Por outro lado, a imagem do plano de fundo foi feita pela Curiosity Mars Science Laboratory em 08 de setembro de 2012 no 33º dia após o pouso na superfície de Marte observando-se o solo marciano como jamais foi visto. E também não é bobagem...
Image credit: NASA/JPL-Caltech/MSSS.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O paciente informado e o Dr. House

O famoso e consagrado seriado House foi ao ar nos EUA, com o tema Paciente informado que teve um destaque especial. Na verdade, o segundo episódio (Epic Fail ) é quase inteiramente sobre o tema.
O Dr. House retorna ao Princeton Plainsboro anunciando que irá fazer grandes mudanças em sua vida. Enquanto isso, sua equipe não consegue diagnosticar um novo paciente obcecado por postar todos os seus sintomas na internet.
A equipe de diagnóstico fica a cargo do Dr. Foreman que é constantemente confrontado pelo paciente, que passa a discutir sobre o próprio diagnóstico com base em informações colhidas na web. Foreman se vê obrigado a ceder em alguns pontos e também mostra certa dificuldade de lidar com essa nova realidade: a internet deixa o paciente menos leigo e ao mesmo tempo transforma o caso num reality show on-line.
Não é a toa que um dos seriados mais premiados da televisão norte americana, vistos em vários países do mundo tenha abordado o tema como testemunha de sua importância e atualidade.
Até aproximadamente o início do século XXI a “verdade” médica era incontestável e o profissional de saúde representava o papel do “médico-deus”. Entretanto com a consolidação em nosso meio da informação via internet e a condição do paciente como um legítimo consumidor fez com que a atitude do profissional de saúde procurasse restabelecer nova postura frente ao comportamento do paciente que, aos poucos, se torna cada vez mais informado e tentando se aproximar do saber médico.
Entretanto essa mudança de paradigmas apresenta pontos extremamente importantes e polêmicos, sendo o principal deles o fato de o paciente buscar informações no Dr. Google porque perdeu o contato com o médico.
A internet provocou mudança significativa no relacionamento médico/ paciente a partir do momento em que aumentou e muito a quantidade de informação sobre doenças, tratamentos e medicamentos. Se por um lado, estas transformações exigem dos médicos maior interação com o paciente, cada vez mais informado, por outro, implica debater certificação e/ou credibilidade do conteúdo publicado na rede, que pode ser um processo desgastante.
É preciso relembrar que a milenar relação médico/ paciente é marcada pela “autoridade científica” e poder simbólico, que foi conquistado, por aquele que detém o conhecimento sob aquele que realiza uma consulta. Vale destacar que o conhecimento adquirido pelo médico na academia é o elemento estruturante desta relação. Porém, a liberação, impulsionada pela Web e as novas tecnologias de informação e comunicação, potencializaram o acesso a informação e dão mais força ao ditado popular de que “de médico e louco, todo mundo tem um pouco”.
Basta uma busca no Google para encontrar solução caseira para curar um câncer como também uma consulta online. Independente da credibilidade e exatidão da informação publicada, o paciente consulta o Dr. Google antes e após a consulta, implicando para o médico uma nova forma de se relacionar com o seu paciente. Pior ainda, feito o suposto diagnóstico, o Dr. Google pode, por solicitação do paciente consultante sugerir um médico esteja nas cercanias do CEP 0XYZ apontado pelo paciente e muitas vezes esta busca é feita nas bases dos Conselhos Regionais de Medicina que são abertas, para consulta. Ironicamente esta base aberta foi preconizada há alguns anos atrás para dar credibilidade ao paciente.
A grande necessidade é diferenciar o conteúdo de sites e blogs que trazem informações de boa qualidade daqueles que aumentam as chances de levar o paciente a se automedicar ou tentar terapias que apresentam riscos à saúde.
É preciso discutir quem vai certificar e/ou validar estas informações e qual será o custo deste processo.
Como serão abordadas as áreas do conhecimento cujas correntes e linhas de trabalhos são divergentes? Como será possível dar ou tirar a razão daqueles que defendem posições diametralmente opostas?
Não podemos nos esquecer que a Internet é um espaço absolutamente democrático em que o acesso a um grande número de informações disponível, com ideias e culturas diferentes, pode influenciar o desenvolvimento moral e social das pessoas. A criação dessa rede beneficia em muito a globalização, mas também cria a interferência de informações entre culturas distintas, mudando assim a forma de pensar das pessoas. Isso pode acarretar tanto uma melhora quanto um declínio dos conceitos da sociedade, tudo dependendo das informações existentes na Internet.
Essa praticidade em disseminar informações na Internet contribui para que as pessoas tenham o acesso a elas, sobre diversos assuntos e diferentes pontos de vista. Mas nem todas as informações encontradas na Internet podem ser verídicas. Existe uma grande força no termo "liberdade de expressão" quando se fala de Internet, e isso possibilita a qualquer indivíduo publicar informações ilusórias sobre algum assunto que seja do seu interesse pessoal, prejudicando, assim, a consistência dos dados disponíveis na rede.

Essas e muitas outras questões foram muito bem resumidas pelo jornalista Yuri Almeida na matéria “Desafios para classe médica em tempo de Paciente Informado e Web 2.0“ no blog Herdeiros do caos.

2 comentários:

Ibere disse...

Artigo muito pertinente nesta era digital na qual estamos inseridos: pacientes, equipe médica e instituições de saúde conectados ao mundo www. Aborda, inclusive, a capacidade de atualização dos profissionais perante a velocidade com que as informações trafegam na grande rede.

Parabéns pela reflexão.

Abraços

Iberê Monteiro

Fabio disse...

Sou suspeito é verdade, mas o artigo é excelente!
E olha que sou leigo na área da saúde. Parabéns!

Bjs

Fabio