Muitos são os especialistas que estão se dedicando a esta questão, sejam eles médicos, educadores, advogados ou até mesmo especialistas em tecnologia da informação, como aqueles que se dedicam as mídias sociais e segurança da informação.
Alguns se mostram receosos, aconselhando evitar colocar fotos e vídeos dos bebês ou crianças na internet, e sugerindo enviar notícias para familiares e amigos através de uma rede fechada ou por e-mail.
A Dra Juliana Abrusio, especialista em direito eletrônico recomenda estas providencias no sentido de evitar ou diminuir a incidência de crimes como apropriação da imagem das crianças, sequestro e pedofilia. Além do temor à segurança, a divulgação de fotos e vídeos afeta a questão da identidade que um dia as crianças, já adolescentes ou adultas vão querer ter na rede. Afinal, quando crescerem, elas poderão não gostar daquela foto ou vídeo postado pelos pais no qual aparecem de uma forma que não gostariam que tivesse sido divulgado.
Evidentemente neste momento aparecerá o primeiro problema criado pelo conflito de gerações.
O Google Brasil, responsável por sites como Orkut e YouTube, tem consciência de toda esta problemática que envolve as crianças, como também aquela referente as informações de saúde consultada por adultos. Entretanto pouco é possível fazer tendo em vista o conceito de liberdade e não censura ao uso da internet, cabendo à responsabilidade maior aquelas pessoas que divulgam a informação e não aqueles que as disponibilizam. Para isto é fundamental o conhecimento sobre as ferramentas da internet e a percepção do impacto que as informações podem causar na vida futura destas crianças.
Por outro lado as redes sociais se por um lado traduzem liberdade, fácil comunicação, interoperabilidade entre pessoas, etc. por outro podem ser uma ameaça se não usadas com critérios.
Pesquisa realizada pela fabricante de softwares de segurança AVG Technologies apontou que 69% das crianças usam primeiro um computador, antes mesmo de praticarem outras atividades consideradas normais para sua idade. Eis alguns números obtidos nesta pesquisa:
92% das crianças americanas já estão on-line aos dois anos.
73% das crianças dos países da União Europeia também estão on-line nesta idade.
37% dos recém-nascidos do Reino Unido têm vida on-line a partir do nascimento.
37% das crianças do Canadá iniciam a vida virtual quando os pais postam exames de pré-natal na internet.
7% dos bebês e das crianças pequenas têm um endereço de e-mail criado pelos pais.
5% têm perfil em rede social
70% dos pais disseram que o objetivo é compartilhar informações com amigos e familiares
22% das mãe assumiram que queriam acrescentar mais conteúdo aos seus perfis nas redes sociais.
Como se vê pela tradução destes números o assunto é não apenas complexo como também preocupante.
Estas crianças que usam precocemente as redes sociais e se tornam superexpostas, não têm maturidade para saber separar o que é bom e ruim na internet, e nós ainda não temos um mapeamento desta situação e, por conseguinte não temos certeza das repercussões futuras deste tipo de mídia na sociedade.
Outro importante estudo foi realizado em 2009 pela empresa de proteção digital Symantec Norton revelando que os termos como “porn” e “sex” estão entre as cinco palavras mais pesquisadas na rede por crianças com menos de 12 anos. Se somos bombardeados o tempo inteiro por mensagens de conteúdo duvidoso, encontrar o caminho para o proibido também não é difícil para quem já nasceu online. Enquanto muitos pais se preocupão quando o filho navega pela internet, o professor especializado em interações digitais da University of the West of England, Lee Salter, propõe olhar a questão por outro ângulo. “As crianças sempre tiveram acesso a material sobre sexo e violência, seja nos filmes, seja em revistas ou até mesmo em casos contados por amigos na escola. Se a questão é o acesso por meio do computador, devíamos analisar primeiro por que esse tipo de material está sendo produzido na nossa sociedade”.Culpar a internet é como atirar no mensageiro que vem entregar uma má notícia”, completa Salter.
Ações institucionais como a cartilha lançada pela OAB com o nome de Uso seguro da internet para toda a família, ou o projeto LEEME (Laboratório de Estudos em Ética nos Meios Eletrônicos) da Universidade Mackenzie, são relevantes em seus propósitos e ações. Por outro lado atividades de estudiosos no assunto como Dra. Helena Garbin, Dr. André de Faria Pereira Neto da Fiocruz, Wilma Madeira da Silva, do Instituto de Políticas Públicas Florestan Fernandes, e da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, co sua tese de mestrado Navegar é preciso: avaliação de impactos do uso da internet na relação médico-paciente, Susana Estefenon e Evelyn Eisenstein autoras do livro Geração Digital, também representam um esforço significativo para equacionar melhor este enorme problema onde estamos apenas dando os primeiros passos, de uma longa caminhada.
Eu, pessoalmente acho que o caminho da solução do problema passa obrigatoriamente pela educação, educação e educação, não só das crianças e adolescentes, como também de seus pais e/ou responsáveis, penso que também fiz e continuo fazendo a minha parte.
Neste espaço você vai encontrar questões que de alguma forma originaram o próprio nome do Blog e estaremos abordando as questões da Saúde e da Tecnologia da Informação, ou a mistura das duas, enunciadas como textos e imagens. Esta imagem panorâmica foi capturada pela sonda Phoenix Mars Lander em 10 de Junho de 2008 no 16º dia após o pouso na superfície de Marte e em primeiro plano vemos seus painéis solares e o braço robótico. Credit:NASA/JPL/University of Arizona,Tucson. E não é bobagem...
Por outro lado, a imagem do plano de fundo foi feita pela Curiosity Mars Science Laboratory em 08 de setembro de 2012 no 33º dia após o pouso na superfície de Marte observando-se o solo marciano como jamais foi visto. E também não é bobagem...
Image credit: NASA/JPL-Caltech/MSSS.
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Nascidos na rede – parte I
Crianças nascem com transmissão do parto via internet, com eventuais parentes ou amigos, do outro lado do mundo, acompanhando seus primeiros momentos de vida em tempo real. Esta é uma realidade comum em muitas das nossas maternidades, infelizmente nem sempre com os devidos cuidados de segurança da informação. No dia do parto, os pais recebem uma senha para distribuir entre aqueles que julgam poder ter acesso à transmissão, o que me parece muito pouco, mas este não é o assunto de hoje.
Estas crianças praticamente já nascem “conectadas”, e diferentemente de quem conheceu a internet após aprender a escrever, é provável que elas e boa parte das crianças nascidas neste milênio aprendam a digitar antes mesmo de traçar as primeiras letras no papel.
Estas crianças estão sendo chamadas de “nativos digitais” por John Palfrey, que é autor do livro “Born Digital”, pois são as primeiras a nascer em um mundo totalmente imerso na internet.
As primeiras iniciativas para a presença digital é frequentemente dado pelos pais. Muitos abrem uma conta de e-mail antes ou logo após o nascimento. Outros com apenas poucos meses de vida já tem um blog, estão no Orkut, tem uma página no Flickr, além de evidente, alguns vídeos no YouTube. Isto é feito com o propósito de dividir esses primeiros momentos com amigos e parentes, que moram em outros estados ou países.
A diferença entre as gerações dos avós e pais destes rebentos é imensurável. As crianças “nascidas na rede” convivem com toda esta tecnologia que hoje nos envolve, enquanto seus pais usaram filmes em suas máquinas fotográficas, presenciaram a chegada dos telefones celulares, da televisão a cores, dos bancos informatizados, e outras tantas novidades das décadas de 70 e 80. Com relação aos seus avós vamos apenas citar que viram chegar os primeiros televisores (em preto e branco), os primeiros computadores, os aviões com turbinas no lugar de hélices, os relógios movidos a bateria, etc. Estas diferenças entre as gerações criaram estilos de vida totalmente diferentes obrigando a cada uma delas um esforço muito grande para entender cada um destes momentos diferentes. De uma forma geral os jovens entendem com muito mais facilidades os mais idosos do que estes compreendem os jovens. Penso que na história do mundo moderno nunca se presenciou um abismo tão grande entre três gerações. A característica mais marcante desta geração conectada é a visibilidade, uma vez que tudo é tornado público, muitas vezes sem a anuência do protagonista central, ou então até mesmo à sua revelia.
Desta forma, a pergunta inevitável é: quais são as consequências dessa exposição?
Continuaremos na próxima semana.
Estas crianças praticamente já nascem “conectadas”, e diferentemente de quem conheceu a internet após aprender a escrever, é provável que elas e boa parte das crianças nascidas neste milênio aprendam a digitar antes mesmo de traçar as primeiras letras no papel.
Estas crianças estão sendo chamadas de “nativos digitais” por John Palfrey, que é autor do livro “Born Digital”, pois são as primeiras a nascer em um mundo totalmente imerso na internet.
As primeiras iniciativas para a presença digital é frequentemente dado pelos pais. Muitos abrem uma conta de e-mail antes ou logo após o nascimento. Outros com apenas poucos meses de vida já tem um blog, estão no Orkut, tem uma página no Flickr, além de evidente, alguns vídeos no YouTube. Isto é feito com o propósito de dividir esses primeiros momentos com amigos e parentes, que moram em outros estados ou países.
A diferença entre as gerações dos avós e pais destes rebentos é imensurável. As crianças “nascidas na rede” convivem com toda esta tecnologia que hoje nos envolve, enquanto seus pais usaram filmes em suas máquinas fotográficas, presenciaram a chegada dos telefones celulares, da televisão a cores, dos bancos informatizados, e outras tantas novidades das décadas de 70 e 80. Com relação aos seus avós vamos apenas citar que viram chegar os primeiros televisores (em preto e branco), os primeiros computadores, os aviões com turbinas no lugar de hélices, os relógios movidos a bateria, etc. Estas diferenças entre as gerações criaram estilos de vida totalmente diferentes obrigando a cada uma delas um esforço muito grande para entender cada um destes momentos diferentes. De uma forma geral os jovens entendem com muito mais facilidades os mais idosos do que estes compreendem os jovens. Penso que na história do mundo moderno nunca se presenciou um abismo tão grande entre três gerações. A característica mais marcante desta geração conectada é a visibilidade, uma vez que tudo é tornado público, muitas vezes sem a anuência do protagonista central, ou então até mesmo à sua revelia.
Desta forma, a pergunta inevitável é: quais são as consequências dessa exposição?
Continuaremos na próxima semana.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
sexta-feira, 16 de abril de 2010
O paciente informado e o Dr. House
O famoso e consagrado seriado House foi ao ar nos EUA, com o tema Paciente informado que teve um destaque especial. Na verdade, o segundo episódio (Epic Fail ) é quase inteiramente sobre o tema.
O Dr. House retorna ao Princeton Plainsboro anunciando que irá fazer grandes mudanças em sua vida. Enquanto isso, sua equipe não consegue diagnosticar um novo paciente obcecado por postar todos os seus sintomas na internet.
A equipe de diagnóstico fica a cargo do Dr. Foreman que é constantemente confrontado pelo paciente, que passa a discutir sobre o próprio diagnóstico com base em informações colhidas na web. Foreman se vê obrigado a ceder em alguns pontos e também mostra certa dificuldade de lidar com essa nova realidade: a internet deixa o paciente menos leigo e ao mesmo tempo transforma o caso num reality show on-line.
Não é a toa que um dos seriados mais premiados da televisão norte americana, vistos em vários países do mundo tenha abordado o tema como testemunha de sua importância e atualidade.
Até aproximadamente o início do século XXI a “verdade” médica era incontestável e o profissional de saúde representava o papel do “médico-deus”. Entretanto com a consolidação em nosso meio da informação via internet e a condição do paciente como um legítimo consumidor fez com que a atitude do profissional de saúde procurasse restabelecer nova postura frente ao comportamento do paciente que, aos poucos, se torna cada vez mais informado e tentando se aproximar do saber médico.
Entretanto essa mudança de paradigmas apresenta pontos extremamente importantes e polêmicos, sendo o principal deles o fato de o paciente buscar informações no Dr. Google porque perdeu o contato com o médico.
A internet provocou mudança significativa no relacionamento médico/ paciente a partir do momento em que aumentou e muito a quantidade de informação sobre doenças, tratamentos e medicamentos. Se por um lado, estas transformações exigem dos médicos maior interação com o paciente, cada vez mais informado, por outro, implica debater certificação e/ou credibilidade do conteúdo publicado na rede, que pode ser um processo desgastante.
É preciso relembrar que a milenar relação médico/ paciente é marcada pela “autoridade científica” e poder simbólico, que foi conquistado, por aquele que detém o conhecimento sob aquele que realiza uma consulta. Vale destacar que o conhecimento adquirido pelo médico na academia é o elemento estruturante desta relação. Porém, a liberação, impulsionada pela Web e as novas tecnologias de informação e comunicação, potencializaram o acesso a informação e dão mais força ao ditado popular de que “de médico e louco, todo mundo tem um pouco”.
Basta uma busca no Google para encontrar solução caseira para curar um câncer como também uma consulta online. Independente da credibilidade e exatidão da informação publicada, o paciente consulta o Dr. Google antes e após a consulta, implicando para o médico uma nova forma de se relacionar com o seu paciente. Pior ainda, feito o suposto diagnóstico, o Dr. Google pode, por solicitação do paciente consultante sugerir um médico esteja nas cercanias do CEP 0XYZ apontado pelo paciente e muitas vezes esta busca é feita nas bases dos Conselhos Regionais de Medicina que são abertas, para consulta. Ironicamente esta base aberta foi preconizada há alguns anos atrás para dar credibilidade ao paciente.
A grande necessidade é diferenciar o conteúdo de sites e blogs que trazem informações de boa qualidade daqueles que aumentam as chances de levar o paciente a se automedicar ou tentar terapias que apresentam riscos à saúde.
É preciso discutir quem vai certificar e/ou validar estas informações e qual será o custo deste processo.
Como serão abordadas as áreas do conhecimento cujas correntes e linhas de trabalhos são divergentes? Como será possível dar ou tirar a razão daqueles que defendem posições diametralmente opostas?
Não podemos nos esquecer que a Internet é um espaço absolutamente democrático em que o acesso a um grande número de informações disponível, com ideias e culturas diferentes, pode influenciar o desenvolvimento moral e social das pessoas. A criação dessa rede beneficia em muito a globalização, mas também cria a interferência de informações entre culturas distintas, mudando assim a forma de pensar das pessoas. Isso pode acarretar tanto uma melhora quanto um declínio dos conceitos da sociedade, tudo dependendo das informações existentes na Internet.
Essa praticidade em disseminar informações na Internet contribui para que as pessoas tenham o acesso a elas, sobre diversos assuntos e diferentes pontos de vista. Mas nem todas as informações encontradas na Internet podem ser verídicas. Existe uma grande força no termo "liberdade de expressão" quando se fala de Internet, e isso possibilita a qualquer indivíduo publicar informações ilusórias sobre algum assunto que seja do seu interesse pessoal, prejudicando, assim, a consistência dos dados disponíveis na rede.
Essas e muitas outras questões foram muito bem resumidas pelo jornalista Yuri Almeida na matéria “Desafios para classe médica em tempo de Paciente Informado e Web 2.0“ no blog Herdeiros do caos.
O Dr. House retorna ao Princeton Plainsboro anunciando que irá fazer grandes mudanças em sua vida. Enquanto isso, sua equipe não consegue diagnosticar um novo paciente obcecado por postar todos os seus sintomas na internet.
A equipe de diagnóstico fica a cargo do Dr. Foreman que é constantemente confrontado pelo paciente, que passa a discutir sobre o próprio diagnóstico com base em informações colhidas na web. Foreman se vê obrigado a ceder em alguns pontos e também mostra certa dificuldade de lidar com essa nova realidade: a internet deixa o paciente menos leigo e ao mesmo tempo transforma o caso num reality show on-line.
Não é a toa que um dos seriados mais premiados da televisão norte americana, vistos em vários países do mundo tenha abordado o tema como testemunha de sua importância e atualidade.
Até aproximadamente o início do século XXI a “verdade” médica era incontestável e o profissional de saúde representava o papel do “médico-deus”. Entretanto com a consolidação em nosso meio da informação via internet e a condição do paciente como um legítimo consumidor fez com que a atitude do profissional de saúde procurasse restabelecer nova postura frente ao comportamento do paciente que, aos poucos, se torna cada vez mais informado e tentando se aproximar do saber médico.
Entretanto essa mudança de paradigmas apresenta pontos extremamente importantes e polêmicos, sendo o principal deles o fato de o paciente buscar informações no Dr. Google porque perdeu o contato com o médico.
A internet provocou mudança significativa no relacionamento médico/ paciente a partir do momento em que aumentou e muito a quantidade de informação sobre doenças, tratamentos e medicamentos. Se por um lado, estas transformações exigem dos médicos maior interação com o paciente, cada vez mais informado, por outro, implica debater certificação e/ou credibilidade do conteúdo publicado na rede, que pode ser um processo desgastante.
É preciso relembrar que a milenar relação médico/ paciente é marcada pela “autoridade científica” e poder simbólico, que foi conquistado, por aquele que detém o conhecimento sob aquele que realiza uma consulta. Vale destacar que o conhecimento adquirido pelo médico na academia é o elemento estruturante desta relação. Porém, a liberação, impulsionada pela Web e as novas tecnologias de informação e comunicação, potencializaram o acesso a informação e dão mais força ao ditado popular de que “de médico e louco, todo mundo tem um pouco”.
Basta uma busca no Google para encontrar solução caseira para curar um câncer como também uma consulta online. Independente da credibilidade e exatidão da informação publicada, o paciente consulta o Dr. Google antes e após a consulta, implicando para o médico uma nova forma de se relacionar com o seu paciente. Pior ainda, feito o suposto diagnóstico, o Dr. Google pode, por solicitação do paciente consultante sugerir um médico esteja nas cercanias do CEP 0XYZ apontado pelo paciente e muitas vezes esta busca é feita nas bases dos Conselhos Regionais de Medicina que são abertas, para consulta. Ironicamente esta base aberta foi preconizada há alguns anos atrás para dar credibilidade ao paciente.
A grande necessidade é diferenciar o conteúdo de sites e blogs que trazem informações de boa qualidade daqueles que aumentam as chances de levar o paciente a se automedicar ou tentar terapias que apresentam riscos à saúde.
É preciso discutir quem vai certificar e/ou validar estas informações e qual será o custo deste processo.
Como serão abordadas as áreas do conhecimento cujas correntes e linhas de trabalhos são divergentes? Como será possível dar ou tirar a razão daqueles que defendem posições diametralmente opostas?
Não podemos nos esquecer que a Internet é um espaço absolutamente democrático em que o acesso a um grande número de informações disponível, com ideias e culturas diferentes, pode influenciar o desenvolvimento moral e social das pessoas. A criação dessa rede beneficia em muito a globalização, mas também cria a interferência de informações entre culturas distintas, mudando assim a forma de pensar das pessoas. Isso pode acarretar tanto uma melhora quanto um declínio dos conceitos da sociedade, tudo dependendo das informações existentes na Internet.
Essa praticidade em disseminar informações na Internet contribui para que as pessoas tenham o acesso a elas, sobre diversos assuntos e diferentes pontos de vista. Mas nem todas as informações encontradas na Internet podem ser verídicas. Existe uma grande força no termo "liberdade de expressão" quando se fala de Internet, e isso possibilita a qualquer indivíduo publicar informações ilusórias sobre algum assunto que seja do seu interesse pessoal, prejudicando, assim, a consistência dos dados disponíveis na rede.
Essas e muitas outras questões foram muito bem resumidas pelo jornalista Yuri Almeida na matéria “Desafios para classe médica em tempo de Paciente Informado e Web 2.0“ no blog Herdeiros do caos.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Certificação, vamos desfazer a confusão
Semana passada, concomitante à Feira Hospitalar, aconteceram dois eventos tratando das questões da Tecnologia da Informação ligadas a Saúde.
Um deles sob a responsabilidade da Universidade São Camilo a ADH´2009 e o outro ligado aos próprios realizadores da feira, o ClasSaúde.
O mês de Junho, nestes últimos 5 anos tem sido um momento importante para alinhar as nossas expectativas, não só no que diz respeito a atividade médica e hospitalar, pois a Hospitalar é o maior evento do ramo na América Latina e a cada ano com uma presença internacional cada vez maior, como também ver e ouvir as novidades na área de TIC e Saúde no Brasil e no mundo.
Surpreendentemente estes eventos vêm mostrando que apesar das dificuldades tecnológicas inerentes à um pais em desenvolvimento, as nossas ações estão muito bem posicionadas em relação àquelas desenvolvidas no primeiro mundo. Algumas destas conclusões não são minhas, mas sim de convidados estrangeiros que assim se manifestaram e pelo que senti não foi por educação ou algo semelhante mas sim por convicção.
O fato de estar escrevendo sobre este tema é para poder anotar de forma clara a ausência nos dois eventos de dois temas, que sinto não apenas necessários serem postos para discussão, como também por estarem gerando controvérsias.
O primeiro deles é com relação a discussão e denominação de Certificação de Software e Certificação Digital que tanto vem confundindo as pessoas.
Eu tenho insistido muito, inclusive mais de uma vez pude expressar minha preocupação com a mistura destas duas certificações, tendo em vista que a confusão já está formada, pois pessoas acham que software certificado é aquele que tem certificação digital.
Eu penso que o termo Certificação Digital já é um termo consagrado e adotado em várias atividades na área da tecnologia e com grandes dificuldades de ser modificado, mesmo porque não me parece necessário.
Por outro lado a Cerificação do Software é uma ação que além de muito nova, é restrita a área da saúde e poderia ser substituída por Homologação do Software.
Por outro lado, neste mesmo momento estamos convivendo com os processos de Acreditação Hospitalar que além de ter uma terminologia internacionalmente adotada, vem confundir mais ainda as nossas “certificações”.
Assim sendo, por exemplo, poderíamos ter a
A instituição ABC ACREDITADA pela Joint Commission International,
Possui o Software XYZ HOMOLOGADO pela SBIS/CFM
Com CERTIFICAÇÃO DIGITAL em todos seus setores.
Os termos Homologação, Certificação e Acreditação estariam referindo-se a coisas distintas e sem a menor chance de confusão.
Parece que a SBIS, que recém publicou sua última versão do Manual de Cerificação, está estudando a questão, pois argumenta que praticamente no mundo inteiro se usa o termo "Software certification". O próprio Presidente da SBIS tentou dirimir a dúvida em artigo publicado no Business saúde.
Todo este processo é muito novo para todos nós que nele estamos envolvidos, permeados de dúvidas e questões que vão aparecendo e sendo progressivamente solucionadas, com apoio da SBIS/CFM bem como a ANVISA com um trabalho competente e brilhante.
Outra questão esquecida nos eventos diz respeito à um nova personalidade que está chegando, ou já chegou em nosso meio, e que esta sendo chamada de Paciente Expert ou Paciente Informado.
Recentemente escrevi um post sobre o assunto tendo em vista a relevância do mesmo, e tivemos um evento, que também está disponível em vídeo.
De uma forma simples trata do paciente que usa as informações da internet para esclarecer suas dúvidas com relação a um diagnóstico médico que tenha sido feito, ou mesmo busca informações para se municiar para a consulta médica. Ou seja, antes ou depois da consulta médica, o paciente procura a internet para se informar.
Não tenho a intenção de discutir o assunto neste momento tendo em vista a sua complexidade e os vários enfoques sobre o assunto, dependendo do ponto de vista que é abordado.
De qualquer forma dois aspectos são fundamentais e precisam ser rapidamente equacionados.
O primeiro deles é a presença do próprio paciente para discutir com todas as pessoas envolvidas no seu atendimento as questões que lhe dizem respeito.
Não faz sentido nos dias de hoje uma discussão sobre Prontuário Eletrônico do Paciente sem a presença do paciente.
A segunda questão é estabelecer critérios para que as informações postadas na rede tenham credibilidade e sejam verdadeiras. Estas ações me parecem mais complexas no sentido que deverá envolver um número significativo de pessoas e Instituições para que se possa oferecer ao Paciente Informado a informação de boa qualidade.
Um deles sob a responsabilidade da Universidade São Camilo a ADH´2009 e o outro ligado aos próprios realizadores da feira, o ClasSaúde.
O mês de Junho, nestes últimos 5 anos tem sido um momento importante para alinhar as nossas expectativas, não só no que diz respeito a atividade médica e hospitalar, pois a Hospitalar é o maior evento do ramo na América Latina e a cada ano com uma presença internacional cada vez maior, como também ver e ouvir as novidades na área de TIC e Saúde no Brasil e no mundo.
Surpreendentemente estes eventos vêm mostrando que apesar das dificuldades tecnológicas inerentes à um pais em desenvolvimento, as nossas ações estão muito bem posicionadas em relação àquelas desenvolvidas no primeiro mundo. Algumas destas conclusões não são minhas, mas sim de convidados estrangeiros que assim se manifestaram e pelo que senti não foi por educação ou algo semelhante mas sim por convicção.
O fato de estar escrevendo sobre este tema é para poder anotar de forma clara a ausência nos dois eventos de dois temas, que sinto não apenas necessários serem postos para discussão, como também por estarem gerando controvérsias.
O primeiro deles é com relação a discussão e denominação de Certificação de Software e Certificação Digital que tanto vem confundindo as pessoas.
Eu tenho insistido muito, inclusive mais de uma vez pude expressar minha preocupação com a mistura destas duas certificações, tendo em vista que a confusão já está formada, pois pessoas acham que software certificado é aquele que tem certificação digital.
Eu penso que o termo Certificação Digital já é um termo consagrado e adotado em várias atividades na área da tecnologia e com grandes dificuldades de ser modificado, mesmo porque não me parece necessário.
Por outro lado a Cerificação do Software é uma ação que além de muito nova, é restrita a área da saúde e poderia ser substituída por Homologação do Software.
Por outro lado, neste mesmo momento estamos convivendo com os processos de Acreditação Hospitalar que além de ter uma terminologia internacionalmente adotada, vem confundir mais ainda as nossas “certificações”.
Assim sendo, por exemplo, poderíamos ter a
A instituição ABC ACREDITADA pela Joint Commission International,
Possui o Software XYZ HOMOLOGADO pela SBIS/CFM
Com CERTIFICAÇÃO DIGITAL em todos seus setores.
Os termos Homologação, Certificação e Acreditação estariam referindo-se a coisas distintas e sem a menor chance de confusão.
Parece que a SBIS, que recém publicou sua última versão do Manual de Cerificação, está estudando a questão, pois argumenta que praticamente no mundo inteiro se usa o termo "Software certification". O próprio Presidente da SBIS tentou dirimir a dúvida em artigo publicado no Business saúde.
Todo este processo é muito novo para todos nós que nele estamos envolvidos, permeados de dúvidas e questões que vão aparecendo e sendo progressivamente solucionadas, com apoio da SBIS/CFM bem como a ANVISA com um trabalho competente e brilhante.
Outra questão esquecida nos eventos diz respeito à um nova personalidade que está chegando, ou já chegou em nosso meio, e que esta sendo chamada de Paciente Expert ou Paciente Informado.
Recentemente escrevi um post sobre o assunto tendo em vista a relevância do mesmo, e tivemos um evento, que também está disponível em vídeo.
De uma forma simples trata do paciente que usa as informações da internet para esclarecer suas dúvidas com relação a um diagnóstico médico que tenha sido feito, ou mesmo busca informações para se municiar para a consulta médica. Ou seja, antes ou depois da consulta médica, o paciente procura a internet para se informar.
Não tenho a intenção de discutir o assunto neste momento tendo em vista a sua complexidade e os vários enfoques sobre o assunto, dependendo do ponto de vista que é abordado.
De qualquer forma dois aspectos são fundamentais e precisam ser rapidamente equacionados.
O primeiro deles é a presença do próprio paciente para discutir com todas as pessoas envolvidas no seu atendimento as questões que lhe dizem respeito.
Não faz sentido nos dias de hoje uma discussão sobre Prontuário Eletrônico do Paciente sem a presença do paciente.
A segunda questão é estabelecer critérios para que as informações postadas na rede tenham credibilidade e sejam verdadeiras. Estas ações me parecem mais complexas no sentido que deverá envolver um número significativo de pessoas e Instituições para que se possa oferecer ao Paciente Informado a informação de boa qualidade.
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