Por outro lado, a imagem do plano de fundo foi feita pela Curiosity Mars Science Laboratory em 08 de setembro de 2012 no 33º dia após o pouso na superfície de Marte observando-se o solo marciano como jamais foi visto. E também não é bobagem...
Image credit: NASA/JPL-Caltech/MSSS.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

A boca, a odontologia e a medicina

Se você tem dor de dente procura um dentista, se tem dor de garganta procura um médico otorrinolaringologista, se estiver rouco talvez precise de um endoscopista, e assim vai. Observe que para patologias dentro na cavidade bucal, você pode e deve procurar ou um dentista ou um médico.
A cavidade bucal é a entrada do sistema digestório (antigo aparelho digestivo), abrigando uma grande quantidade de órgãos e estruturas, que têm entre outras, preparar os alimentos que ingerimos, para a peregrinação por todo o sistema até atingir os seus destinos, que são diferentes para cada “componente”. Depois de toda complexa distribuição aquilo que não interessa deverá ser descarregado sob forma de fezes, o que é feito pelo anus que é o orifício de saída do sistema, e tratado pelo médico proctologista.
Porque então os dentes que são apenas uma pequena parte deste complexo sistema, porém extremaente importanates, têm para si um especialista que para se formar, faz um vestibular para uma escola que não é a medicina, faz um curso que não se assemelha a medicina, não se forma médico, não entende da medicina, e vem para junto dos médicos para resolver as questões dos dentes que estão incrustados nos ossos dentro da boca dos nossos pacientes?.
O dentista deveria estar inserido no contexto da unidade da saúde, como acontece em vários países do primeiro mundo.
Não seria lógico que este profissional fosse preparado por uma escola médica, pelo menos nos seus 3 primeiros anos de forma comum e depois se encaminhasse para o estudo da odontologia?
Hoje em dia em nosso meio o paciente que tiver, por exemplo, um tumor de partes moles na boca, fica perdido sem saber a quem procurar. O dentista, nem pensar. O otorrinolaringologista quando muito para dar uma olhada. Ele vai acabar caindo com um especialista em cirurgia de cabeça e pescoço, cujo nome é tão infeliz que ele não mexe com cérebro e ouvidos, que estão na cabeça e com vasos do pescoço, mas mexe com tireóide, língua, face de uma forma geral.
Durante muitos anos acompanhei a batalha dos nossos odontólogos para poderem operar seus casos em hospitais, uma vez que o CFM obriga ou obrigava a presença de um médico no ato cirúrgico. No caso de óbito o dentista não está capacitado a atestar o óbito apesar de o paciente ser dele e a responsabilidade cirúrgica também. Nestas situações cabia ao médico o atestado de óbito que no final era praticamente sua única atuação no caso.
Tive o privilégio de ter um colega de turma que já formado dentista foi estudar medicina. Tornou se um cirurgião completo daquilo que se convencionou chamar cirurgia buco maxilo facial, mas também dava conta do feijão e arroz da odontologia do dia dia.
Foi exatamente com ele que aprendi e não compreendi os limites entre o médico e o dentista.
Na verdade o nosso dentista é o médico da nossa arcada dentária superior e inferior compreendendo ossos, articulações, ligamentos e dentes.
Estou tocando neste assunto porque vejo crescer de forma assustadora a destruição do profissional liberal odontólogo e ser substituído pela odontologia social. Não quero julgar se isto é bom ou ruim apenas tenho a convicção que como aconteceu na medicina teremos profissionais trabalhando mal em bocas mal tratadas.
As autoridades que se pronunciem, mas não aquelas que têm assistência odontológica vitalícia.

2 comentários:

Dr. Cidio Halperin disse...

Olá, grato pelo comentário, realmente, a razão da existência do meu blog é a disseminação da informação aos pacientes. Qualquer esforço que possamos fazer neste sentido, sou parceiro, abraço,
Cidio

Matheus disse...

Olá!
Li o texto: "A boca, a odontologia e a medicina".
Sou Cirurgião-Dentista, mestrando em Saúde Bucal Coletiva.
Achei pertinente a discussão e o exemplo sobre um paciente com tumor em tecidos moles da boca e o impasse sobre qual profissional procurar.
Contudo, reitero que a Odontologia está bem posicionada enquanto ciência da saúde, sem dúvida, e atualmente trabalha com o mesmo conceito da Medicina, ou seja, decisões clínicas baseadas em evidência científica.
A dúvida, de qual profissional procurar, não é comum apenas nas questões da cabeça e do pescoço, mas em outras especialidades também. E essa não é uma decisão exclusiva do indivíduo, mas que pode e deve ser tomada em conjunto com um profissional generalista. Dúvida que reflete, ainda mais, o avanço das super-especialidades, muitas vezes inadequadas ao contexto do cuidado em saúde e com espaço e atuação nos setores de alta complexidade.
Não ficou claro o que se quis dizer com a destruição do profissional liberal odontólogo (que aliás não é a denominação correta deste profissonal, o correto é Cirurgião-Dentista, a definição legal deste profissional) frente ao avanço da Odontologia Social. Como se alguma área da saúde estivesse deslocada ou independete da área social. Talvez na Noruega ou em países com ótimos indicadores socio-economicos, mas não no Brasil, nem tampouco em um futuro próximo!
Saudações
Matheus Neves