Por outro lado, a imagem do plano de fundo foi feita pela Curiosity Mars Science Laboratory em 08 de setembro de 2012 no 33º dia após o pouso na superfície de Marte observando-se o solo marciano como jamais foi visto. E também não é bobagem...
Image credit: NASA/JPL-Caltech/MSSS.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

M de Mulher

Como se não bastasse o M de Mulher ele ainda é M de Magia,
M de Meiga, M de Magistral sem falar de M de Mãe e M de Médica.
Neste momento não estou pretendendo fazer a apologia da Mulher, pois não é o objetivo destas linhas.
O que me levou a escrever sobre a Mulher, Mãe e Médica, inicialmente foi uma pesquisa realizada pela Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP) sob a responsabilidade do Dr. Max Grinberg. Nunca havia visto uma avaliação deste tipo mesmo que regional, focando a mulher médica e cardiologista, e também, quiçá por uma dose de influência de ler e apreciar Samantha Shiraishi e Liliane Ferrari.
Para tanto, a SOCESP entrevistou 312 profissionais que trabalham e vivem no Estado de São Paulo, para estabelecer estratégias específicas e ainda entender às suas demandas.
Verificou o papel e o perfil destas mulheres modernas que, além do exercício da medicina, são mães, esposas, filhas, enfim, tem sua indiviualidade, suas necessidades e seus anseios.
As respostas foram obtidas entre mulheres de 40 a 89 anos, entre maio e agosto de 2008 durante dois eventos realizados pela SOCESP um em São Paulo e outro em Campos do Jordão.
Do total, 56% são casadas, 30% solteiras, 6% divorciadas e 8% não informaram o estado civil.
Detalhe curioso diz respeito ao papel da cardiologista em sua família, pois constatou-se que 66% são provedoras da sua casa, contra 32% que não são; além de 2% de respostas em branco.
Talvez seja esta a informação mais diferenciada de acordo com a realidade da mulher moderna.
Com relação ao aspecto profissional 61% possuem título de especialista em cardiologia, 31% não possuem e 8% não informaram. A questão sobre a pós-graduação não foi respondida por 61% das entrevistadas. Entre as demais, 26% têm o curso lato sensu e 13% escolheram a vida acadêmica ou de pesquisa, em stricto sensu.
A área de atuação com mais mulheres cardiologistas é a clínica adulta, com 60%, seguida de pesquisa 7%, pediatria e ecocardiografia 4%, cardiologista intervencionista 3%, além das 22% atuantes em outras especialidades relacionadas a saúde cardiovascular.
Com presença maciça nas atividades científicas, 73% das entrevistadas frequentam os congressos nacionais, 18% os internacionais e apenas 9% não forneceram respostas. Ainda nesse aspecto, 37% publicam artigos científicos.
Penso que este levantamento singelo e despretencioso, porém consistente, represente a realidade que vivemos em nosso estado, que talvez seja idêntica à outros tantos e que, de qualquer forma, é motivo de orgulho para todos nós.

Viva as nossas Mulheres Médicas com M Maiúsculo.

Resumo feito a partir de artigo publicado no jornal da Socesp Julho/09.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Medicina e tecnologia da informação criam profissões sem nome

Eu tenho escrito e reclamado que o desenvolvimento da Tecnologia da Informação em Saúde fez com que aparecessem, para um mercado emergente, novos profissionais, com novo perfil, trabalhando com finalidades muito bem definidas porém com profissão sem nome.
A evolução da medicina está cada vez mais próxima da tecnologia, como por exemplo, robôs que servem de assistentes de médicos, muitas vezes fazendo seu trabalho com a precisão que o ser humano não é capaz. Novos e sofisticados programas de diagnósticos por imagem estão surgindo e cirurgias e pacientes já são monitorados a distância.
Paralelamente os sistemas de gestão do controle do “negócio da saúde” e os sistemas assistenciais de controle do paciente vem abrindo caminho para um cem número de profissionais de várias áreas atuarem, inclusive médicos.
Estes fenômenos não só estão criando novas profissões (não regulamentadas ou reconhecidas) como exigem a educação continuada dos profissionais da saúde, bem como abre frentes para especialistas de outras áreas que nunca imaginaram atuar na área da saúde.
Médicos tornam-se executivos de TI, físicos trabalham em hospitais e engenheiros começam a estudar medicina, para poder exercer com competência a engenharia Clínica, a qual não temos bem definido os seus limites com a TI. Farmacêuticos passam a freqüentar sistemas de gestão para fazer com que a sua velha farmácia participe deste novo modelo de saúde. O mesmo poderia se dizer dos fisioterapeutas cada fez mais armados com equipamentos incríveis todos eles controlados por sistemas muitas vezes tão complexos que necessitam dentro da instituição analistas desenvolvedores e até mesmo engenheiros de sistemas.
Em alguns centros de pesquisa no Brasil onde se trabalha com tecnologia de ponta há investimentos em várias especializações, com profissionais bolsistas em mestrado, doutorado ou pós doutorado. Em algumas Faculdades de Medicina do país já temos incluído na grade curricular a Informática médica.
O desenvolvimento da genômica, com especial enfoque em câncer, a neurociência, o monitoramento de doentes pela e - medicina, a terapia celular e as pesquisas clínicas, são algumas das áreas novas de desenvolvimento tecnológico que necessitam de pessoas com formação adequada.
As áreas que ganham ênfase hoje e a necessidade que as instituições têm de atualizar seus profissionais, fizeram com que mais campo de trabalho fosse disponibilizado para pesquisa, especialmente em doenças vasculares, neurológicas e oncológicas, estas principalmente em diagnóstico, é a opinião do geneticista Carlos Alberto Moreira, que atua como pesquisador há 25 anos e comemora o fato de que ao longo da sua carreira presenciou vários avanços,como a grande explosão da biotecnologia e o advento das novas tecnologias ligada as imagens.
Um dos principais entusiastas da união da medicina com a robótica é o coordenador geral da disciplina de Telemedicina da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Chao Lung Wen. Ele explica que hoje ocorre uma convergência de profissões em prol da saúde, de forma tal que os profissionais de tecnologia da informação e ciências da computação são importantes para viabilizar os portais de aquisição de informações e obtenção de segunda opinião médica.
Estes profissionais atuam na comunicação via videoconferência ou streaming (áudio mais vídeo em tempo real). No desenvolvimento de softwares acoplados a equipamentos de diagnóstico ou mesmo a robôs que auxiliam em cirurgias, desenvolvimento de ferramentas para educação de médicos e público leigo, com soluções de criação de para facilitar o tráfego, acesso e armazenamento de dados médicos, como prontuários eletrônicos, redes digitais e bancos de dados.
Por outro lado, além dos avanços da telemedicina, é importante para o profissional que pretende trabalhar na área da saúde entender o quanto o Brasil mudou seu perfil em termos de saúde. Estamos saindo do padrão de doenças transmissíveis para as degenerativas crônicas.
Segundo a bióloga Mayana Zatz vamos precisar de médicos que saibam entender e cuidar bem do envelhecimento e isso inclui pesquisar agravos evitáveis e estímulo de bons hábitos. "Nunca houve tanto interesse dos jovens pela genética como hoje. Temos décadas de pesquisa pela frente, para estudarmos plantas e organismos".
"Será possível passar décadas inteiras estudando um único assunto. Cada pesquisador poderá optar por um grupo de genes, doenças ou plantas', ao comentar o campo que surgiu após o seqüenciamento do genoma".
O cirurgião cardiovascular Leonardo Esteves Lima, chega a fazer prognóstico de que em dez anos, cerca de 70% das cirurgias, serão feitas com o auxílio da robótica. Suas últimas empreitadas envolvem a bioengenharia, paixão de adolescente, que ele traduziu em meticulosos robôs, desenvolvidos por empresas americanas e testados por ele em cirurgias cardíacas, que se movem apenas pelo reconhecimento de voz.
A Siemens, assim como outras gigantes de tecnologia, vem investindo na gestão da saúde e na produção de equipamentos eletro médicos. Roberto Braga , engenheiro elétrico especializado em biotecnologia diz que uma de suas tarefas é estudar as necessidades da comunidade cientifica local, e também coordena o treinamento de médicos em tecnologia aplicada e faz um alerta: “tenho procurado médicos e biotécnicos para trabalhar na área de tecnologia, e isso é uma tendência mundial, pois uma empresa de tecnologia não vive só de engenheiros”.
Com este alerta de alguém que não é médico, mas sente a carência de todo o sistema de informação ligada a saúde de uma forma geral, esperamos comover as nossas autoridades para criar cursos de graduação, pós graduação e especialização para que tenhamos material humano suficiente e capacitado para preencher todas estas oportunidades que estão aparecendo , bem como a regulamentação das diversas profissões ou especialidades que estão surgindo.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

A boca, a odontologia e a medicina

Se você tem dor de dente procura um dentista, se tem dor de garganta procura um médico otorrinolaringologista, se estiver rouco talvez precise de um endoscopista, e assim vai. Observe que para patologias dentro na cavidade bucal, você pode e deve procurar ou um dentista ou um médico.
A cavidade bucal é a entrada do sistema digestório (antigo aparelho digestivo), abrigando uma grande quantidade de órgãos e estruturas, que têm entre outras, preparar os alimentos que ingerimos, para a peregrinação por todo o sistema até atingir os seus destinos, que são diferentes para cada “componente”. Depois de toda complexa distribuição aquilo que não interessa deverá ser descarregado sob forma de fezes, o que é feito pelo anus que é o orifício de saída do sistema, e tratado pelo médico proctologista.
Porque então os dentes que são apenas uma pequena parte deste complexo sistema, porém extremaente importanates, têm para si um especialista que para se formar, faz um vestibular para uma escola que não é a medicina, faz um curso que não se assemelha a medicina, não se forma médico, não entende da medicina, e vem para junto dos médicos para resolver as questões dos dentes que estão incrustados nos ossos dentro da boca dos nossos pacientes?.
O dentista deveria estar inserido no contexto da unidade da saúde, como acontece em vários países do primeiro mundo.
Não seria lógico que este profissional fosse preparado por uma escola médica, pelo menos nos seus 3 primeiros anos de forma comum e depois se encaminhasse para o estudo da odontologia?
Hoje em dia em nosso meio o paciente que tiver, por exemplo, um tumor de partes moles na boca, fica perdido sem saber a quem procurar. O dentista, nem pensar. O otorrinolaringologista quando muito para dar uma olhada. Ele vai acabar caindo com um especialista em cirurgia de cabeça e pescoço, cujo nome é tão infeliz que ele não mexe com cérebro e ouvidos, que estão na cabeça e com vasos do pescoço, mas mexe com tireóide, língua, face de uma forma geral.
Durante muitos anos acompanhei a batalha dos nossos odontólogos para poderem operar seus casos em hospitais, uma vez que o CFM obriga ou obrigava a presença de um médico no ato cirúrgico. No caso de óbito o dentista não está capacitado a atestar o óbito apesar de o paciente ser dele e a responsabilidade cirúrgica também. Nestas situações cabia ao médico o atestado de óbito que no final era praticamente sua única atuação no caso.
Tive o privilégio de ter um colega de turma que já formado dentista foi estudar medicina. Tornou se um cirurgião completo daquilo que se convencionou chamar cirurgia buco maxilo facial, mas também dava conta do feijão e arroz da odontologia do dia dia.
Foi exatamente com ele que aprendi e não compreendi os limites entre o médico e o dentista.
Na verdade o nosso dentista é o médico da nossa arcada dentária superior e inferior compreendendo ossos, articulações, ligamentos e dentes.
Estou tocando neste assunto porque vejo crescer de forma assustadora a destruição do profissional liberal odontólogo e ser substituído pela odontologia social. Não quero julgar se isto é bom ou ruim apenas tenho a convicção que como aconteceu na medicina teremos profissionais trabalhando mal em bocas mal tratadas.
As autoridades que se pronunciem, mas não aquelas que têm assistência odontológica vitalícia.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Como se tratava o estupro em 1833

Estou fazendo um interregno nos meus delírios, para compartilhar com vocês um maravilhoso documento que apesar de não ser Controvérsia, Duvida e Bobagem, resolvi deixá-lo para apreciação

SENTENÇA JUDICIAL DATADA DE 1833
Província de Sergipe
Ipsis litteris, ipsis verbis! - Trata-se de Lingua Portuguesa Arcaica
PROVÍNCIA DE SERGIPE
O adjunto de promotor público, representando contra o cabra Manoel Duda, porque no dia 11 do mês de Nossa Senhora de Sant'Ana, quando a mulher do Xico Bento ia para a fonte, já perto dela, o supracitado cabra, que estava de em uma moita de mato, sahiu della de supetão e fez proposta à dita mulher, por quem queria para coisa que não se pode trazer a lume, e como ella se recuzasse, o dito cabra abrafolou-se dela, deitou-a no chão, deixando as encomendas della de fora e ao Deus dará. Elle não conseguiu matrimônio porque ella gritou e veio em amparo della Nocreto Correia e Norberto Barbosa, que prenderam o cujo em flagrante. Dizem as leises que duas testemunhas que assistam a qualquer naufrágio do sucesso fazem prova.
CONSIDERO
QUE o cabra Manoel Duda agrediu a mulher de Xico Bento para conxambrar com ela e fazer chumbregâncias, coisas que só marido della competia conxambrar, porque casados pelo regime da Santa Igreja Cathólica Romana;
QUE o cabra Manoel Duda é um suplicante deboxado que nunca soube respeitar as famílias de suas vizinhas, tanto que quiz também fazer conxambranas com a Quitéria e a Clarinha, moças donzellas;
QUE Manoel Duda é um sujeito perigoso e que se não tiver uma causa que atenue a perigança dele, amanhan está metendo medo até nos homens.
CONDENO
O cabra Manoel Duda, pelo malifício que fez à mulher do Xico Bento, a ser CAPADO, capadura que deverá ser feita a MACETE. A execução desta peça deverá ser feita na cadeia desta Villa.
Nomeio carrasco o carcereiro.
Cumpra-se e apregue-se editais nos lugares públicos.
Manoel Fernandes dos Santos Juiz de Direito da Vila de Porto da Folha Sergipe, 15 de outubro de 1833.

Fonte: Instituto Histórico de Alagoas.
Publicado no Suplemento Cultural da Associação Paulista de Medicina, nº 203, Junho de 2009
Coordenação: Guido Arturo Palomba
Cedido pelo Prof. Carlos Alberto Salvatore

sexta-feira, 3 de julho de 2009

A comida de Deus e o fundo do mar

Para aqueles que leram o post que escrevi sobre a A máquina humana e a comida de Deus, especialmente aos mais céticos, uma nova notícia vem aumentar as minhas convicções que o alimento que o ser humano deverá adotar no futuro está efetivamente mo fundo do mar.

Robô visita ponto mais profundo do mar

Nereus (em amarelo) é içada do mar: visita a águas profundas.

Uma embarcação robô, chamada Nereus obteve sucesso em visitar o ponto mais profundo do oceano Pacífico.
Ela desceu à profundidade de 10,9 mil metros no Abismo Challenger, nas Fossas Marianas, uma depresão no oeste do Pacífico, o ponto em que a crosta terreste é mais baixa em todo o globo.
Conduzido pelo Hole Woods Oceanographic Institution, o projeto que levou Nereus até o fundo do mar visava analisar as características da água, solo, vegetação e vida na profundeza mais remota do oceano. Entre as espécies recolhidas pelo robô está um novo tipo de pepino, pouco conhecido pelos biólogos.
O projeto do instituto oceanográfico foi apoiado pela Universidade do Havaí que incluiu ferramentas tecnológicas na embarcação, como aplicações que permitem a Nereus tomar decisões sozinhas e encontrar os melhores caminhos para cumprir uma missão pré-determinada. No caso da visita às Fossas Marianas, Nereus esteve o tempo todo ligado a uma embarcação na superfície por vários quilômetros de fibra óptica. A conexão permitia controlar remotamente a embarcação submarina e se eventualmente os cabos se rompessem ou a embarcação na superfície afundasse, por exemplo, o robô possui inteligência para perceber o acidente e retornar sozinho à superfície.
De acordo com o instituto oceanográfico, a embarcação será usada em missões científicas em águas profundas em diferentes pontos do mundo, em busca entre outros de alimentos desconhecidos.
Clique aqui e veja o Nereus slideshow


sexta-feira, 26 de junho de 2009

Michael Jackson morre de parada cardíaca

Gostaria de estar escrevendo este post por outro motivo, mas Michael Jackson resolveu se apresentar no céu juntamente com Elvis Presley, Johnny Cash, Ray Charles, Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, Louis Armstrong e tantos outros que jamais esqueceremos.
Quero aproveitar este momento em que a grande notícia do momento é a morte de Michael Jackson, para algumas linhas sobre esta “causa mortis” que é noticiada em todas as mídias, grandes e pequenas.
Que doença é esta, parada cardíaca que mata tantas pessoas?
Esta doença não existe.
Este é um erro grosseiro cometido por toda a imprensa, praticamente todos os dias, e inaceitável especialmente quando esta fonte de informação tem um revisor médico.
São raríssimos os casos em que a causa da morte é a parada cárdica e que na verdade chamamos de morte súbita. Aqueles jovens atletas que morrem subitamente num campo esportivo sim morrem de parada cardíaca, mas em conseqüência de uma doença do coração que vinha se manifestando de forma sub clínica e que na verdade é uma arritmia cardíaca que a medicina moderna tem condições de diagnosticar. A intoxicação por drogas ou medicamentos também podem provocar primariamente a morte por parada do coração, porém nestas situações o diagnóstico definitivo é sempre pós necropsia.
Em todos os outros casos a morte por parada cardíaca não existe, pois todos nós morremos porque o coração para.
O que acontece na verdade é uma doença que leva à morte numa seqüência de eventos sendo o último deles a parada do coração.
Uma pessoa que leva um tiro e a notícia diz que ela morreu de parada cardíaca, o correto sería:
causa mortis: choque hemorrágico
conseqüente a: ruptura de aorta torácica(por exemplo)
conseqüente a: perfuração de arma de fogo.
e o coração para porque é o ato final da morte, como para os pulmões, os rins, enfim para a nossa maravilhosa máquina.
Traduzindo: morreu porque foi baleado.
Uma pessoa que morre após longa luta contra um câncer muitas vezes a notícia acaba sendo “Parada cardíaca leva a morte fulano de tal após x anos de luta contra um câncer. O correto seria:
causa mortis: falência de múltiplos órgãos
conseqüente a septicemia
conseqüente a infecção respiratória
conseqüente a caquexia
conseqüente a adenocarcinoma de cólon.
Traduzindo: morreu de câncer de intestino.
E aquele que morre de infarto do miocárdio, a imprensa sempre atribui sua morte à parada cardíaca. o correto seria:
causa mortis: arritmia ventricular complexa
conseqüente a infarto agudo do miocárdio
conseqüente a obstrução coronariana
conseqüente a aterosclerose sistemica.
Traduzindo: morreu por atesclerose.
Eu entendo que estes termos são todos muito indigestos para serem utilizados e compreendidos no dia a dia, mas também matar as pessoas de parada cardíaca é muito feio.
TODOS nós vamos ter nossos corações parados
TODOS nós vamos ter nossos rins parados
TODOS nós vamos ter os nossos intestinos parados,
mas,
ALGUNS de nós seremos mortos a tiros
ALGUNS de nós seremos mortos no transito
ALGUNS de nós teremos câncer, e
A triste notícia de hoje deveria ser assim:

Michael Jackson morre de causa ainda não esclarecida.

Nesta notícia já está implícito que a causa da morte no momento é desconhecida, será anunciada após ser esclarecida e seguramente não será parada cardíaca.
Senhores responsáveis por estas notícias, vamos ficar mais atentos.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Duas grandes notícias vindas de duas pequenas cidades

“Metade da população de Tatuí já tem PEP”.

“Piraí é o primeiro município do mundo a usar computador 1:1”.

Tatuí
é uma cidade do interior de São Paulo com pouco mais de 107.000 habitantes (dados de 2006) distante 143 km da capital.
A Secretaria de Saúde da Prefeitura Municipal de Tatuí está desenvolvendo um projeto de sistema de prontuário eletrônico que teve inicio em 2005 e já tem 55 mil pacientes cadastrados, o que representa 50% da população.
O PEP dos pacientes do município deverá ser utilizado pelo setor privado e público por meio do pagamento de uma taxa. Cada médico deve pagará uma taxa de R$ 70,00 a R$ 80,00 por mês para fazer uso do sistema. Já no setor público, o governo deve pagar uma taxa de cerca de R$ 0,17 centavos por habitante para que qualquer cidadão possa utilizar o sistema por meio da rede do SUS.
Informações fornecidas pela
secretária de saúde, dão conta que o sistema inicia no primeiro contato com o paciente,seja por médicos, psicólogos ou qualquer outro profissional cadastrado no sistema e, a liberação para consulta e/ou inserção de informação é realizada por autorização biométrica do paciente.
“Acreditamos que a posse do histórico médico deve ser do próprio cidadão e não do médico ou da instituição que o atendeu, por isso o acesso só pode ser realizado com a autorização biométrica do paciente”.
A segunda boa notícia vem de Piraí, cidade distante 103 km da capital do Estado, com população em torno de 24.000 habitantes(dados de 2006).
A partir de agosto, todos os alunos da rede municipal de ensino infantil, fundamental e APAE de Piraí, bem como os professores da cidade terão acesso à informatização nas escolas.
O Governo do Estado do Rio de Janeiro apoiou a iniciativa da prefeitura de Piraí, contemplando o Projeto Piraí Digital, com aquisição de 5.500 unidades de Classmate PC com tecnologia Intel, rodando em Linux, com acesso em locais públicos e banda larga, fornecida pela operadora Rede Rio e link de parceiros do projeto.
O planejamento estratégico de levar a tecnologia para a educação, iniciado em 2003,teve sua primeira ação efetiva em 2007, quando a Intel disponibilizou os primeiros Classmate PC.
A Prefeitura de Piraí recebeu também aporte do Governo do Estado para a aquisição dos equipamentos, infra-instrutora e no treinamento dos professores.
“A tecnologia aplicada à educação é um processo sem volta, pois com um computador nas mãos e acesso à internet, os estudantes estarão aptos a participar da revolução tecnológica e da sociedade do conhecimento”, afirmou Oscar Clarke, Presidente da Intel Brasil.
Maria Helena Cuatiero Horta Jardim, Professora da UFRJ e Coordenadora Educacional do Piraí Digital. afirma que o projeto já é um sucesso. “Além de o aluno levar o computador para casa, promovendo a interatividade com a família, propicia que os pais sejam co-responsáveis pela educação por meio da tecnologia”, sendo que houve um cuidado especial com a questão da Segurança da Informação.
Diante do êxito do projeto, o vice-governador do Estado do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, que foi prefeito de Piraí, já prevê a ampliação do projeto para todos os municípios cariocas. “Temos total interesse em ampliar para todos os municípios do Rio de Janeiro, que hoje somam 1,5 milhões de crianças da rede Estadual de Ensino.O vice governador lembra que no dia 13 de junho o projeto Piraí Digital, recebeu em Nova York, o premio Top Seven Intelligent Communities, ficando entre as sete cidades mais inteligentes do mundo no ano de 2005.
O projeto nasceu quando houve a privatização da Light. Naquela época, houve um grande desemprego no município e era preciso despertar o interesse de empresas a se fixarem na cidade, um grande desafio para um município com topografia difícil em uma área total de 520 mil quilômetros quadrados.
“Hoje, já contabilizamos a entrada de aproximadamente 20 novas médias empresas sem contabilizar as microempresas em Piraí, incentivadas pelo Piraí Digital.Parabéns Tatuí e Piraí, vocês são dois pontos fora da curva.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Certificação, vamos desfazer a confusão

Semana passada, concomitante à Feira Hospitalar, aconteceram dois eventos tratando das questões da Tecnologia da Informação ligadas a Saúde.
Um deles sob a responsabilidade da Universidade São Camilo a ADH´2009 e o outro ligado aos próprios realizadores da feira, o ClasSaúde.
O mês de Junho, nestes últimos 5 anos tem sido um momento importante para alinhar as nossas expectativas, não só no que diz respeito a atividade médica e hospitalar, pois a Hospitalar é o maior evento do ramo na América Latina e a cada ano com uma presença internacional cada vez maior, como também ver e ouvir as novidades na área de TIC e Saúde no Brasil e no mundo.
Surpreendentemente estes eventos vêm mostrando que apesar das dificuldades tecnológicas inerentes à um pais em desenvolvimento, as nossas ações estão muito bem posicionadas em relação àquelas desenvolvidas no primeiro mundo. Algumas destas conclusões não são minhas, mas sim de convidados estrangeiros que assim se manifestaram e pelo que senti não foi por educação ou algo semelhante mas sim por convicção.
O fato de estar escrevendo sobre este tema é para poder anotar de forma clara a ausência nos dois eventos de dois temas, que sinto não apenas necessários serem postos para discussão, como também por estarem gerando controvérsias.
O primeiro deles é com relação a discussão e denominação de Certificação de Software e Certificação Digital que tanto vem confundindo as pessoas.
Eu tenho insistido muito, inclusive mais de uma vez pude expressar minha preocupação com a mistura destas duas certificações, tendo em vista que a confusão já está formada, pois pessoas acham que software certificado é aquele que tem certificação digital.
Eu penso que o termo Certificação Digital já é um termo consagrado e adotado em várias atividades na área da tecnologia e com grandes dificuldades de ser modificado, mesmo porque não me parece necessário.
Por outro lado a Cerificação do Software é uma ação que além de muito nova, é restrita a área da saúde e poderia ser substituída por Homologação do Software.
Por outro lado, neste mesmo momento estamos convivendo com os processos de Acreditação Hospitalar que além de ter uma terminologia internacionalmente adotada, vem confundir mais ainda as nossas “certificações”.
Assim sendo, por exemplo, poderíamos ter a
A instituição ABC ACREDITADA pela Joint Commission International,
Possui o Software XYZ HOMOLOGADO pela SBIS/CFM
Com CERTIFICAÇÃO DIGITAL em todos seus setores.
Os termos Homologação, Certificação e Acreditação estariam referindo-se a coisas distintas e sem a menor chance de confusão.
Parece que a SBIS, que recém publicou sua última versão do Manual de Cerificação, está estudando a questão, pois argumenta que praticamente no mundo inteiro se usa o termo "Software certification". O próprio Presidente da SBIS tentou dirimir a dúvida em artigo publicado no Business saúde.
Todo este processo é muito novo para todos nós que nele estamos envolvidos, permeados de dúvidas e questões que vão aparecendo e sendo progressivamente solucionadas, com apoio da SBIS/CFM bem como a ANVISA com um trabalho competente e brilhante.
Outra questão esquecida nos eventos diz respeito à um nova personalidade que está chegando, ou já chegou em nosso meio, e que esta sendo chamada de Paciente Expert ou Paciente Informado.
Recentemente escrevi um post sobre o assunto tendo em vista a relevância do mesmo, e tivemos um evento, que também está disponível em vídeo.
De uma forma simples trata do paciente que usa as informações da internet para esclarecer suas dúvidas com relação a um diagnóstico médico que tenha sido feito, ou mesmo busca informações para se municiar para a consulta médica. Ou seja, antes ou depois da consulta médica, o paciente procura a internet para se informar.
Não tenho a intenção de discutir o assunto neste momento tendo em vista a sua complexidade e os vários enfoques sobre o assunto, dependendo do ponto de vista que é abordado.
De qualquer forma dois aspectos são fundamentais e precisam ser rapidamente equacionados.
O primeiro deles é a presença do próprio paciente para discutir com todas as pessoas envolvidas no seu atendimento as questões que lhe dizem respeito.
Não faz sentido nos dias de hoje uma discussão sobre Prontuário Eletrônico do Paciente sem a presença do paciente.
A segunda questão é estabelecer critérios para que as informações postadas na rede tenham credibilidade e sejam verdadeiras. Estas ações me parecem mais complexas no sentido que deverá envolver um número significativo de pessoas e Instituições para que se possa oferecer ao Paciente Informado a informação de boa qualidade.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Imagem da semana

Morador de rua conectado

Mr. Pitts fotografado no Transbay Terminal, San Francisco, por Brian L. Frank, The Wall Street Journal

sexta-feira, 5 de junho de 2009

A origem da @

Na idade média os livros eram escritos por copistas (precursores da taquigrafia), que usavam símbolos e sinais e abreviaturas para poder economizar papel e tinta que eram caríssimos.
O nome Francisco em espanhol era escrito Phrancisco que foi abreviado para Phco, depois para Pco e daí ganhou o apelido de Paco.
Por outro lado o entrelaçamento de letras era um recurso muito usado pelos copistas, pois ele sempre economizava letras.
Para substituir a palavra latina et (e), os copistas criaram um símbolo que é o entrelaçamento das duas letras, que resultou no &, que hoje é mundialmente conhecido como “e comercial”, e que teve a seguinte evolução:
A preposição latina ad, que tinha o sentido de “casa de” ganhou pela técnica do entrelaçamente o símbolo @ pela seguinte evolução:




Quando da chegada da imprensa os copistas se foram, mas os símbolos @ e & continuaram a ser usados nos livro de contabilidade.
O @ passou a aparecer entre o número de unidades da mercadoria e o preço, pois na época o símbolo @ em inglês era conhecido como at ( a ou em). Portanto, o registro contábil “10@ £3” era lido como dez unidades a três libras cada uma.
No século XIX, nos portos do norte da Espanha o comércio e a indústria procuravam imitar práticas contábeis dos ingleses. Como os espanhóis desconheciam o sentido que os Ingleses atribuíam ao símbolo @ ( a ou em), acharam que o ele seria uma unidade de peso,pois duas coincidências contribuíram para este entendimento:
1- A unidade de peso para os espanhóis na época era a arroba, e o símbolo @ era entendido como um "a"de arroba.
2- Os carregamentos desembarcados vinham geralmente em fardos de uma arroba. Dessa forma os espanhóis liam aquele mesmo registro “10@ £3” da seguinte forma: “dez arrobas custando 3 libras cada uma”, o que era sensivelmente diferente e mais barato do que a interpretação original, algo em torno de 15 vezes mais barato.
Por isso o símbolo @ passou a ser chamado de arroba, que para os espanhóis era uma unidade de peso.
A palavra arroba tem origem do árabe “ar-ruba”, que significa “a quarta parte”, que correspondia a ¼ de outra medida , o quintal (quintar), também de origem árabe, que equivale a 58,758 kg. E por isso a arroba equivale a 14,7 kg.
No Brasil a arroba é utilizada como medida de peso de produtos agropecuários e equivale a 15 kg. Em 1874 começaram a ser comercializadas nos Estados Unidos as primeiras máquinas de escrever, sendo que Mark Twain foi o primeiro autor a apresentar seus originais datilografados. O teclado tinha o símbolo @ que sobreviveu nos teclados dos computadores.
Em 1972, ao desenvolver o primeiro programa de correio eletrônico, Roy Tomlinson precisava encontrar um símbolo que separasse o nome do usuário do nome da máquina em que este tinha a sua caixa de correio (provedor). Ele escolheu o símbolo @ que, para qualquer americano, significa exatamente o que precisa significar neste contexto: at (em). Assim “fulano@provedor x” passou a significar “Fulano no provedor X”.
Em diversos idiomas, o símbolo “@” ficou com o nome de algo parecido com sua forma.
Em Italiano chiocciola (caracol).
Em Sueco snabel (tromba de elefante)
Em holandês apestaart (rabo de macaco)
Em alemão klammeraffe (rabo de macaco).
Em finlandês miukumauku (símbolo do miau).
Em húngaro kukac (minhoca).
Em Israel strudel (doce enrolado)
Na Áustria pretzel (bolacha enrolada)

Material obtido em parte de revista Nascente volume Tevet/Shevat 5768, paginas 25, 26.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Imagem da semana

Equipamento médico extinto, substituído pelo ultrassom

Estetoscópio obstétrico de Pinard em madeira e versão mais "moderna" em alumínio