preventiva e aumentou a incidência de IAM. Além disso, parece que o estresse leva a um grave transtorno psicossocial com perda de emprego, de seus lares e, com isso, aumento do abuso de álcool, drogas, tabagismo e abandono de terapêutica.
A Sociedade Brasileira de Cardiologia está analisando o aumento na incidência de IAM e de morte súbita após as enchentes de Santa Catarina, baseada exatamente nos dados pós-Katrina, que mostraram número três vezes maior de ocorrências, dois anos após o desastre, o que representou uma mudança significativa na condição de saúde da população geral. Um maior estudo sobre os efeitos do estresse crônico faz-se necessário e conta com o apoio integral dos nossos dirigentes da sociedade.
Parte deste material foi publicado no Jornal da SBC nº 94 Jul/Ago 2009
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