Desde 2008, por ocasião do Congresso Brasileiro de Cardiologia, realizado em Curitiba, quando foi realizado o Simpósio do selo de aprovação da SBC, discutiu-se aspectos relevantes sobre os benefícios da ingestão de alimentos até pouco tempo atrás controversos com relação à saúde cardiovascular, entre eles , o chá verde, o suco de uva e o vinho.
Os benefícios de todos esses produtos são atribuídos aos flavonóides, substâncias que possuem atividade antioxidante.
O consumo moderado de vinho tinto está associado à redução da mortalidade e das hospitalizações por doença arterial coronária.
A ingestão moderada de álcool (uma a duas doses) eleva em torno de 10% os níveis de HDL colesterol (colesterol bom) e atua inibindo a agregação plaquetária.
Recente estudo da Universidade da Califórnia at Davis e do Department of Food Science & Technology, publicada no Journal of the Science of Food and Agriculture mostra que a cerveja ajuda no fortalecimento dos ossos e sugere que é uma fonte significativa do mineral na dieta.
O segredo estaria no silício presente na bebida, ou melhor, no ácido ortosilícico, a forma hidrossolúvel do ingrediente que aumenta a densidade mineral dos ossos.
Pesquisadores analisaram cem rótulos diferentes de cerveja comercial para determinar a relação entre os métodos de produção e o silício resultante.
A equipe do Professor Charles Bamforth concluiu também que as cervejas que contém maiores níveis de cevada e lúpulo são ainda mais ricas em silício. A concentração nas marcas analisadas ficou entre 6,4 e 56,6 mg/L.
Os cientistas não incentivam o abuso da bebida, mas ressaltam que, baseados nos resultados, um consumo moderado de cerveja poderia ajudar a combater a osteoporose.
Por outro lado, o álcool de uma forma geral, aumenta os níveis de triglicérides, e por conseqüência deve ser evitado por portadores de diabetes e hipertrigliceridemia, além do que a ingestão diária de álcool é por definição sinônimo e alcoolismo.
Consumido há mais de 5 mil anos, hoje, centenas de milhões de pessoas bebem chá verde (Camellia sinesis) em todo o mundo. A bebida é feita a partir de folhas não fermentadas, contendo grande concentração de antioxidantes (polifenóis) cujas propriedades beneficiam a saúde cardiovascular como sugerem alguns estudos.
Em média, uma xícara da bebida, contém entre 50 mg e 150 mg de polifenóis. A quantidade recomendada para ingestão gira em torno de 200mg a 300mg da substância, que correspondem a duas xícaras de chá verde por dia.
Recente trabalho publicado no European Journal of Cardiovascular Prevention and Rehabilitation, comprovou o benefício da bebida sobre a função endotelial através da análise de 14 voluntários que ingeriram chá verde, água ou uma bebida cafeinada. Os benefícios foram nítidos no grupo do chá verde logo nos primeiros 30 minutos de avaliação. A técnica utilizada foi a de dilatação fluxomediada.
Em comentário publicado no referido trabalho, referente ao artigo publicado o Dr. Shailendra Kapoor da University of Illinois at Chicago, apresenta uma extensa bibliografia de referências de estudos promissores sobre a utilização do chá verde, não só para pessoas saudáveis como para pessoas com doenças já estabelecidas.
Estudos experimentais em animais e humanos também mostraram que o chá verde reduz o colesterol total e aumenta o HDL colesterol. Uma pesquisa de base populacional, por exemplo, descobriu que homens que bebem chá verde são mais propensos a terem colesterol total menor do que aqueles que não consomem a bebida.
Em outro estudo, entre homens fumantes, verificou-se que o chá verde reduziu significativamente os níveis sanguíneos de colesterol LDL. As pesquisas indicam que os polifenóis do chá verde podem bloquear a absorção intestinal de colesterol, além de promover sua excreção.
Estudos em animais sugerem ainda que o chá verde pode ajudar a prevenir o desenvolvimento de diabetes tipo I e tornar mais lenta sua progressão quando já desenvolvido.
A associação de chá verde com cafeína também auxilia na perda de peso e na sua manutenção em indivíduos com sobrepeso e obesidade. Alguns pesquisadores especulam que os polifenóis são responsáveis pela “queima” de gorduras nos indivíduos obesos.
Para finalizar, em associação com uma alimentação saudável, se possível, podemos saborear uma boa xícara de café de manhã, um chá verde após o almoço, um cálice de vinho tinto após o jantar e uma pequena barra de chocolate escuro, antes de deitar, para relaxar a mente e as “coronárias”.
Neste espaço você vai encontrar questões que de alguma forma originaram o próprio nome do Blog e estaremos abordando as questões da Saúde e da Tecnologia da Informação, ou a mistura das duas, enunciadas como textos e imagens. Esta imagem panorâmica foi capturada pela sonda Phoenix Mars Lander em 10 de Junho de 2008 no 16º dia após o pouso na superfície de Marte e em primeiro plano vemos seus painéis solares e o braço robótico. Credit:NASA/JPL/University of Arizona,Tucson. E não é bobagem...
Por outro lado, a imagem do plano de fundo foi feita pela Curiosity Mars Science Laboratory em 08 de setembro de 2012 no 33º dia após o pouso na superfície de Marte observando-se o solo marciano como jamais foi visto. E também não é bobagem...
Image credit: NASA/JPL-Caltech/MSSS.
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sexta-feira, 9 de julho de 2010
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Estudo genético ajuda a entender alcoolismo
Cientistas das Universidades North Carolina State e Boston University estudaram os genes que têm papel fundamental no comportamento do uso da bebida alcoólica em relação aos insetos, com o objetivo de identificar redes inteiras de genes, que pudessem ser associados ao seres humanos.
Os pesquisadores embriagaram moscas para tentar determinar os genes responsáveis pela tolerância alcoólica no inseto, e descobriram que os resultados têm aplicação em humanos.
Os pesquisadores embriagaram moscas para tentar determinar os genes responsáveis pela tolerância alcoólica no inseto, e descobriram que os resultados têm aplicação em humanos.
Robert Anholt, um dos líderes do estudo, e seus colegas primeiro mediram o tempo necessário para que as moscas de uma fruta, perdessem o controle de sua postura após exposição ao álcool.
Concomitantemente, eles registraram as mudanças nas expressões de todos os genes dos insetos utilizados. Em seguida, métodos estatísticos permitiram aos cientistas destacar aqueles com papel crucial na exposição ao álcool.
Os pesquisadores então compararam essas informações a humanos e conseguiram determinar que os mesmos genes encontrados na mosca da fruta podem estar diretamente ligados ao consumo de álcool nos homens.
O estudo publicado na Genetics fornece explicações de porque algumas pessoas parecem tolerar melhor o álcool do que outras. Ele também pode ser usado para desenvolver drogas para prevenir, diminuir ou eliminar a dependência do álcool, já que o seu consumo é responsável por 1,8 milhões de mortes no mundo por ano, de acordo com a Organização Mundial de Saúde.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Como bebe o brasileiro
O álcool é a droga mais consumida no mundo. Dados recentes da Organização Mundial da Saúde revelam que aproximadamente 2 bilhões de pessoas consomem bebidas alcoólicas (Global StatuS Report on Alcohol 2004). Seu uso indevido é um dos principais fatores envolvidos na diminuição da saúde mundial, sendo responsável por 3,2% de todas as mortes e por 4% de todos os anos perdidos de vida útil. Quando esses índices são analisados em relação à América Latina, o álcool assume importância ainda maior. Cerca de 16% dos anos de vida útil perdidos neste continente estão relacionados ao uso indevido dessa substância, índice quatro vezes maior do que a média mundial.
A formulação de políticas e de ações integradas e baseadas em evidências requer a realização de estudos epidemiológicos que avaliem e mapeiem o problema. Esse tipo de procedimento é rotineiro em países desenvolvidos, onde órgãos como o National lnstitute on Drug Abuse (NIDA), dos Estados Unidos, e o National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism (NIAAA), também americano, realizam levantamentos periódicos com representatividade nacional.
No âmbito nacional, iniciativas anteriores, como o Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil, uma parceria entre o Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID) e a Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP, contribuíram de maneira significativa para o dimensionamento da problemática do uso de substâncias em nosso país. No entanto, faltava um retrato mais específico e preciso da população geral em relação aos padrões de consumo de álcool.
O I Levantamento Nacional sobre Padrões de Consumo de Álcool na População Brasileira (2006), uma parceria entre a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República e a Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (Uniad), do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), foi idealizado para cumprir esse papel. O estudo permitiu desenvolver parâmetros objetivos para quantificar o padrão de consumo do álcool, os problemas relacionados a esse consumo, tais como a violência, a doença mental e outros problemas sociais, e o impacto entre jovens e demais faixas etárias da população brasileira, levando em consideração as diferenças regionais.
O compromisso com a representatividade no âmbito nacional é fundamental para a geração de dados fidedignos. Os cuidados com a amostragem são extremamente importantes para atingir esses objetivos. Para tanto, adotou-se metodologia similar aos estudos realizados nos Estados Unidos, na Europa e aos estudos mais rigorosos feitos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a metodologia probabilística estratifica, considerada "padrão ouro" em pesquisas desse tipo.
Os resultados obtidos permitiram desmistificar vários aspectos relacionados ao uso desse tipo de substâncias no país. A precisa definição do número de abstinentes na população brasileira é exemplo disso. Por anos, divulgou-se que 10 a 20% dos brasileiros não bebiam. Entretanto, esse estudo mostra que uma proporção muito maior, 48%, mantém-se abstinente. Por outro lado, 25% da população bebe de forma a comprometer a saúde. Portanto, o estudo retrata uma realidade mais complexa do que supúnhamos. Vivemos num país no qual, por um lado, observam-se altas taxas de abstinência e, ao mesmo tempo, altas taxas de uso nocivo.
Com relação aos adolescentes, esse mesmo estudo mostrou tendências inesperadas. O uso precoce e abusivo do álcool pelos jovens era uma realidade previsível. Entretanto, observou-se que o consumo das meninas está se aproximando do uso dos meninos, embora eles ainda tenham um consumo mais pesado do que elas. Além disso, cerca de dois terços dos indivíduos dessa faixa etária são abstinentes. Por outro lado, metade dos que bebem consumiram 3 doses ou mais por situação habitual e quase um terço dos meninos que bebem consumiram 5 doses ou mais, ante 11 % das meninas. A quantidade de álcool consumida pelo adolescente em cada episódio é tão' importante quanto a freqüência com que bebem. Isso se deve à maior suscetibilidade apresentada por seus cérebros, ainda em processo de formação. Portanto, especial atenção deve ser dada a esse tipo de informação em pesquisas dessa natureza.
Esse é um retrato do consumo de álcool no Brasil. A necessidade, tanto de maiores controles sociais para estabelecer regras de comercialização e utilização do álcool, como de ações públicas no sentido de regular esse mercado é evidente. Felizmente,a pesquisa demonstrou que a sociedade brasileira está pronta para essas medidas e apóia as principais ações regulatórias já adotadas em outros países.
O caráter inédito desses dados, particularmente no que se refere à sofisticada metodologia de amostragem, se por um lado inviabiliza a comparação com levantamentos anteriores, por outro lado permitirá o monitoramento dessas informações no futuro com relação às políticas públicas aplicadas no período.
Este estudo foi conduzido por Sandro Sendin Mitsuhiro e Ronaldo Laranjeira, respectivamente Vice-coordenador de Instituto Nacional de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas e Chefe da Disciplina de Psiquiatria Clínica do Departamento de Psiquiatria da Unifesp.
Parte deste artigo foi publicado em "SOCESP em destaque".
A formulação de políticas e de ações integradas e baseadas em evidências requer a realização de estudos epidemiológicos que avaliem e mapeiem o problema. Esse tipo de procedimento é rotineiro em países desenvolvidos, onde órgãos como o National lnstitute on Drug Abuse (NIDA), dos Estados Unidos, e o National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism (NIAAA), também americano, realizam levantamentos periódicos com representatividade nacional.
No âmbito nacional, iniciativas anteriores, como o Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil, uma parceria entre o Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID) e a Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP, contribuíram de maneira significativa para o dimensionamento da problemática do uso de substâncias em nosso país. No entanto, faltava um retrato mais específico e preciso da população geral em relação aos padrões de consumo de álcool.
O I Levantamento Nacional sobre Padrões de Consumo de Álcool na População Brasileira (2006), uma parceria entre a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República e a Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (Uniad), do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), foi idealizado para cumprir esse papel. O estudo permitiu desenvolver parâmetros objetivos para quantificar o padrão de consumo do álcool, os problemas relacionados a esse consumo, tais como a violência, a doença mental e outros problemas sociais, e o impacto entre jovens e demais faixas etárias da população brasileira, levando em consideração as diferenças regionais.
O compromisso com a representatividade no âmbito nacional é fundamental para a geração de dados fidedignos. Os cuidados com a amostragem são extremamente importantes para atingir esses objetivos. Para tanto, adotou-se metodologia similar aos estudos realizados nos Estados Unidos, na Europa e aos estudos mais rigorosos feitos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a metodologia probabilística estratifica, considerada "padrão ouro" em pesquisas desse tipo.
Os resultados obtidos permitiram desmistificar vários aspectos relacionados ao uso desse tipo de substâncias no país. A precisa definição do número de abstinentes na população brasileira é exemplo disso. Por anos, divulgou-se que 10 a 20% dos brasileiros não bebiam. Entretanto, esse estudo mostra que uma proporção muito maior, 48%, mantém-se abstinente. Por outro lado, 25% da população bebe de forma a comprometer a saúde. Portanto, o estudo retrata uma realidade mais complexa do que supúnhamos. Vivemos num país no qual, por um lado, observam-se altas taxas de abstinência e, ao mesmo tempo, altas taxas de uso nocivo.
Com relação aos adolescentes, esse mesmo estudo mostrou tendências inesperadas. O uso precoce e abusivo do álcool pelos jovens era uma realidade previsível. Entretanto, observou-se que o consumo das meninas está se aproximando do uso dos meninos, embora eles ainda tenham um consumo mais pesado do que elas. Além disso, cerca de dois terços dos indivíduos dessa faixa etária são abstinentes. Por outro lado, metade dos que bebem consumiram 3 doses ou mais por situação habitual e quase um terço dos meninos que bebem consumiram 5 doses ou mais, ante 11 % das meninas. A quantidade de álcool consumida pelo adolescente em cada episódio é tão' importante quanto a freqüência com que bebem. Isso se deve à maior suscetibilidade apresentada por seus cérebros, ainda em processo de formação. Portanto, especial atenção deve ser dada a esse tipo de informação em pesquisas dessa natureza.
Esse é um retrato do consumo de álcool no Brasil. A necessidade, tanto de maiores controles sociais para estabelecer regras de comercialização e utilização do álcool, como de ações públicas no sentido de regular esse mercado é evidente. Felizmente,a pesquisa demonstrou que a sociedade brasileira está pronta para essas medidas e apóia as principais ações regulatórias já adotadas em outros países.
O caráter inédito desses dados, particularmente no que se refere à sofisticada metodologia de amostragem, se por um lado inviabiliza a comparação com levantamentos anteriores, por outro lado permitirá o monitoramento dessas informações no futuro com relação às políticas públicas aplicadas no período.
Este estudo foi conduzido por Sandro Sendin Mitsuhiro e Ronaldo Laranjeira, respectivamente Vice-coordenador de Instituto Nacional de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas e Chefe da Disciplina de Psiquiatria Clínica do Departamento de Psiquiatria da Unifesp.
Parte deste artigo foi publicado em "SOCESP em destaque".
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