Por outro lado, a imagem do plano de fundo foi feita pela Curiosity Mars Science Laboratory em 08 de setembro de 2012 no 33º dia após o pouso na superfície de Marte observando-se o solo marciano como jamais foi visto. E também não é bobagem...
Image credit: NASA/JPL-Caltech/MSSS.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Imagem da semana


A foto de uma mulher afegã cujo nariz e orelhas foram cortados pelo marido ganhou na sexta-feira 11 de fevereiro o prêmio World Press Photo, um dos mais cobiçados em fotojornalismo.
A foto foi clicada pela sul-africana Jodi Bieber, contrastando a beleza da mulher com o sinal evidente da violência cometida após fugir de um marido abusivo.
Bieber, que já tem outros oito prêmios World Press Photo, é fotojornalista do Instituto para Gerenciamento de Artistas e trabalha para vários veículos, e já publicou dois livros sobre a África do Sul.
Os membros do júri disseram que a foto, embora chocante, foi escolhida porque mostra a violência contra as mulheres com uma imagem digna.
A afegã Bibi Aisha, 18, foi resgatada por tropas americanas no Afeganistão e vive agora nos Estados Unidos.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Nascidos na rede parte II

Muitos são os especialistas que estão se dedicando a esta questão, sejam eles médicos, educadores, advogados ou até mesmo especialistas em tecnologia da informação, como aqueles que se dedicam as mídias sociais e segurança da informação.
Alguns se mostram receosos, aconselhando evitar colocar fotos e vídeos dos bebês ou crianças na internet, e sugerindo enviar notícias para familiares e amigos através de uma rede fechada ou por e-mail.
A Dra Juliana Abrusio, especialista em direito eletrônico recomenda estas providencias no sentido de evitar ou diminuir a incidência de crimes como apropriação da imagem das crianças, sequestro e pedofilia. Além do temor à segurança, a divulgação de fotos e vídeos afeta a questão da identidade que um dia as crianças, já adolescentes ou adultas vão querer ter na rede. Afinal, quando crescerem, elas poderão não gostar daquela foto ou vídeo postado pelos pais no qual aparecem de uma forma que não gostariam que tivesse sido divulgado.
Evidentemente neste momento aparecerá o primeiro problema criado pelo conflito de gerações.
O Google Brasil, responsável por sites como Orkut e YouTube, tem consciência de toda esta problemática que envolve as crianças, como também aquela referente as informações de saúde consultada por adultos. Entretanto pouco é possível fazer tendo em vista o conceito de liberdade e não censura ao uso da internet, cabendo à responsabilidade maior aquelas pessoas que divulgam a informação e não aqueles que as disponibilizam. Para isto é fundamental o conhecimento sobre as ferramentas da internet e a percepção do impacto que as informações podem causar na vida futura destas crianças.
Por outro lado as redes sociais se por um lado traduzem liberdade, fácil comunicação, interoperabilidade entre pessoas, etc. por outro podem ser uma ameaça se não usadas com critérios.
Pesquisa realizada pela fabricante de softwares de segurança AVG Technologies apontou que 69% das crianças usam primeiro um computador, antes mesmo de praticarem outras atividades consideradas normais para sua idade. Eis alguns números obtidos nesta pesquisa:
92% das crianças americanas já estão on-line aos dois anos.
73% das crianças dos países da União Europeia também estão on-line nesta idade.
37% dos recém-nascidos do Reino Unido têm vida on-line a partir do nascimento.
37% das crianças do Canadá iniciam a vida virtual quando os pais postam exames de pré-natal na internet.
7% dos bebês e das crianças pequenas têm um endereço de e-mail criado pelos pais.
5% têm perfil em rede social
70% dos pais disseram que o objetivo é compartilhar informações com amigos e familiares
22% das mãe assumiram que queriam acrescentar mais conteúdo aos seus perfis nas redes sociais.
Como se vê pela tradução destes números o assunto é não apenas complexo como também preocupante.
Estas crianças que usam precocemente as redes sociais e se tornam superexpostas, não têm maturidade para saber separar o que é bom e ruim na internet, e nós ainda não temos um mapeamento desta situação e, por conseguinte não temos certeza das repercussões futuras deste tipo de mídia na sociedade.
Outro importante estudo foi realizado em 2009 pela empresa de proteção digital Symantec Norton revelando que os termos como “porn” e “sex” estão entre as cinco palavras mais pesquisadas na rede por crianças com menos de 12 anos. Se somos bombardeados o tempo inteiro por mensagens de conteúdo duvidoso, encontrar o caminho para o proibido também não é difícil para quem já nasceu online. Enquanto muitos pais se preocupão quando o filho navega pela internet, o professor especializado em interações digitais da University of the West of England, Lee Salter, propõe olhar a questão por outro ângulo. “As crianças sempre tiveram acesso a material sobre sexo e violência, seja nos filmes, seja em revistas ou até mesmo em casos contados por amigos na escola. Se a questão é o acesso por meio do computador, devíamos analisar primeiro por que esse tipo de material está sendo produzido na nossa sociedade”.Culpar a internet é como atirar no mensageiro que vem entregar uma má notícia”, completa Salter.
Ações institucionais como a cartilha lançada pela OAB com o nome de Uso seguro da internet para toda a família, ou o projeto LEEME (Laboratório de Estudos em Ética nos Meios Eletrônicos) da Universidade Mackenzie, são relevantes em seus propósitos e ações. Por outro lado atividades de estudiosos no assunto como Dra. Helena Garbin, Dr. André de Faria Pereira Neto da Fiocruz, Wilma Madeira da Silva, do Instituto de Políticas Públicas Florestan Fernandes, e da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, co sua tese de mestrado Navegar é preciso: avaliação de impactos do uso da internet na relação médico-paciente, Susana Estefenon e Evelyn Eisenstein autoras do livro Geração Digital, também representam um esforço significativo para equacionar melhor este enorme problema onde estamos apenas dando os primeiros passos, de uma longa caminhada.
Eu, pessoalmente acho que o caminho da solução do problema passa obrigatoriamente pela educação, educação e educação, não só das crianças e adolescentes, como também de seus pais e/ou responsáveis, penso que também fiz e continuo fazendo a minha parte.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Imagem da semana


A Nasa publicou no ultimo dia 4 na revista Science uma sequencia fotográfica das dunas de areia da zona norte de Marte, que até agora estavam congeladas.
As fotos mostram nitidamente movimentos bruscos e gradativos, tendo sido obtidas pela câmera de alta resolução da sonda de reconhecimento Mars Reconnaisance Orbiter (MRO).
A sonda espacial MRO foi enviada ao 'Planeta Vermelho' no dia 12 de agosto de 2005 e entrou na órbita marciana em 10 de março de 2006. Operado pelo Jet Propulsion Laboratory da Nasa, o MRO conta com uma antena de três metros de diâmetro com a capacidade de transmitir 6 megabits por segundo, assim como câmeras de alta definição com capacidade suficiente para captar com clareza objetos do tamanho de uma escrivaninha.
Em 2008 foi finalizada a primeira fase de prospecção científica que continuou com as pesquisas da superfície e da atmosfera do planeta. Além do descobrimento de grandes massas de água nas latitudes médias do planeta, o MRO determinou que a água “esculpiu” a superfície de Marte há milhões de anos e determinou que em sua superfície existiram diversos ambientes hidrográficos, alguns ácidos e outros alcalinos.
As imagens obtidas sugerem que as mudanças detectadas refletem tratar-se de um das paisagens mais ativas de Marte, pois a quantidade e a magnitude das mudanças foram realmente surpreendentes, assinalou Candice Hansen, do Jet Propulsion Laboratory e da Arizona Lunar and Planetary Laboratory at the University of Arizona, in Tucson responsável pela análise das fotografias tiradas em um período de dois anos marcianos, equivalentes a quatro anos da Terra.
Hansen informou que o nível de erosão em só um ano de Marte foi realmente surpreendente, e em alguns lugares se desprenderam centenas de metros cúbicos de areia como em um desmoronamento. Além disso, descobriu-se que as "cicatrizes" das avalanches de areia podem ser apagadas parcialmente em apenas um ano marciano, que equivale a 687 dias na Terra. Fotos: Nasa/Divulgação.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Nascidos na rede – parte I

Crianças nascem com transmissão do parto via internet, com eventuais parentes ou amigos, do outro lado do mundo, acompanhando seus primeiros momentos de vida em tempo real. Esta é uma realidade comum em muitas das nossas maternidades, infelizmente nem sempre com os devidos cuidados de segurança da informação. No dia do parto, os pais recebem uma senha para distribuir entre aqueles que julgam poder ter acesso à transmissão, o que me parece muito pouco, mas este não é o assunto de hoje.
Estas crianças praticamente já nascem “conectadas”, e diferentemente de quem conheceu a internet após aprender a escrever, é provável que elas e boa parte das crianças nascidas neste milênio aprendam a digitar antes mesmo de traçar as primeiras letras no papel.
Estas crianças estão sendo chamadas de “nativos digitais” por John Palfrey, que é autor do livro “Born Digital”, pois são as primeiras a nascer em um mundo totalmente imerso na internet.
As primeiras iniciativas para a presença digital é frequentemente dado pelos pais. Muitos abrem uma conta de e-mail antes ou logo após o nascimento. Outros com apenas poucos meses de vida já tem um blog, estão no Orkut, tem uma página no Flickr, além de evidente, alguns vídeos no YouTube. Isto é feito com o propósito de dividir esses primeiros momentos com amigos e parentes, que moram em outros estados ou países.
A diferença entre as gerações dos avós e pais destes rebentos é imensurável. As crianças “nascidas na rede” convivem com toda esta tecnologia que hoje nos envolve, enquanto seus pais usaram filmes em suas máquinas fotográficas, presenciaram a chegada dos telefones celulares, da televisão a cores, dos bancos informatizados, e outras tantas novidades das décadas de 70 e 80. Com relação aos seus avós vamos apenas citar que viram chegar os primeiros televisores (em preto e branco), os primeiros computadores, os aviões com turbinas no lugar de hélices, os relógios movidos a bateria, etc. Estas diferenças entre as gerações criaram estilos de vida totalmente diferentes obrigando a cada uma delas um esforço muito grande para entender cada um destes momentos diferentes. De uma forma geral os jovens entendem com muito mais facilidades os mais idosos do que estes compreendem os jovens. Penso que na história do mundo moderno nunca se presenciou um abismo tão grande entre três gerações. A característica mais marcante desta geração conectada é a visibilidade, uma vez que tudo é tornado público, muitas vezes sem a anuência do protagonista central, ou então até mesmo à sua revelia.
Desta forma, a pergunta inevitável é: quais são as consequências dessa exposição?
Continuaremos na próxima semana.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Imagem da semana

Animais que se disfarçam em plantas

O Professor de fotografia biológica, Alex Hyde especializou-se em registrar animais e insetos que fazem uso de camuflagem para sobreviver. Parte do seu trabalho consiste em fotografar animais e insetos no seu estúdio, no Reino Unido. Professor de fotografia biológica na Universidade de Nottingham, no Reino Unido, Hyde viajou a Madagascar para pôr seu conhecimento à prova, uma vez que o desmatamento das florestas do país está dificultando a luta pela sobrevivência. Apenas 7% da vegetação original da ilha na costa oriental da África está intacta.

Sapo da família Microhylidae, natural de Madagascar, quase fica invisível no meio das folhagens. (Foto: Alex Hyde / Barcroft).


Sapo da floresta Kirindy, no oeste de Madagascar, vive em meio a folhas secas. (Foto: Alex Hyde / Barcroft).


Peixe que se camufla no fundo rochoso na ilha de Mull, na Escócia. (Foto: Alex Hyde / Barcroft).


Louva-a-deus orquídea. (Foto: Alex Hyde / Barcroft).



Lagarto se camufla no tronco de uma árvore. (Foto: Alex Hyde / Barcroft).


Lagarto que costuma viver entre folhas de palmeiras mortas, onde caça invertebrados à noite. (Foto: Alex Hyde / Barcroft)

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Infraestrutura de TI para implementação de um PEP ou S-RES

As comunidades que se relacionam com as questões de TI em saúde estão preocupadas com a certificação dos sistemas e já existe uma sinalização da necessidade da certificação dos profissionais de informática em saúde. Mas esta discussão deve abranger também recomendações de infra-estrutura que são necessárias para que os sistemas funcionem de acordo com o esperado.
Essas questões são importantes para criar uma padronização da estrutura mínima, baseada na estrutura do software. O raciocínio inverso também poderia ser aplicado, de forma tal a que poderemos passar a cobrar das empresas de softwares que desenvolvam soluções baseados na infra-estrutura conhecida, evitando eventuais necessidades de supercomputadores ou de infra-estrutura altamente complexas. É preciso ter em mente evitar que sistemas exijam estruturas super dimensionadas, exigência que via de regra só é posta após a compra do sistema e implica em despesas altíssimas por parte do contratante, que muitas vezes não está preparado para arcar com esse tipo de investimento.
Seria interessante, por exemplo, estabelecer a infra-estrutura necessária para manter um S-RES em Instituições de Saúde. Qual a infraestrutura mínima correta, inclusive configuração de equipamentos. Qual a abrangência desta infra estrutura. Quais os setores devem estar equipados obrigatoriamente. Qual o padrão de cabeamento para os centros cirúrgicos, por exemplo, Quais as metodologias de atendimento do pessoal de suporte. Seguir a ITIL é uma boa solução?
Entretanto sabemos que as questões de tecnologia são muito dinâmicas e a resposta não é simples e pode estar na dependência de variáveis como o tamanho da Instituição, a quantidade e dos tipos de atendimentos realizados, a política de gestão, as aplicações utilizadas e a disponibilidade de recursos financeiros para investimento.
No nível governamental existe um projeto que pretende reestruturar toda infraestrutura dos Hospitais Universitários Federais, com novos Servidores, Estações de trabalho, Rede Estruturada e etc., inclusive prevê a adoção de práticas de Governança de TI, como ITIL, Cobit, PmBok e outros, que podem servir de referência para outras Instituições de Saúde.
Portanto, já existe uma iniciativa no intuito de estabelecer padrões ou recomendações para a infraestrutura de TI nas Instituições de Saúde em nível de governo, mas ainda falta muito para se alcançar um nível de maturidade satisfatório.
Em termos de certificação de software pelo CFM/SBIS, penso que uma instituição que vá implementar um software certificado, deveria passar por uma homologação do ambiente em que está sendo rodado, pois todas as qualidades do sistema podem ser comprometidas se o ambiente for inadequado, o que infelizmente não é raro. Uma aplicação submetida a uma infraestrutura inadequada não irá proporcionar os resultados esperados e podem resultar em uma decepção em todos os sentidos. Todas as questões de segurança da informação discutidas durante a evolução de um S-RES ou PEP podem estar comprometidas se a infra-estrutura não for adequada, tendo que se levar em consideração também a redundância de energia, de armazenamento, de link de internet, backup eficientes para vários discos, criptografia da base etc. e é preciso que se diga que estas práticas, políticas e ações dependem muito mais da instituição, do que do sistema ou do desenvolvedor do RES.
Uma passada rápida nos quesitos de infra-estrutura de qualquer empresa de bom nível passa por avaliação de servidores, storage, comunicação de dados, voz e vídeo (equipamentos e meios de comunicação - cabo/wireless), impressoras, leitores de código de barras, de cartões e biometria, dispositivos clínicos, totens, displays, energia, hidráulica, iluminação, climatização, mobília, controle de acesso físico, segurança patrimonial, ambientalização, decoração, o que mostra bem a complexidade do assunto.
É preciso levar em consideração que a necessidade de interoperabilidade, portabilidade e mobilidade dos sistemas de saúde estarão no mercado rodando em plataformas móveis, vejam que até é possível o software rodar todo em um telefone celular ou tablet PC e outros similares o que envolve multiplataformase alguns deles já rompem barreiras de processamento de alguns computadores tradicionais.
Portanto não adianta uma Instituição de Saúde, simplesmente adquirir um S-RES certificado, se não há garantia que o sistema funcionará bem na infra-estrutura existente, portanto a homologação do ambiente com identificação das funcionalidades que a aplicação demanda, seguida de recomendação adequada para o sistema que será implantado.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Imagem da semana

Pontos turísticos do Sistema Solar
Imagens feitas por diversos observatórios e satélites da Nasa mostram com detalhes a beleza de fenômenos naturais dos planetas e estrelas do sistema solar.
Astrônomos do Royal Observatory, Greenwich, Londres, reuniram uma coleção das melhores fotos do Sistema Solar.
Esse "guia astronômico" do sistema solar foi usada pelo Royal Observatory para marcar o lançamento da edição 2011 de seu concurso fotográfico Astronomy Photographer of the Year, aberto a astrônomos amadores do mundo inteiro.

O pôr-do-sol em Marte, fotografado pela sonda Spirit. A luminosidade acima do sol pode ser vista até duas horas após o anoitecer e a cor avermelhada do céu é explicada pela quantidade de poeira na atmosfera. Crédito: NASA.




Lua crescente vista do horizonte da Terra na foto tirada por um astronauta na Estação Espacial Internacional, que orbita cerca de 350 quilômetros acima do planeta. Crédito: NASA


Imagem da lua Titã a maior de Saturno. Por anos cientistas especularam o que teria abaixo das nuvens que a cobrem. Câmaras da sonda Huygens revelaram em 2005 dunas, montanhas e oceanos de óleo hidrocarbono em sua superfície. Crédito: NASA.


Fotografia infravermelha do hemisfério norte de Saturno tirada pela Cassini em 2007, a uma distância de cerca de 1,4 milhão de km. As cores artificiais usadas representam os químicos diferentes presentes na atmosfera. Crédito: NASA .


Imagem de uma tempestade na superfície de Júpiter feita de uma distância de mais de 2,6 milhões de quilômetros. Crédito: NASA.


Foto feita 1,6 segundo após o impacto de uma sonda enviada para se chocar com um meteoro de 7 km de diâmetro. Os cientistas dizem que a colisão ajuda a entender a natureza dos meteoros. Crédito: NASA.


Imagem em ultravioleta do Sol, feita pelo Observatório de Dinâmica Solar, mostra as variações de temperaturas de gases no Sol. Crédito: NASA.


A lua Lapetus de Saturno é considerada uma das luas mais estranhas do Sistema Solar. Uma de suas metade é branca e a outra, escura. A foto foi tirada da sonda espacial Cassini em 2007. Crédito: NASA.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A Voyager ultrapassando o Sistema Solar

A Voyager 1, nave-robô que partiu há mais de 33 anos, no dia 5 de setembro de 1977, está ultrapassando os limites do Sistema Solar, ou seja, o ponto onde o vento solar não sopra mais.
A Voyager 2 havia sido lançada mais de dois meses antes, no dia 4 de julho de 1977, porque, embora partindo na frente, iria fazer outro percurso e chegar em segundo lugar a Júpiter e Saturno.Mesmo tendo sido construídas na década de 70, essas duas sondas ainda hoje poderiam ser consideradas engenhos admiráveis por seu avanço tecnológico.
A 17,4 bilhões de quilômetros de casa, a Voyager 1 é o objeto construido pelo homem na situação mais distante da Terra e começou a identificar uma mudança nítida no fluxo de partículas à sua volta. Estas partículas, emanadas pelo Sol, não estão mais se dirigindo para fora e sim se movimentando lateralmente. Isso significa que a Voyager 1 está muito perto de dar o salto para o espaço, ou seja ela está entrando no espaço interestelar e, daqui a quatro anos, deverá ingressar na área de influência de outra estrela ou sistema estelar.

Edward Stone, cientista do projeto Voyager, elogiou a sonda e as incríveis descobertas que ela continua enviando à Terra. Quando a Voyager foi lançada, a era espacial tinha apenas 20 anos de idade, e não era possível prever que uma sonda espacial pudesse durar tanto tempo.
As sondas Voyager eram mais inteligentes do que os melhores robôs de seu tempo. Elas fizeram as fotos mais surpreendentes dos anéis de Saturno, mostrando que eles não eram apenas dois ou três, mas milhares.Não tínhamos ideia do quanto tempo teríamos que viajar para sair do Sistema Solar. Sabemos agora que em aproximadamente cinco anos devemos estar fora do Sistema Solar pela primeira vez.
Portanto esta será uma viagem de 38 anos, o que mostra ser um problema um voo tripulado para uma missão deste tipo.
O objetivo inicial da Nasa com as duas naves Voyager era inspecionar os planetas Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, uma tarefa que foi concluída em 1989.
Entretanto os instrumentos das sondas continuam funcionando normalmente e enviando informações à Terra, apesar de que a vasta distância envolvida significa que uma mensagem de rádio precisa viajar cerca de 16 horas.
As últimas descobertas são do detector de partículas de baixa energia da Voyager 1, que está monitorado a velocidade dos ventos solares. Esta é uma corrente de partículas carregadas, que forma uma bolha em torno do Sistema Solar conhecido como heliosfera. Os ventos viajam a uma velocidade muito rápida até cruzar uma onda de choque no encontro com as partículas interestelares.
Nesse ponto, o vento reduz sua velocidade drasticamente, gerando calor. A Voyager determinou que a velocidade do vento em sua localização chegou agora a zero
Chegamos portanto ao ponto em que o vento solar, que até agora tinha um movimento para fora, não está mais se movendo para fora; mas sim lateralmente para depois acabar descendo pelo rabo da heliosfera, que é um objeto com forma de cometa, informa Edward Stone, cientista do projeto Voyager, do Jet Propulsion Laboratory California Institute of Technology.
Este fenômeno é a consequência do vento indo de encontro à matéria vinda de outras estrelas. A fronteira entre os dois é o fim "oficial" do Sistema Solar, a heliopausa. Uma vez que a Voyager passar por isso, estará no espaço interestelar.
Os primeiros sinais de que a Voyager havia encontrado algo novo foram evidenciados em junho passado. Foram necessários vários meses de coleta de dados para confirmar a observação.
Rob Decker, um pesquisador da Johns Hopkins University que trabalha com o detector de partículas de baixa energia da Voyager, disse que quando percebeu que estávamos recebendo zeros definitivos, ficou maravilhado, ali estava a Voyager, uma sonda espacial que tem sido um burro de carga há 33 anos, nos mostrando algo completamente novo mais uma vez.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Imagem da semana


O fotógrafo Clark Little estava fotografando ondas em Oahu, no Havaí, no outono passado, quando foi "engolido" por uma de quase oito metros. A cena de Clark diante da onda gigante foi registrada por sua mulher, Sandy.
Foto: Sandy Little/Barcroft Media/Getty Images.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O feto que cumprimentou o cirurgião

Esta imagem é de um feto de 21 semanas chamado Samuel Alexander Armas, que está sendo operado pelo um cirurgião Dr. Joseph Bruner da Vanderbilt University Medical Center em Nashville, é conhecido por seu trabalho em cirurgia fetal, especialmente em bebês com espinha bífida, uma condição em que a coluna não se fecha corretamente durante o desenvolvimento do tubo neural.
Durante o procedimento, o médico remove o útero da cavidade abdominal, mantendo intactos todos os ligamentos e pedículos, para poder após o ato cirúrgico, devolvê-lo à cavidade para completar o período gestacional.
Com u útero removido é feita uma pequena incisão e através dela procede-se ao tratamento cirúrgico do feto. Trata-se de uma condição bastante crítica, pois o feto não sobreviveria se retirados do útero da mãe.
O fotógrafo Michael Clancy entrou na sala para proceder a documentação científica, como vinha fazendo regularmente em todas as cirurgias fetais realizadas pelo do Dr. Joseph Bruner.
Terminada a cirurgia o garotinho estendeu pela incisão sua pequena mão, plenamente desenvolvida e agarrou com firmeza o dedo do cirurgião.
O Dr. Bruner relatou que quando seu dedo foi agarrado, ficou imóvel e sentiu uma das maiores emoções da sua vida, e que por um instante durante o procedimento teve a sensação que o pequeno Samuel estaria agradecendo ao médico pelo dom da vida.
Michael Clancy teve a felicidade de capturar esse acontecimento impressionante com perfeita nitidez, e comentou o estranho fato que naquele momento, por já ter terminado o “tempo fetal” e normalmente ele já deveria ter se retirado do campo cirúrgico, e uma força muito especial fez com que estive ainda presente para documentar este fato raríssimo.
Clancy disse que "com o canto do olho eu vi sacudir o útero. De repente, um braço inteiro saiu para fora da abertura e em seguida puxou para trás até que apenas a mão estava visível. O Dr. Bruner se aproximou e levantou a mão, que reagiu e apertou o seu dedo, e o médico balançou a pequena mão, como se eles estivessem se cumprimentando”.
Por isto mesmo nomeou esta foto como a "Mão da Esperança".
A sequência fotográfica bem como outros detalhes pode ser vistos no site de Michael Clancy clicando aqui.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Imagem da semana

Austríaca Andreas Kofler paira no ar durante treino para a Copa do Mundo de Ski, em Engelberg, Suíça. Michael Buholzer, Reuters

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

A Mayo Clinic e as Mídias Sociais

A Mayo Clinic e seus outros parceiros internacionais anunciaram a criação da Rede de Mídias Sociais em Saúde. A comunidade online Social Media Health Network tem como objetivo a promoção, o desenvolvimento e a troca de materiais para treinamento no setor de saúde.
Segundo Victor Montori que é o diretor do Centro de Mídias Sociais da Mayo Clinic, a rede será um veículo para compartilhar recursos em treinamento e desenvolver as melhores práticas para o uso da mídias sociais.
A declaração mais explícita com relação à importância das mídias sociais veio do próprio Victor Montori: "Queremos ajudar as organizações ligadas a saúde, de todos os tamanhos e tipos, a aproveitar essas poderosas ferramentas de comunicação, de forma a ajudar os pacientes e melhorar a saúde no mundo".
Outros membros parceiros da Mayo Clinic na nova rede social são Secours Health System, Inova Health System, Mission Health System e Swedish Health Services. Por outro lado o Centro Médico da Radboud University, da Holanda, será o líder da comunidade na Europa. A Mayo Clinic informou em nota que está buscando organizações para atuarem como líderes na África, Ásia, Austrália e América do Sul. Quem estiver interessado é só se apresentar...

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Aspectos éticos, de pesquisa e apoio ao diagnóstico do PEP

O uso da tecnologia na implantação de um PEP ou RES, estará submetida a uma série de normas éticas do CFM que orientam o médico e complementam o procedimento. Uma delas, que não é voltada ao profissional médico, mas para aqueles que desenvolvem sistemas de informação, é a certificação do sistema. Além de tudo isso, o Código de Ética Médica, prevê uma série de posturas, vetos e recomendações aos médicos para o uso de qualquer tecnologia.
Todo e qualquer tipo de PEP, RES ou enfim anotação eletrônica de saúde sempre contém no seu final o CID (Código Internacional de Doenças) do paciente. Alguns sistemas sequer fecham o arquivo ou conseguem se dar alta ao paciente se não houver o CID, e algumas vezes não só o CID primário, como secundário e até mesmo o terciário.
Existe uma grande discussão disseminada que é referente à confidencialidade do diagnóstico do paciente.
Há muitos anos o CID foi adotado para substituir o diagnostico explícito, que comprometia a confidencialidade do paciente.
Por exemplo o diagnóstico explicito de Nefrite túbulo-intersticial aguda pode gerar implicações de várias ordens inclusive trabalhista, o que me leva usar o CID N.10 que quer dizer a mesma coisa porém preservando a confidencialidade do paciente.
Na década de 70 o órgão que fiscalizada o exercício da medicina, entregava ao médico o seu exemplar do CID, que somente quando gasto pelo uso era trocado por um novo, mediante a devolução do usado.
Hoje nada disto mais existe e o CID está na Internet para consulta aberta com todas as suas versões CID 9 (que é usado nos Estados Unidos) CID 10, uma versão com detalhes do CID 10 disponibilizada pelo próprio governo e até o CID 11 que ainda não está pronta, e está aceitando contribuições na sua confecção de pessoas registradas.
Este é um exemplo típico do complicador que a tecnologia trouxe ao exercício da medicina. Entretanto devemos lembrar que o médico formado no final da década de 80 ou início de 90 não conhece esta história porque, nasceram na era do CID digital, e portanto têm uma visão da tecnologia totalmente diferente de quem viveu a “era do papel”.
De qualquer forma o diagnostico ou a informação que era sigilo e do interesse exclusivo da relação médico/paciente hoje é 100% aberta, de domínio publico, com todas as suas consequências éticas.
Entre estas consequências algumas são até interessantes e úteis, pois os órgãos públicos conseguem rapidamente levantar estatísticas de uma determinada doença que tenha afetado uma região um estado, um município ou até um CEP. De posse destas informações é possível com muita facilidade organizar campanhas educacionais, informativas ou ate mesmo de medicina preventiva como uma campanha de vacinação numa comunidade.
Esta mesma informação pode estar sendo usada pela indústria para localizar pessoas com um determinado diagnóstico (CID) para abordá-las com a finalidade de oferecer tratamentos, medicamentos, facilidades, dietas, enfim toda uma gama de produtos ligados aquele diagnostico ou CID.
A pesquisa clínica também pode e deve ser abordada por este mecanismo, para localizar o paciente e convocá-lo para estudos, avaliações aplicações de ações de medicina preventiva, e até mesmo serviço de apoio a decisão.
A medicina preventiva poderá ser beneficiada pois será possível monitorar pessoas com doenças crônicas que necessitam cuidados, com a finalidade de tratá-las adequadamente para que as mesmas não voltem para o hospital por abandono ao tratamento.
Algumas empresas já se convenceram que é muito mais interessante, inclusive financeiramente, atravessar uma cidade para levar ao paciente diabético, insulina, agulha álcool, etc. do que esperá-lo em ceto-acidose diabética, gerando uma conta tremendamente maior. Existem empresas que utilizam este método fazendo curativos diários em ferimentos de pé diabético para que eles não venham ao hospital para um debridamento cirúrgico.
Estas são apenas algumas das boas funcionalidades decorrentes da informatização da medicina em conjunto, com medicina social, assistencial, fisioterapia, nutrologia, entretanto tudo isto deveria e deve preceder de um consentimento informado para que o paciente autorize que sua doença acabe sendo algo de domínio público

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Imagem da semana

O ator Brad Pitt fez questão de mostrar que Johnny Depp não ganhou terreno com Angelina Jolie durante as filmagens de O Turista. O flagra foi do site TMZ durante a premiére do filme no último dia 07.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Será o fim do código de barras?

Cientistas da Universidade Rice,Houston TX nos Estados Unidos, e da Universidade Nacional Sunchon, na Coréia, criaram um transmissor baseado na tecnologia RFID, que poderá substituir os códigos de barra de forma barata e muito mais prática.
O transmissor que pode ficar invisível ao ser impresso em embalagens, permitiria, por exemplo, que a passagem pelo caixa de um supermercado fosse muito mais rápida, pois o cliente não precisaria mais tirar as compras do carrinho para a leitura individual como é feita hoje , pois todas as embalagens, juntas, passariam por um scanner que em segundos, leria todos os itens ao mesmo tempo, faria a soma e também atualizaria o sistema de estoque da loja.
A tecnologia aplicada no caso ainda precisa de aperfeiçoamentos, mas uma primeira versão já foi publicada na revista IEEE Xplore Digital Library e o resumo do artigo pode ser visto clicando aqui.
Ela é baseada em uma tinta com nanotubos de carbono, própria para a produção de pequenos transistores em filmes, um elemento chave para as identificações em freqüências de rádio (RFID) em etiquetas.
Apesar de cada vez mais comuns, as etiquetas RFID de hoje são ainda muito caras por serem feitas de silício. A nova tecnologia proposta permite que elas sejam impressas no próprio papel ou ainda no plástico das próprias embalagens, diminuindo muito o custo final.
O método usa um processo de “gravura”, e não de impressão, para substituir códigos de barra. Até o momento, os pesquisadores já criaram com sucesso etiquetas de um bit, e trabalham com uma tentativa de 16 bits.
As etiquetas impressas com a tinta especial “ligam” quando recebem as freqüências de rádio corretas, e retornam para o sistema a informação que contêm, como, por exemplo, o preço.
De qualquer forma o uso do RFID substituindo o código de barras ainda é uma novidade e o Dr Mark Gasson, cientista da University of Reading UK, a 65 km ao oeste de Londres tornou-se a primeira pessoa no mundo “a ser infectado por um vírus de computador”.
Esta contaminação ocorreu a partir de um chip avançado de RFID contaminado por um vírus, que ele havia implantado sob a pele da mão esquerda, com o objetivo de demonstrar como a tecnologia por trás destes implantes tornam se mais vulneráveis a vírus de computador. A funcionalidade do chip era para entre outras dar acesso ao seu escritório na Universidade e o uso de seu telefone celular. Este estudo esta publicado no Science Daily de 26 de maio de 2010.
Esses resultados poderiam ter grandes implicações para as tecnologias de computação implantáveis, que estão sendo estudadas, com a finalidade de utilizar clinicamente para melhorar a saúde dos pacientes, tais como cardio estimuladores e implantes cocleares. Se outros dispositivos fossem conectados ao sistema, o vírus teria sido transmitido.
As equipes trabalham agora em dois grandes problemas para que o produto possa se tornar viável do ponto de vista comercial. O primeiro é o tamanho, das etiquetas, pois elas precisam ter as medidas de um código de barras, ou seja, um terço do que é hoje. O segundo é o alcance da RFID que, no momento, ainda é muito pequeno.
Especialistas no nosso meio acreditam que quando o custo do RFID ficar abaixo de 1 centavo de real o projeto será não só viável como vencedor. O custo ainda é o maior problema. O comércio já usa para controle de segurança (antifurto), mas somente para itens caros, justamente para poder compensar os custos.
Hoje em dia no nosso meio, a vantagem do código de barras é justamente este, custa o valor da etiqueta ou o valor de alguns centímetros quadrados de tonner.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Eu, o Mono Lake, e a vida com Arsênico


O Mono Lake é pouco conhecido como local turístico apesar de localizado a beira de uma rodovia que corta o estado da Califórnia de norte à sul levando desde o árido deserto da Califórnia até as maravilhosas montanhas onde se pratica o Sky na glamourosa Lake Tahoe, divisa com o estado de Nevada onde por consequência metade da cidade tem o jogo liberado. Mono Lake está situado no nordeste do estado e é um lago do tipo desértico à beira da árida Great Basin (estado de Nevada a leste a Sierra Nevada, a oeste na Califórnia).
A maneira como conheci o Mono Lake também foi muito especial e a minha relação com este lugar é muito peculiar e com uma série de interrogações, por uma atração inexplicável de encanto, sedução e fascínio, inclusive atingindo toda a área do deserto de Nevada e da Califórnia. Este é sem dúvida outro lugar para se conhecer antes de morrer...
Nos idos de 1987, após atravessar o Death Valley, em direção norte pela via 395, deveria estar cruzando a Sierra Nevada, subindo o Tioga Pass para alcançar o Yosemite National Park. Entretanto apesar de ainda primavera, as primeiras nevascas já estavam ocorrendo e a subida do Tioga Pass era um problema, especialmente durante a noite e também porque estava sozinho.
Já anoitecendo cheguei a uma pequena e simpática cidade chamada Lee Vining, bem ao pé da Sierra Nevada e lá resolvi dormir.
No dia seguinte junto com o sol, me pus na estrada e foi aí que vi um maravilhoso e estanho lago na margem direita da estrada que seguia no sentido norte. Resolvi dar uma volta e me deparei com uma imagem esplendorosa, banhada pelo sol nascente, que jamais poderei me esquecer, muito menos descrever.



Em 1999 estive lá novamente e pude com mais calma e informações adequadas entender um pouco melhor a complexidade daquele lugar.
Nesta década por lá passei outras duas vezes.
Não sei bem porque, mas nestas quatro vezes que lá estive, senti uma sensação de estar em um lugar especial, estranho, complexo, sem qualquer outra explicação a não ser pela sua beleza exótica e a mutação de cores que se consegue observar de acordo com a hora do dia e consequente ângulo dos raios do sol.


Entretanto esta mesma sensação me acompanha em alguns outros lugares especialmente da região que vai do Great Basin Plateau, passando pelo Death Valley e o Deserto de Mojave.
Eu tenho alguma dificuldade de explicar aquilo que sempre senti, e se tivesse que expressar de uma forma simples as minhas sensações, diria que “é a sensação de estar em outro mundo”.
Pois é exatamente isto de certa forma que os cientistas estão tentando mostrar que encontraram no Mono Lake, um outro mundo.
Eu não vou entrar em detalhes sobre o assunto em si, pois a quantidade de informações que existem na internet é enorme e eu vou anotar apenas aquilo que eu vi aprendi e senti durante minhas quatro visitas ao Mono Lake.
Quero deixar registrado que há mais de 20 anos este estranho lugar sempre me disse alguma coisa que eu nunca soube e continuo não sabendo exatamente o que é.
Outros tantos lugares que me trazem sensação semelhante poderiam estar aqui enumerados, mas vou deixar pra outro momento.
Mono Lake é um lago salgado, que abrange mais de 70 quilômetros quadrados e suporta um ecossistema único, produtivo e extremamente complexo. O lago não tem peixes, em vez disso é a casa de trilhões de Artemia salina, um tipo de camarão, que crescem no lago, seu ph é alcalino e contém uma quantidade gigantesca de moscas e lavas, que servem de alimento para outros seres da cadeia alimentar. Córregos de água doce alimentam Mono Lake, com exuberantes matas ciliares em suas margens. Ao longo do lago, formações calcárias em forma de torres, muitas “brotando” da superfície da água são conhecidas como “Tufas”. A formação destas Tufas é extremamente complexa, não só na sua composição como também no mecanismo de seu desenvolvimento, que ainda gera muitas dúvidas e debates. Penso ser irresistível deixar de ter em casa um pequeno fragmento destas tufas apesar da proibição e atenção dos “Rangers” no policiamento da região, que é um Patrimônio Nacional.


O lago fica em uma área geologicamente ativa na extremidade norte da Mono Inyo Craters uma cadeia vulcânica localizada perto de Long Valley Caldera com atividade geológica persistente e uma das causas da falha na base da Sierra Nevada, e está associado com o extensão tectônica da Basin and Range Province.
Assim sendo Mono Lake ou Mono Lake Bacia , foi criada por forças geológicas nos últimos cinco milhões de anos, e é uma Bacia de drenagem, que não tem saída para o oceano, o que faz com que os sais dissolvidos na água de enxurrada, permaneçam no lago e elevam o pH da água e os níveis de concentração de sal.
O ecossistema se completa com Milhões de aves migradoras visitam o lago a cada ano e fazem o habitat de nidificação alimentado-se dos camarões.
De 1941 até 1990, o Los Angeles Departamento de Água e Energia começou a desviar quantidades excessivas de água dos córregos da bacia de Mono Lake para atender a demanda crescente de água de Los Angeles. Destituído de suas fontes de água doce, o lago, perdeu metade do seu volume, caiu 45 metros verticais e dobrou sua salinidade.
Incapaz de se adaptar a essas mudanças de condições dentro desse período de tempo, o ecossistema começou a desmoronar. Ilhas, anteriormente importantes para nidificação, tornaram-se penínsulas vulneráveis à predação de mamíferos e répteis. A taxa fotossintética das algas, a base da cadeia alimentar, foram reduzidas, enquanto a capacidade reprodutiva do camarão ficou prejudicada.
Consternado com essa perspectiva, David Gaines formou o The Mono Lake Committee em 1978 e começou a conversar com grupos de conservação ambiental, escolas, organizações de serviços, legisladores, juristas e para quem quisesse ouvir, sobre o valor deste lago deserto. Sob a liderança de Gaines, o Mono Lake Comittee cresceu para 20.000 membros e ganhou reconhecimento jurídico.
Uma década depois, David Gaines e uma equipe de voluntários da Comissão, foram mortos em um acidente automobilístico. Apesar da perda de seu fundador, cidadãos do grupo continuam a liderar a luta para proteger o Mono Lake.
Em 1994, após mais de uma década de litígio, o Controle dos Recursos Hídricos do Estado da Califórnia ordenou ao Department of Water & Power (DWP) que o nível do Mono Lake deveria subir para um nível saudável de 6.392 metros acima do nível do mar ou seja, seis metros acima do seu mínimo histórico. A recuperação está dentro do projetado e você pode conferir o nível atual do lago, clicando aqui.
A grande descoberta anunciada em 02/12/2010 foi um trabalho de uma equipe de investigação que inclui cientistas da Pesquisa Geológica dos EUA, Universidade Estadual do Arizona em Tempe, Arizona, Laboratório Nacional Lawrence Livermore, em Livermore, Califórnia, Duquesne University em Pittsburgh, Pensilvânia. Laboratório da radiação do Synchrotron de Stanford, em Menlo Park, Califórnia.
O Programa de Astrobiologia da Nasa, em Washington contribuiu com o financiamento da investigação através da sua Exobiologia e programa de Biologia Evolutiva.
A equipe optou por explorar o Mono Lake por causa da sua composição química incomum, especialmente a sua alta salinidade, alcalinidade alta e níveis elevados de arsênico.Essa química é em parte um resultado do isolamento do Mono Lake, das suas fontes de água doce por 50 anos.
Os investigadores descobriram o primeiro microorganismo conhecido na Terra capaz de prosperar e reproduzir-se utilizando o arsênico substituindo o fósforo em seus componentes celulares.
Carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, fósforo e enxofre são os seis blocos básicos de construção de todas as formas de vida conhecidas na Terra. O fósforo é parte da espinha dorsal química do DNA e RNA, as estruturas que contêm as instruções genéticas para a vida, e é considerado um elemento essencial para todas as células vivas.
O fósforo é um elemento central da molécula de transporte de energia em todas as células (adenosina trifosfato) e também os fosfolipídios que formam todas as membranas celulares. O arsênico, que é quimicamente similar ao fósforo, é venenoso para a vida na Terra. O Arsênico interrompe vias metabólicas, porque ele se comporta quimicamente semelhante ao fosfato
Wolfe Felisa-Simon, geomicrobiologista da NASA Astrobiology Institute é a principal cientista da equipe de pesquisa.”Se alguma coisa aqui na Terra pode fazer algo tão inesperado, o que mais pode fazer a vida que nós não vimos ainda?”
"A idéia de biochemistries como alternativa para a vida é comum na ficção científica", disse, Carl Pilcher, diretor da NAI, agência Ames Research Center, em Moffett Field, California.
"Até agora, uma forma de vida usando o arsênico como um bloco de construção era apenas teórica, mas agora sabemos que esta vida existe no Mono Lake”.
O micróbio recém-descoberto, chamado GFAJ-1, é membro de um grupo comum de bactéria, a Gammaproteobacteria. No laboratório, os investigadores fizeram crescer com sucesso micróbios do Mono Lake com uma dieta que era muito pobre de fósforo, mas incluía generosas porções de arsênico. Quando os investigadores removeram o fósforo e substituiu-o com arsênico os micróbios continuaram a crescer. Análises posteriores indicaram que o arsênico era utilizado para produzir os blocos de construção de novas células GFAJ-1.
Esse achado muda os conhecimentos fundamentais sobre o que compreende toda a vida conhecida na Terra e irá transformar a investigação em curso em áreas, como a química orgânica, ciclos biogeoquímicos, a mitigação da doença e investigação do sistema Terra, e vão abrir novas fronteiras em microbiologia e muitas outras áreas de pesquisa.
Uma nova composição bioquímica alternativa irá alterar livros de biologia e expandir o escopo da pesquisa para a vida fora da Terra. A pesquisa foi publicada na edição desta semana da revista Science Express.
E eu estive lá...

Assista os vídeos do Mono Lake e veja informações mais detalhadas clicando aqui ou a página da NASA clicando aqui.






quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Imagem da semana

Lição de vida nº 67


7 novos blogueiros venderam seus blogs para o @interney. O melhor projeto faria parte do Blog Content – a startup criada por ele com o objetivo de desenvolver redes de blogs profissionais. Os candidatos foram: Cansei de Delivery, 2 ladies, L Diamante, Comédia da Vida Cotidiana, Cidadão do Planeta e Fósseis Imaginários.

Esta é a imagem dos 6 finalistas do prêmio Blog Talent Show que aconteceu no You Pix no último dia 27 de novembro no MIS (a legenda está errada pois fala em 7 finalistas quando na verdade as duas moçinhas estavam juntas no mesmo projeto).
Em condições normais eu não estaria nem mostrando esta foto e muito menos falando do assunto.
Entretanto numa madrugada, meses atrás nem sei bem como, me deparei com o anuncio de um concurso que dizia:

Você tem talento, tem um blog (ou projeto de um) e quer apresentar seu projeto pro Edney Souza da Blog Content? Então você tem que participar do 1º Blog Talent Show, um espaço pros melhores blogueiros apresentarem seus projetos pra uma audiência super qualificada, ouvirem os comentários do Edney e ainda terem a chance de serem selecionados pra integrar a recém-criada Blog Content, uma rede de blogs profissionais. Conheça mais sobre a Blog Content e tudo o que ela pode fazer por você aqui.


Como a inscrição era muito simples e rápida fiz na hora e pensei em um pequeno filme para a apresentação. Entretanto a correria do dia a dia me levou a um ppt que conta a historia deste blog e a sua importância no contexto da saúde como um todo e em particular com a melhora da qualidade das informações da saúde na internet.
Em seguida esqueci o assunto, entretanto cometi um grande erro que foi não ler as instruções e o regulamento do concurso (o que não é do meu feitio).
Bem, no final do dia 25 de novembro recebi um telefonema dizendo que meu blog havia sido escolhido como um dos finalistas e eu deveria mandar em 24 horas a apresentação que iria fazer no dia 27 com tempo não superior a 2 minutos.
Achei estranho apenas dois minutos para mostrar toda uma história que eu já tinha conseguido com sacrifício resumir em 8 minutos. Comecei a diminuir o tempo e cheguei a 2 min 50seg que foi o melhor que consegui, achando que a historia dos 2 minutos era “maneira de dizer”.
Mandei.
Somente após ter enviado é que fui ler o regulamento e entendi que os 2 minutos faziam parte da avaliação das habilidades do candidato em si. Entendi a historia do “elevator pitch”, mas enfim já estava feito e não era possível mudar. Desistir também não faz parte da minha maneira de ser.
O meu blog foi o único que não conseguiu fazer a apresentação dentro do tempo estipulado. O som foi cortado e por isso seu conteúdo não pode ser avaliado. Devo concordar que eu fui o único culpado pelo mau êxito, entretanto sinto a necessidade de alguns reparos que na hora não foi permitido e nem era o momento oportuno.
1-Tivesse lido o regulamento seguramente teria feito a apresentação no tempo adequado. Aprendi com um velho conhecido a comunicação rápida e instantânea e até mesmo a condensar pensamentos, frases e expressões. Ele pessoalmente, também por ter apenas dezessete segundos disponíveis para uma apresentação tornou-se nacionalmente conhecido criando o bordão com uma frase de 4 palavras com o qual o Brasil inteiro o conheceu: MEU NOME É ENÉAS.
2- A leitura atenta do regulamento talvez me desestimulasse em participar pois repito não tenho tempo e nem interesse em me tornar um “blogueiro profissional”.
3-Avaliando cada um dos outro 5 blogs escolhidos pude observar que todos os participantes trabalham na área de comunicação e alguns até em projetos de criação ou arte de agencias de renome.
4- O conteúdo destes blogs não é nem melhor nem pior do que o meu, é apenas diferente. Tenho dúvidas de quanto este conteúdo traz algum benefício aos seus leitores, o que não quer dizer que lazer e distração também não é importante.
5- Um deles em especial, usa um linguajar que além de chulo adota uma ortografia que não consigo compreender se é a velha, a nova ou uma terceira que eu não conheço. Mas vale dizer, este aspecto não está contemplado no regulamento!
6- Penso que eu deva ter sido o último colocado ou não tive colocação alguma. Isto já é uma grande vitória, pois sexto lugar de um universo de não sei quantos, já está bom demais para quem não é, e não quer ser blogueiro, especialmente avaliado por renomados especialistas no assunto.
7- Não acho que as críticas que precisei ouvir sem poder contestar ou retrucar tenham sido adequadas ou pertinentes. A meu favor tenho um bom número de Tweets que naquele mesmo momento demonstraram sua indignação.
8- Tenho absoluto respeito e consideração pelas pessoas que tenham habilidades e conheçam qualquer assunto melhor do que eu, porque a vida é assim “cada macaco no seu galho”, mas isso não quer dizer que tenha que concordar pela maneira de como esses ensinamentos são postos como sinônimo de sabedoria ou erudição.
9- Se permitirem ano que vem estarei lá de novo, só para cumprir o regulamento, sem o menor interesse em ser o vencedor, chegar ao final, mostrar para a garotada que a diferença entre eu e eles esta apenas no fato de eu ter vivido muito mais tempo do que eles e por consequência vou chegar no céu mais cedo, como médico, claro e não blogueiro.

10- Tenho muito orgulho de tudo que fiz e que alcancei na minha vida profissional.