Por outro lado, a imagem do plano de fundo foi feita pela Curiosity Mars Science Laboratory em 08 de setembro de 2012 no 33º dia após o pouso na superfície de Marte observando-se o solo marciano como jamais foi visto. E também não é bobagem...
Image credit: NASA/JPL-Caltech/MSSS.

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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Adoçante: mocinho ou bandido? – Parte II



Continuação...
Ultimamente vêm surgindo informações de que o aspartame estaria associado a várias doenças neurológicas como Esclerose Múltipla e o mal de Alzheimer.
O que ocorre é estas notícias vêm sendo veiculadas por e-mails mal explicados e sem qualquer referência ou comprovação cientifica.
Artigos da literatura científica mostram que somente um consumo muito além do normal poderia provocar efeitos no Sistema Nervoso em indivíduos não portadores de fenilcetonúria.
Deve-se lembrar também que produtos vendidos como aspartame no mercado, muitas vezes possuem apenas cerca de 4% de aspartame, sendo o restante lactose ou maltodextrina, que são açúcares naturais.
É oportuno esclarecer que as doses diárias aceitáveis são de 50mg/kg., o que não deve ser motivo de preocupação, já que geralmente os grandes consumidores ingerem no máximo 6% da quantia máxima tolerada pelo organismo.
Um dos adoçantes mais vendidos, até pelo seu baixo preço, contem uma combinação de sacarina sódica e ciclamato de sódio (.Dietil, Sucaryl, Adocyl, Assugrin e Doce Menor ). Por conter sódio, eles teoricamente não são apropriados para hipertensos, ou portadores de Insuficiência cardíaca congestiva. Além disso, eles contêm um sabor residual mais amargo e quando utilizado em grande quantidade, não são bem aceitos.
A sacarina é um adoçante bem antigo e muito estudado. Algumas pesquisas mostraram alguma ligação com câncer, principalmente de bexiga em estudos com ratos e por esse motivo, ela foi banida em alguns países da Europa e também no Canadá, apesar de não terem sido observados no ser humano. No Brasil e nos Estados Unidos ela é liberada e está presente em uma enormidade de produtos dietéticos inclusive em refrigerantes misturados com aspartame.
Por fim outro adoçante bem popular, tem como composto base a sucralose (Linea, Splenda). A sucralose também é artificial, não provoca cáries, não possui nenhuma caloria, sendo 600 vezes mais doce que a sacarose, e tem o sabor muito parecido com o do açúcar, doce, leve, e não deixa gosto residual desagradável.
 A sucralose é o resultado da adição do cloro à molécula de açúcar. Com essa modificação da estrutura do açúcar, o organismo não consegue quebrá-la, ou seja, não consegue retirar energia da molécula e por isso a pessoa não engorda.
A sucralose não é reconhecida pelo organismo como açúcar ou carboidrato, portanto, não tem efeito na utilização da glicose, no metabolismo do carboidrato, na secreção da insulina ou na absorção da glicose e da frutose.
É pouco absorvida pelo trato digestivo, sendo eliminada nas fezes. Por ser o adoçante mais recente, os riscos à saúde ainda são pouco conhecidos.
Estudos em pessoas com níveis normais de glicose no sangue e em pessoas com diabetes do tipo 1 e tipo 2 confirmaram que a sucralose não afeta o controle da glicose a curto ou longo prazo.
Por ter a capacidade de resistir a altas temperaturas no forno e no fogão, tem sido muito utilizado no preparo de alimentos especialmente doces, sem modificar o paladar.
Finalmente não devemos nos esquecer que qualquer um dos produtos mencionados são drogas, e com tal, além de suas vantagens, sempre têm reações adversas que variam de um para outro organismo, bem como dose dependente individualizada.
Porém, se o usuário do Splenda não tiver um intestino bom, e quem quiser saber mais sobre o assunto pode ler sobre a disbiose, a sucralose pode ser absorvida em até 40%, caindo na corrente sanguínea e causando inflamação, o que dificulta a perda de peso e o controle do diabetes.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Adoçante: mocinho ou bandido? – Parte I


Este post não pretende ser demasiado abrangente, mesmo porque é possível que o assunto seja inesgotável, não só por estar sendo discutido desde a década de 60 quando apareceram os primeiros trabalhos científicos sobre o assunto, até os dias atuais com a descoberta ou a síntese de novas substancias e a guerra comercial, com o poder do grande negócio do açúcar no mundo, acrescido do gigantesco problema da obesidade em todo o planeta.
A idéia é apenas apontar os itens essenciais e que sirvam de norte para uma busca mais pormenorizada por aqueles que tiverem interesse ou necessidade de conhecer detalhes ou simplesmente se aprofundar no assunto.
De uma forma geral praticamente todas as pessoas inclusive aquelas que usam adoçantes, não têm uma noção clara do que eles representam, não sabem se o consumo do produto pode acarretar algum malefício à saúde ou qual a real diferença entre eles.
 Existem várias marcas de adoçantes (também conhecidos como edulcorantes) disponíveis no mercado e na verdade a marca comercial que você utiliza pode não ser composta apenas por edulcorantes. Independente da marca, você deve procurar saber no rótulo qual o edulcorante que está presente, sendo que alguns produtos vão ter apenas um edulcorante e outros vão ter uma mistura deles.
Um deles por exemplo, cujo edulcorante é o aspartame (Gold, Aspasweet, Cristaldiet Nutrasweet, Equal, Zerocal, Finn e Spoonful) é um adoçante artificial mais doce que o açúcar e por isso acaba sendo usado em quantidade pequena para adoçar. Isso é muito importante porque quanto menos se usa o adoçante os efeitos adversos também são menores. O aspartame está presente na maioria dos refrigerantes, em muitos chicletes e em vários produtos chamados “diet”.
Cerca de 10% do aspartame ingerido é convertido em metanol. Esta substância também está presente em frutas e verduras, porém, em menor quantidade. Além disso, esses alimentos naturais como as frutas, têm compostos que impedem que o metanol seja convertido numa toxina chamada formaldeído. Então, enquanto os alimentos na forma natural vão conter substâncias protetoras, elas não estão presentes nos adoçantes e nos alimentos dietéticos. Por isso, enquanto alguns cientistas acham que em pequenas quantidades os adoçantes utilizados seriam inofensivos, outros pesquisadores são categoricamente contra os mesmos, já que efeitos colaterais como tremores e até depressão já foram relatados  na literatura.
Outro aspecto bastante divulgado e controverso, é que apesar do aspartame conter zero quilocaloria, ou seja, não engordar em si, acaba estimulando algumas áreas do cérebro que deflagram a fome e às vezes, a compulsão alimentar. Então, segundo alguns, eles não trazem a longo prazo nenhum benefício para as pessoas que querem perder ou controlar o peso. Isto não acontece só com o aspartame, mas com outros adoçantes também.
Continua...

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Imagem da semana

Os Beatles, sempre "forever"


Um conjunto de fotos inéditas, nunca publicadas dos Beatles, foram tiradas por um jovem de Washington, Mike Mitchell, quando eles fizeram seus primeiros shows nos Estados Unidos, em 1964.
São 50 fotografias em preto e branco que ficaram por 45 anos em uma caixa e agora renderam em um leilão, mais de 360 mil dólares, superando em muito as estimativas da casa de leilões Christie's, cuja previsão inicial era de que a coleção obteria cerca de 100 mil dólares. A estimativa era conservadora porque Mitchell não é um fotógrafo conhecido.
Os Beatles realizaram seu primeiro show nos EUA no Washington Coliseum em 11 de fevereiro de 1964, dois dias depois de sua legendária estréia no programa Ed Sullivan.
Com 18 anos, Mitchell estava na estação de trens quando os Beatles chegaram e documentou a histeria dos fãs. Ele também fotografou a entrevista à imprensa e ficou no palco durante todo o show no Coliseum. Meses depois, fotografou o show dos Beatles no Baltimore Civic Center.
Nesta foto aqui apresentada, tirada detrás do grupo, quando estava sendo fotografado em uma coletiva de imprensa, cada um dos Beatles aparece com uma auréola formada pelas luzes locais. Essa imagem obteve o preço mais alto e foi a última a ser vendida.
Fonte: O Estado de São Paulo, 21 de julho de 2011.
Foto: Mike Mitchell

sexta-feira, 8 de julho de 2011

A foto de 2,3 milhões de dólares


Uma foto de Billy the Kid tirada do lado de fora de um bar do Novo México, perto do local onde o famoso pistoleiro foi morto, alcançou o preço de US$ 2,3 milhões em um leilão na casa de leilões Brian Lebel, em Denver nos Estados Unidos, no sábado 25 de junho passado.
A única foto reconhecidamente autêntica do célebre criminoso americano em placa de metal teria sido feita em 1879 ou 1880 em Fort Summer, no Novo México, mostra Billy the Kid em roupas de caubói e chapéu, olhando direto para câmera e descansando a mão sobre um rifle Winchester.
A foto sépia, de cinco por oito centímetros, é o único retrato de adulto que se conhece do fugitivo do Velho Oeste, também chamado William Bonney, Henry Antrim, Henry McCarty ou simplesmente "The Kid".
Esta também é a única imagem do “bandido” publicada no livro do xerife Patrick Floyd Garret, sobre como ele perseguiu e matou Billy the Kid, em 1881.
O fotógrafo anônimo fez originalmente quatro cópias idênticas, mas as outras três se perderam. A cópia única era propriedade dos irmão Stephen e Art Upham, descendentes de Dan Dendrick, grande amigo de “The Kid”, cuja família guardou e a expuseram pela última vez no Museum of New Mexico in Lincoln, em meados da década de 1980.
No final do ano passado, o governador do Novo México, Bill Richardson, negou um indulto simbólico a Billy the Kid.
"Decidi não conceder o indulto a Billy the Kid", declarou o governador ao canal ABC horas antes de deixar o cargo, em 31 de dezembro de 2010 à meia-noite.
Richardson disse que estava investigando Billy the Kid desde que assumira o cargo, em especial os informes de que o governador do então território, em 1880, Lew Wallace, havia prometido perdoá-lo. Entretanto ele disse que o perdão não seria dado devido a "incertezas (sobre a promessa) e uma ambigüidade histórica sobre o motivo pelo qual o governador Wallace teria desistido da graça".
Após a decisão, Elbert García, de 71 anos, que afirma ser bisneto de Billy the Kid, vivendo em Santa Rosa, também no Novo México disse estar decepcionado, e a lenda de Billy the Kid continuara viva como já inspirou dezenas de livros e filmes.
Figura imortalizada nos clássicos filmes de faroeste, Billy the Kid supostamente nasceu em Nova York, mas mudou com a mãe e os irmãos para o Colorado após a morte do pai.
Famoso por sua rapidez no gatilho, o bandido foi responsabilizado pela morte de 21 a 27 pessoas, foi caçado em todo o sul dos Estados Unidos e norte do México. Billy the Kid foi capturado e sentenciado à morte por enforcamento pela morte de um xerife em 1878. Entretanto conseguiu fugir, mas foi encontrado e morto pelo xerife Patrick Floyd Garret, no dia 14 de julho de 1881, e, portanto neste próximo dia 13 estará fazendo 130 anos de sua morte.
A imagem agora passará às mãos do colecionador privado William Koch, que pagou um preço seis vezes maior que os leiloeiros estavam esperando.
Fonte: abc NEWS

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Imagem da semana


Sunken Ship, Key Largo, Florida
Photograph by David Doubilet, National Geographic

Afundado intencionalmente em 1987 para criar um recife artificial de 36 metros de profundidade, o navio da Guarda Costeira dos EUA Cutter Duane atrai mergulhadores de todo o mundo, pela vida que criou em torno de si.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

A Última Ceia na quarta feira?

O professor Colin Humphreys, da Universidade de Cambridge, propõe em seu livro O Mistério da Última Ceia , que será publicado no próximo mês de junho, uma nova tese, que combina a história, a Bíblia e a astronomia.
O assunto intriga pesquisadores há séculos, pois são citadas datas diferentes para o evento em documentos diversos. Os evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas afirmam que a última refeição marca o início da Páscoa judaica (Pessach), enquanto no de João o evento foi antes da Páscoa judaica. “A solução que encontrei é que todos têm razão, mas que se referem a dois calendários diferentes” escreve o professor.
O calendário oficial dos judeus é o mesmo usado por eles nos dias atuais, um calendário lunar. Porém, os judeus também tinham outro calendário citado no Velho Testamento, quando Deus instrui Moisés e Arão começar o ano no dia do êxodo para o Egito. O professor Humphreys argumenta que Jesus tinha motivo para adotar o calendário de Moisés, já que sempre se apresentava como o novo Moisés.
Além da diferença entre as datas citadas nos evangelhos, há uma questão de logística: se a última ceia foi em uma quinta-feira, daria tempo de Jesus ter sido preso, interrogado e julgado antes de ser crucificado, na sexta-feira? Não seria difícil fazer tudo isso em um só dia?.
"Os especialistas em Bíblia e os cristãos acreditam que a Última Ceia começou depois do pôr do sol de quinta-feira e que a crucificação foi realizada no dia seguinte, às 9h. O processo de julgamento de Jesus aconteceu em várias áreas de Jerusalém. Os especialistas percorreram a cidade com um cronometro para ver como podiam ocorrer todos os acontecimentos entre a noite de quinta-feira e a manhã de sexta-feira: a maioria concluiu que era impossível", enfatiza o professor catedrático de Cambridge, segundo trechos do livro.
Portanto o professor Humphreys conclui: “A Última Ceia de Jesus Cristo aconteceu, na verdade, na véspera da quinta-feira santa, no dia 1 de abril do ano 33 exatamente no dia anterior ao que se julgava ser”.


quarta-feira, 23 de março de 2011

Imagem da semana

No sábado, 19 de março de 2011, em Berlin, a lua cheia é vista ao nascer atrás do topo da torre de radio e televisão "Funkturm". A lua cheia desta noite é chamada de Super lua do perigeu (Super Perigee Moon). O perigeu é um ponto da órbita de um astro em torno da Terra, no qual esse astro se encontra mais próximo do centro do nosso planeta; desta forma a lua parece muito maior do que o habitual. Foto: Reuters.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Enfermeira virtual

O Professor Timothy Bickmore da Northeastern University está desenvolvendo um projeto, apoiado pelo National Institutes for Healths, em que uma enfermeira virtual conversa com o paciente para dar orientações antes da alta hospitalar.
O projeto está sendo testado com 750 pacientes no Boston Medical Center,
e consiste de um toten computadorizado, sobre rodas que é levado até o leito, fornecendo instruções interativas sobre medicamentos, seguimento pós-internação, agendamentos de retorno e outras informações mais complexas.
A interação humana, que era de 8 minutos em média, foi aumentada para mais de meia hora, com vários benefícios, inclusive maior compreensão pelo paciente idoso ou com baixa capacidade de leitura, e maior satisfação dos pacientes, que disseram preferir a enfermeira virtual à real.
Um dos objetivos do estudo é substituir a enfermeira humana.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O fracasso do PEP

O Dr. Adriano Cavalcante Sampaio, professor e pesquisador da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Pernambuco, desenvolveu em uma tese de doutorado pela Fiocruz-Pernambuco um tema pouco discutido entre nos médicos: o zelo no preenchimento do prontuário do paciente.
O estudo foi denominado “Avaliação do Preenchimento de Prontuários e Fichas Clínicas no IV Distrito Sanitário Recife PE”. A pesquisa analisou 750 prontuários de internação de adultos e crianças em cinco hospitais, nas clínicas médica e pediátrica de dois hospitais privados, dois públicos e de um filantrópico do Recife. O pior resultado ficou com os hospitais particulares, onde 71% das fichas de clínica médica e pediátrica foram consideradas péssimas. O índice é maior que o dos hospitais públicos, que têm 65% dos documentos nessas condições. Apenas o hospital filantrópico pesquisado apresentou um resultado abaixo da média: 44%.
Espelho da relação entre médico e paciente, o prontuário não foi preenchido de forma adequada, na maioria dos casos estavam incompletos ou ilegíveis.
Não podemos afirmar se a falta de zelo acontece por se tratar de ação rotineira, ou mesmo desinteressante, o fato é que escrever corretamente em um prontuário não parece estar entre as prioridades de muitos médicos.
Deve-se considerar a falta de tempo e os longos e estressantes plantões a que esses profissionais são frequentemente submetidos. Essa é uma realidade vista em todo o país, o que por sua vez não justifica o inadequado preenchimento do prontuário. Este mesmo prontuário que é o espelho da relação entre médico e paciente, este documento, o prontuário, é o maior aliado do médico e da instituição de saúde. Quando acionados judicialmente, uma prescrição correta, um procedimento indicado com precisão e, tão importante quanto, o carimbo e a assinatura do médico em letra legível, podem fazer a diferença para uma condenação civil ou criminal.
A metodologia aplicada considerou a primeira e a última consulta. O trabalho de campo revelou que um dos hospitais privados pesquisados chegou a ter 100% dos prontuários de clínica pediátrica na primeira consulta considerados péssimos, chamando a atenção o fato de um dos hospitais, um dos maiores do Recife, estar todo informatizado e mesmo assim isso não impediu que o médico deixasse o documento incompleto.
A situação é mais grave ainda quando se considera que o conceito péssimo, o documento precisa ter menos de sete itens preenchidos, de um universo de 27.Pior ainda é que, nem todas as sete respostas estavam completamente legíveis.
Para aqueles que não sabem, o prontuário médico é um conjunto de documentos com informações sobre a saúde e a assistência prestada ao paciente, e por isso deve ter a identificação do usuário, exames, evolução e procedimentos adotados. Quando não é preenchido de forma adequada, o paciente corre riscos de ser vítima de erros na administração de medicamentos e de falta de continuidade no tratamento. Os próprios médicos também podem ser prejudicados no caso de surgirem questionamentos sobre as condutas adotadas e processos jurídicos, pois se tornam vulneráveis.
Quando se fala na primeira consulta da clínica médica, a situação também é preocupante. Os hospitais privados têm problemas graves em 68,5% dos prontuários, enquanto os públicos têm em 60% e o filantrópico, em 59,5% da documentação.
Este fato por si só impede a construção de políticas públicas para melhorar a saúde da população. Como os governos vão saber do que as pessoas adoecem, como vão planejar medicamentos, o número de médicos? É preciso saber do que o indivíduo adoece, e assim por diante.Em uma rede pública onde o rodízio de profissionais é intenso, a situação é mais preocupante ainda, pois o usuário também não tem a cultura de valorizar o prontuário, mas ele pode exigir o documento quando for à consulta seguinte. O material deve ficar guardado sob a responsabilidade dos hospitais.Os hospitais obrigatoriamente têm comissão de revisão de prontuário, mas na prática elas não funcionam, o que é um risco a mais para o paciente e o médico.
As principais dificuldades citadas pelos médicos ouvidos na pesquisa na hora de preencher o prontuário é a falta de tempo, e os múltiplos empregos. Muitos passam rapidamente pelos hospitais, pois alegam que precisam de outros trabalhos, já que ganham pouco em apenas um. Porém, eles não podem pôr uma vida de um paciente em risco por conta de má remuneração.
O Conselho Federal de Medicina, normatiza essa relação por meio da resolução 1.638/02 que, determina que o prontuário é obrigatório, único, constituído pela junção de informações, imagens e fatos sobre a saúde do paciente e a assistência a ele prestada. É por meio dele que se faz a comunicação entre a equipe multiprofissional que acompanha um mesmo caso.
Desta forma é possível se respaldar por ele, quando por exemplo é necessário demonstrar boa-fé do médico na relação com o paciente; demonstrar ao Conselho Regional de Medicina a inexistência de infração ética do médico; e a não condenação judicial tanto do profissional como da instituição de saúde em eventual ação de responsabilidade civil por erro médico.Mas para que isto aconteça é necessário que o prontuário esteja devidamente preenchido. De qualquer forma está claro que o médico apesar da sobrecarga de trabalho, deve parar para preparar o relato do que sabe sobre o paciente. Isso é uma determinação do Código de Ética Médica.
Aqui cabe uma breve observação do enorme crescimento do Direito Eletrônico, ou Direto Digital, que entre outras, abraça também as questões da área da saúde quando se usa sistemas de gestão, como é o prontuário eletrônico. Em consequência o erro médico é considerado quando há ação equivocada, por negligência, imprudência ou imperícia ou mesmo quando há omissão pelo profissional, ou seja, a escolha terapêutica deve ser bem fundamentada no prontuário e a sua condução também, de modo a não deixar dúvidas sobre ser a melhor escolha naquele momento e com aquela ferramenta disponível.
Diante disso tudo que aqui foi dito e da constatação inequívoca do estudo em questão, que reflete o dia a dia dos hospitais brasileiros, inclusive os particulares, as universidades e as instituições de saúde precisam encontrar maneiras de conscientizar os profissionais sobre como esse documento deve ser encarado com toda a seriedade e bom senso.
Entendemos que o principal problema é educacional, e a falta de uma formação acadêmica adequada. Nas universidades públicas e privadas, com raras exceções, o prontuário não é tratado como instrumento científico e pedagógico. Ele é visto de forma burocrática, pois os professores não lhe dão o devido valor, o que não estimula a qualidade ética do atendimento, e não respeitando o paciente, não se respeita o seu direito. Este é o único caminho a trilhar.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O futuro que já chegou

A medicina, ou melhor, o segmento da saúde precisa acordar, para acompanhar, valorizar e adotar dois fenômenos que estão ocorrendo entre nós, e os senhores gestores estão fazendo questão de ignorar.
Se demorar pode não mais adiantar...


OS CRIMES ELETRÔNICOS



AS MÍDIAS SOCIAIS

E ENTRE ELES O NOSSO COITADO PACIENTE INFORMADO

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Imagem da semana

A revista britânica "The Economist" manipulou uma imagem do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ilustrando reportagem de capa sobre o vazamento de petróleo no golfo do México, em que aparece sozinho, cabisbaixo e aparentemente pensativo, em frente a uma plataforma petrolífera.
A imagem original, tirada pelo fotógrafo Larry Downing, da agência internacional Reuters, em 28 de maio, foi editada, e as outras duas pessoas que apareciam ao lado de Obama, aparentemente conversando com o presidente são o almirante da Guarda Costeira Thad W. Allen e a presidente de uma paróquia local, Charlotte Randolph, foram substituídas pela água do golfo do México. O fato foi denunciado pelo New York Times na sua edição de 05 de julho de 2010.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Álcool, uva e chá verde: verdades, mitos e crendices

Desde 2008, por ocasião do Congresso Brasileiro de Cardiologia, realizado em Curitiba, quando foi realizado o Simpósio do selo de aprovação da SBC, discutiu-se aspectos relevantes sobre os benefícios da ingestão de alimentos até pouco tempo atrás controversos com relação à saúde cardiovascular, entre eles , o chá verde, o suco de uva e o vinho.
Os benefícios de todos esses produtos são atribuídos aos flavonóides, substâncias que possuem atividade antioxidante.
O consumo moderado de vinho tinto está associado à redução da mortalidade e das hospitalizações por doença arterial coronária.
A ingestão moderada de álcool (uma a duas doses) eleva em torno de 10% os níveis de HDL colesterol (colesterol bom) e atua inibindo a agregação plaquetária.
Recente estudo da Universidade da Califórnia at Davis e do Department of Food Science & Technology, publicada no Journal of the Science of Food and Agriculture mostra que a cerveja ajuda no fortalecimento dos ossos e sugere que é uma fonte significativa do mineral na dieta.
O segredo estaria no silício presente na bebida, ou melhor, no ácido ortosilícico, a forma hidrossolúvel do ingrediente que aumenta a densidade mineral dos ossos.
Pesquisadores analisaram cem rótulos diferentes de cerveja comercial para determinar a relação entre os métodos de produção e o silício resultante.
A equipe do Professor Charles Bamforth concluiu também que as cervejas que contém maiores níveis de cevada e lúpulo são ainda mais ricas em silício. A concentração nas marcas analisadas ficou entre 6,4 e 56,6 mg/L.
Os cientistas não incentivam o abuso da bebida, mas ressaltam que, baseados nos resultados, um consumo moderado de cerveja poderia ajudar a combater a osteoporose.
Por outro lado, o álcool de uma forma geral, aumenta os níveis de triglicérides, e por conseqüência deve ser evitado por portadores de diabetes e hipertrigliceridemia, além do que a ingestão diária de álcool é por definição sinônimo e alcoolismo.
Consumido há mais de 5 mil anos, hoje, centenas de milhões de pessoas bebem chá verde (Camellia sinesis) em todo o mundo. A bebida é feita a partir de folhas não fermentadas, contendo grande concentração de antioxidantes (polifenóis) cujas propriedades beneficiam a saúde cardiovascular como sugerem alguns estudos.
Em média, uma xícara da bebida, contém entre 50 mg e 150 mg de polifenóis. A quantidade recomendada para ingestão gira em torno de 200mg a 300mg da substância, que correspondem a duas xícaras de chá verde por dia.
Recente trabalho publicado no European Journal of Cardiovascular Prevention and Rehabilitation, comprovou o benefício da bebida sobre a função endotelial através da análise de 14 voluntários que ingeriram chá verde, água ou uma bebida cafeinada. Os benefícios foram nítidos no grupo do chá verde logo nos primeiros 30 minutos de avaliação. A técnica utilizada foi a de dilatação fluxomediada.
Em comentário publicado no referido trabalho, referente ao artigo publicado o Dr. Shailendra Kapoor da University of Illinois at Chicago, apresenta uma extensa bibliografia de referências de estudos promissores sobre a utilização do chá verde, não só para pessoas saudáveis como para pessoas com doenças já estabelecidas.
Estudos experimentais em animais e humanos também mostraram que o chá verde reduz o colesterol total e aumenta o HDL colesterol. Uma pesquisa de base populacional, por exemplo, descobriu que homens que bebem chá verde são mais propensos a terem colesterol total menor do que aqueles que não consomem a bebida.
Em outro estudo, entre homens fumantes, verificou-se que o chá verde reduziu significativamente os níveis sanguíneos de colesterol LDL. As pesquisas indicam que os polifenóis do chá verde podem bloquear a absorção intestinal de colesterol, além de promover sua excreção.
Estudos em animais sugerem ainda que o chá verde pode ajudar a prevenir o desenvolvimento de diabetes tipo I e tornar mais lenta sua progressão quando já desenvolvido.
A associação de chá verde com cafeína também auxilia na perda de peso e na sua manutenção em indivíduos com sobrepeso e obesidade. Alguns pesquisadores especulam que os polifenóis são responsáveis pela “queima” de gorduras nos indivíduos obesos.
Para finalizar, em associação com uma alimentação saudável, se possível, podemos saborear uma boa xícara de café de manhã, um chá verde após o almoço, um cálice de vinho tinto após o jantar e uma pequena barra de chocolate escuro, antes de deitar, para relaxar a mente e as “coronárias”.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Ervas chinesas: verdades mitos e crendices

Pesquisa feita no Instituto de Medicina Molecular, Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas descobriu as razões pelas quais um conjunto de ervas medicinais usadas na medicina tradicional chinesa é tão eficaz para proteção contra doenças do coração.
Os cientistas fizeram testes com as plantas chinesas DanShen, GuaLou e várias outras. As fórmulas com plantas medicinais chinesas indicadas para problemas cardiovasculares são compostos feitos com várias ervas que misturam de três até 25 plantas diferentes.
A explicação para os bons resultados dessas plantas está no fornecimento de grandes quantidades do óxido nítrico, um composto que comprovadamente já sabemos dilata as artérias.
O óxido nítrico é crucial para o mecanismo de regulação do sistema cardiocirculatório, porque ele sinaliza para que as paredes internas dos vasos relaxem o que facilita o fluxo de sangue através de todo o sistema sanguíneo e do coração. Essa molécula-mensageira diminui a pressão sanguínea e reduz a formação de “aglomerados” e placas que se depositam nas paredes das artérias.
Os resultados do estudo mostraram que as plantas medicinais chinesas estudadas têm profundo impacto na bioatividade do óxido nítrico primariamente por meio da sua ativação nas paredes internas dos vasos sanguíneos, mas também por meio de sua capacidade de converter nitreto e nitrato em óxido nítrico, explica o Dr. Nathan S. Bryan, um dos autores da pesquisa que foi publicada no conceituado Free Radical Biology & Medicine.
Os preparados de ervas medicinais estão entre os principais componentes da medicina tradicional chinesa, juntamente com a acupuntura e a massagem. "As ervas tradicionais chinesas têm levado à descoberta de medicamentos seguros contra o câncer, as doenças cardiovasculares e o diabetes", afirma Thomas Caskey, outro membro da equipe.
Os cientistas testaram também as formulações com ervas chinesas vendidas na forma de cápsulas e tabletes. "Cada uma das plantas medicinais chinesas testadas nos ensaios apresentaram efeitos de relaxamento dos vasos sanguíneos em alguma medida," diz o estudo.
O próximo passo agora é efetuar os mesmos estudos em pacientes que já desenvolveram problemas cardíacos, a fim de verificar o potencial de auxílio terapêutico dessas ervas tradicionais chinesas. Em seguida eles pretendem identificar os componentes ativos das ervas, a fim de que possam ser sintetizadas e se for o caso, disponibilizadas em larga escala.
Para alongarmos neste assunto seríamos obrigados a abordar as questões ligadas à Biodiversidade Amazônica, que além de muito complexa é também muito extensa, e vai ficar para uma próxima vez.
Vamos aguardar...

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Mistérios do cérebro: Tetris

Por mais que se estude e entenda as funções e especialmente a fisiologia cerebral, penso que nunca será possível entendê-lo por inteiro. Por conseqüência também não será possível entender e tratar seus distúrbios e funções com a eficiência esperada. Quando levamos em consideração às questões da atividade “mental ligada à atividade “cerebral”, então as coisas ficam ainda mais complexas.
Entretanto, com a ajuda da tecnologia, alguns avanços têm sido observados nos últimos anos, e alguns deles achamos que pela sua abrangência merecem ser aqui mencionados, pois tudo tem haver com Controvérsias, Duvidas e Bobagens.
O aumento da massa cinzenta do cérebro foi relacionado à prática do jogo Tetris.


Pesquisadores do Mind Research Network, em Albuquerque,New Mexico, USA, descobriram que ocorre um aumento na espessura do córtex cerebral em jogadores assíduos de Tetris. No entanto, o aumento não é exatamente onde eles imaginavam que deveria ser.
Por meio da ressonância magnética, os cientistas buscavam imagens estruturais e funcionais do cérebro, justamente para descobrir a relação entre o aumento da eficiência e da massa cinzenta. Durante três meses seguidos, por 30 minutos diários, 26 garotas adolescentes jogaram Tetris, um game de computador que exige uma combinação de habilidades cognitivas.
Foi criado um grupo controle com meninas que não jogaram Tetris.
As garotas foram submetidas a ressonâncias magnéticas antes e depois do período de testes. Quando os dois grupos foram comparados, as que jogaram mostraram aumento da eficiência cerebral e possuíam um córtex mais espesso. Porém o aumento de massa cinzenta não se deu nas mesmas áreas nas quais a eficiência ocorre.
As áreas do cérebro que mostraram córtex relativamente mais grosso teriam papel no planejamento de movimentos complexos e coordenados, e também seriam, responsáveis pela integração multisensorial, coordenando visão, tato, audição e informação fisiológicas internas. De modo geral, a prática do jogo mostrou um aumentou da massa em áreas motoras do cérebro.
Já as áreas que mostraram aumento de eficiência, segundo a ressonância, foram àquelas associadas com pensamento, razão, linguagem e processamento.
Por fim, mudanças da espessura cortical regional foram observadas após três meses de prática Tetris, porém estes dados indicam que a mudança estrutural em uma área do cérebro não necessariamente resulta em alterações funcionais no mesmo local, pelo menos na avaliação com este método de ressonância magnética.
O estudo foi publicado no BMC Research Notes e é preciso deixar claro que ele não esclarece o grande mistério: se a massa cinzenta mais espessa é a responsável pela eficiência, e qual é a relação entre as duas.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Estudo genético reduz pena de assassino

Quero aproveitar o momento em que todos nós estamos acompanhando um dos julgamentos mais comentados nos últimos anos, para abordar um assunto que começa a tomar corpo em vários lugares do mundo e que possivelmente poderá ter primordial influência em julgamentos futuros.
Estou partindo da premissa que muitos crimes são cometidos por acusados portadores de alterações genéticas constatadas ou que no futuro venham a ser descritas.
Um Juiz italiano reduziu a sentença de um assassino confesso porque ele possuía genes ligados a “comportamento agressivo”.
O argeliano Abdelmalek Bayout, que vivia na Itália, foi condenado a nove anos e dois meses de prisão em 2007 após admitir ter esfaqueado o colombiano Walter Felipe Novoa Perez.
Ele apelou da sentença e recebeu um ano de redução de pena porque o juiz o juiz Pier Valerio Reinotti, de Trieste, entendeu que ele tinha variações genéticas ligadas à agressão.
O gene em questão chama se monoamino oxidase A (MAOA) e já foi associado em estudos anteriores à agressividade e comportamento criminoso em pessoas criadas em ambiente de abuso.
A decisão levou à discussão se os genes podem servir de "legítima defesa". A pesquisadora de assuntos jurídicos Nita Farahany, da Universidade Vanderbilt University Law School, estuda o uso da genética nos tribunais, disse que não.Ela disse que os genes podem ajudar a prever como alguém poderá se comportar no futuro, mas nunca vão nos dizer por que cometeu esse ou aquele ato.
O argumento dos genes parece funcionar para os dois lados da questão. O juiz Reinotti disse que os genes de Bayout explicaram o crime. Mas Farahany notou que os tribunais americanos estão usando cada dia mais os genes como evidências em processos.
Observe que nesta situação a genética está sendo discutida entre um Juiz e uma Advogada Terrie Moffitt, estudiosa em Psicologia e Neurociências na Duke University, conta que mesmo que os avanços tecnológicos permitam aos pesquisadores explicar como os genes e o ambiente influenciam um comportamento violento, os tribunais podem nem notar. Foi o trabalho dela que influenciou a decisão do tribunal italiano.
O Dr Alan Templeton, biólogo evolucionista da Washington University de St Louis e que inclusive esteve envolvido em estudos do MAOA, é categórico ao afirmar que a expressão dos genes varia conforme o ambiente, e “nenhum estudo diz nada sobre o comportamento de um indivíduo”.
O artigo publicado pela Nature dá detalhes do caso: O muçulmano Abdelmalek Bayout, admitiu ter matado o Colombiano Walter Perez porque o teria insultado por causa da maquiagem preta que ele usava nos olhos, por motivos religiosos.
Para o Dr Alan Templeton, a genética não explica o comportamento de um indivíduo.
Existem estudos que mostram a associação entre o MAOA e o comportamento agressivo, em particular a síndrome de Brunner, que evidencia uma associação com característica positiva, como autonomia. No entanto, estes estudos, explicam muito pouco sobre as variações comportamentais encontradas em seres humanos. Estamos falando de 1% a 2%. Assim, a maior parte do comportamento humano não é explicada pelas variações genéticas no MAOA.
Na verdade a influência desse gene em uma pessoa nunca foi quantificada. Os estudos de associação genética somente olham para quanto da variação em uma população pode ser explicada por uma variável genética; eles não dizem nada, nem mesmo em seu princípio, sobre o comportamento de um indivíduo. O comportamento de uma pessoa nunca pode ser separado em um componente genético e um componente ambiental. Todos os traços de um indivíduo constituem uma interação de genes e ambiente que nunca pode ser separada.
Portanto, o comportamento de uma pessoa depende de genes e de ambiente, de uma maneira que não pode ser separada. Nós não herdamos traços; ao invés disso, nós herdamos respostas ao ambientes.
Os Genes podem influenciar o comportamento e outros traços, mas no contexto do ambiente. Não é possível herdar um comportamento específico. Não existe “um gene para um comportamento ou uma doença. Essa simplesmente não é a maneira como os genes funcionam. Genes somente funcionam através da expressão no contexto do ambiente.
MAOA não é um gene para agressão, nem para autonomia. É um gene que influencia como o sistema nervoso funciona no contexto de acontecimentos do ambiente, e o que essa influência significa no comportamento, variando muito de pessoa para pessoa e, de contexto para contexto.
Alguns cientistas forenses e geneticistas questionam as provas científicas e as conclusões do relatório psiquiátrico apresentado ao juiz Reinotti. "Nós não sabemos como são as funções de todo o genoma e os possíveis efeitos protetores de outros genes", diz Giuseppe Novelli, cientista forense e geneticista da Universidade Roma Tor Vergata, e finaliza: os estudos para um único gene, tais como MAOA são inúteis e caros.Este é o primeiro caso que se tem notícia em que a genética tenha influenciado o resultado de uma sentença.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Novamente as farmácias

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) editou em agosto de 2009, novas regras para a comercialização e dispensação de medicamentos, bem como restringiu os produtos que podem ser oferecidos pelas farmácias, com a exclusão de itens tipicamente de conveniência, como refrigerantes e alimentos não classificados como remédios. Estas regras ainda não estão sendo aplicadas na prática, porque as grandes redes de farmácias e drogarias conseguiram uma liminar e portanto não estão mais obrigadas a cumprir os itens 9 e 10 da Resolução nº 44, que são os mais polêmicos instituídos pela ANVISA,o que entretanto não quer dizer que assim será indefinidamente, pois a Agência entrou com recurso.
Porque estamos falando da Farmácia ou Drogarias transcrevo literalmente a definição de seu significado segundo o dicionário Aurélio versão Século XXI:

Farmácia
[Do gr. pharmakeía, pelo lat. tard. pharmacia.]
S. f.
1. Parte da farmacologia que trata da maneira de preparar, caracterizar e conservar os medicamentos.
2. Estabelecimento onde se preparam e vendem medicamentos. [Sin., desus., nesta acepç.: botica. ]
3. Profissão de farmacêutico.
4. Setor de hospital em que se guardam medicamentos.
5. Conjunto de medicamentos que se têm em casa, num colégio, numa repartição, etc., para uso no tratamento de leves indisposições, ou em primeiros socorros.

Farmácia galênica. Farm.
1. Ramo da farmácia (1) em que se estudam os medicamentos de composição não definida, a manipulação das formas farmacêuticas (q. v.) e das receitas [ v. receita (4) ] .

Drogaria
[De droga + -aria.]
S. f.
1. Estabelecimento onde se vendem drogas [ v. droga (1 a 3) ] .
2. Porção de drogas [ v. droga (5) ] .


Para aqueles que por qualquer motivo não gostam do Aurélio fui buscar o significado que está no Michaelis, versão do UOL que transcrevo a seguir:

farmácia
far.má.cia
sf (gr pharmakía, pelo lat) 1 Arte que ensina a conhecer e conservar as drogas e a preparar os medicamentos. 2 Estabelecimento onde se preparam ou vendem os medicamentos. Neste sentido, antigamente, a palavra mais usual era botica. Por ext: drogaria. 3 Profissão de farmacêutico. 4 Coleção de medicamentos. 5 pop Mistura de bebidas alcoólicas.


drogaria
dro.ga.ri.a
sf (droga+aria) 1 Quantidade de drogas. 2 Comércio de drogas. 3 Loja onde se vendem drogas.


Pois é, parece nem haver necessidade de discutir o tema, entretanto houve com o passar do tempo uma grande inversão de valores de forma tal que as Farmácias foram completamente descaracterizadas e por questões comerciais tornaram-se lojas de conveniências, com a anuência ou vista grossa da própria ANVISA.
Está havendo excessiva defesa para a manutenção das lojas de conveniência, deixando-se de lado a questão central, que é a função da farmácia, pois não se trata de limitar os produtos no ponto de venda, mas sim resgatar seu papel principal, que é o da atenção farmacêutica.
Eu pessoalmente como médico, venho observando que as Farmácias de Manipulação estão tomando o lugar destas atuais Farmácias e Drogarias.
Soro fisiológico a água destilada são dois produtos que praticamente não se encontram mais nas farmácias e elas próprias já informam que poderão ser encontrados em Farmácias de manipulação ou casas de material médico cirúrgico.
Em países do primeiro mundo, além da obrigatoriedade da venda exclusiva de remédios, é exigido que o farmacêutico seja o proprietário do estabelecimento, respondendo por ele integralmente, inclusive com sua presença física permanente.
Estabelecimentos de conveniência, cuja experiência é muito bem sucedida nos postos de gasolina, realmente devem sair das farmácias e neste aspecto a ação da ANVISA acertou em cheio.
Entretanto como tudo ou quase tudo neste nosso maravilhoso país, as medidas tomadas acertam pela metade. Na mesma instrução a ANVISA determina que os medicamentos não podem mais ficar a disposição das pessoas para serem escolhidos e devem passar para dentro do balcão, o que obriga o cidadão a pedir o medicamento para o “Farmacêutico”.
Esquece a ANVISA que este “farmacêutico” é apenas um balconista que casualmente está trabalhando numa farmácia, pois até ontem era balconista de uma loja de ferragens e talvez amanhã vá para um açougue. Isto não me parece ingenuidade, mas sim falta de inteligência.
Como se não bastasse a interferência deste ser humano, vamos ter que conviver com a complexidade da propina “interlaboratorial”, que faz com que o nosso pedido seja mudado por outro melhor remunerado.

Explico: Eu quero 20 comprimidos de Nova Algina.
Porque o senhor não leva Nevra Algina que é a mesma coisa e muito mais barato?
Eu que pegava minha Nova Algina na gôndola sem dar satisfação para ninguém, agora vou ter que brigar com o “farmacêutico balconista”.
Pior ainda: o que é bom para dor de cabeça?
Ibuprofeno plus extra 3 ao dia. Pronto está feita a besteira.

Por tudo isso, a ação da ANVISA é bem vinda em termos de frear a falta de limites e os abusos que assistimos no mesmo espaço destinado aos remédios, onde encontramos alimentos, bebidas, material de limpeza, enfim tudo que podemos precisar numa madrugada fria.
A função da Agência como órgão regulador no meu entender é a atenção a quem precisa de medicamentos, combater a automedicação e outras práticas semelhantes, fazendo com que a farmácia volte a ser uma unidade de saúde.
A questão aqui pode parecer simples, mas não é, envolve toda a cadeia da indústria farmacêutica, desde a patente, a produção, distribuição, estoque, logística até o consumo final. Se levarmos em consideração as dimensões do Brasil, o assunto torna-se mais complexo ainda e teremos que considerar a questão do roubo de cargas.
Somente com o apoio da sociedade, das entidades que de alguma forma estão envolvidas com a questão da saúde e dos meios de comunicação poderemos ter novamente a farmácia cumprindo o papel de farmácia, com o único objetivo de servir a comunidade.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Mulher

Informo a todos que ganhei na loto,
na loteria esportiva e no bingo.
Ganhei na mega-sena, sim, senhor!
Achei um trevo de quatro folhas e
caminhei até o fim do arco-iris:
o pote de ouro é meu.
Olhei pro céu e vi
a estrela cadente:
fiz o pedido,
concedido!
Furei a pedra: petróleo!
Cavei o chão: diamantes!
Olhei pra ela e ela sorriu.
Brinquei. Riu.
Amei.
Amo.
Amélia.

Este poema foi copiado do Suplemento Cultural que acompanha a revista da Associação Paulista de Medicina.
Por um descuido que não é o meu hábito, perdi o nome do autor e a data em que foi publicado.
Fiquei na dúvida em não publicar pela falta de dados, ou publicar anotando as restrições apontadas. Pela simplicidade, beleza, afeição, carinho e ternura destas linhas escolhi a segunda opção.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Nasa reformula seus projetos

Mudança de Direção
O ex-astronauta Charles Bolden, administrador da Nasa, confirmou que o Programa Constellation, estabelecido durante o governo Bush para levar astronautas de volta à Lua até 2020, está cancelado. Bolden fez questão de destacar que o orçamento enviado pelo presidente Barack Obama para a agência aumenta a verba para a agência em US$ 6 bilhões de dólares ao longo dos próximos 5 anos, mas afirmou que o Constellation não sera "executável".
O programa lunar Constellation foi iniciado pelo presidente George W. Bush após o acidente com o ônibus espacial Columbia, em 2003, que resultou na morte de sete astronautas quando a nave em que viajavam quebrou ao retornar à atmosfera da Terra.
A idéia era aposentar o avião espacial e substituí-lo por uma nova nave e novos foguetes capazes de enviar humanos para além da órbita da Terra.
Críticos, no entanto, diziam que o programa nunca foi financiado adequadamente. Quando surgiram dificuldades técnicas, começaram a haver atrasos no cronograma.
Obama está cancelando o Constellation apesar de a Nasa já ter gasto cerca de US$ 9 bilhões no projeto.
Com o cancelamento, serão abandonados os esforços para a criação dos foguetes Ares I, para transporte de astronautas até a órbita da Terra, Ares V para transporte de carga, e da cápsula Órion, que iria substituir os ônibus espaciais. Bolden afirmou ainda que a Nasa continua comprometida em realizar as cinco últimas missões de ônibus espaciais ainda em 2010, com a aposentadoria dessas naves em seguida.
Com isso, a partir de 2011 os EUA não terão uma tecnologia doméstica disponível para levar astronautas ao espaço. O novo plano pede investimentos em empresas privadas para que as companhias criem essa tecnologia e a forneçam ao governo, a partir de meados desta década. Além de ser uma usuária desses foguetes e cápsulas, a Nasa também estabeleceria e monitoraria padrões no novo mercado, especialmente em questões relativas à segurança da tripulação.
Novas tecnologias
Bolden anunciou que o orçamento da Nasa, cria três novos programas de desenvolvimento tecnológico para permitir que astronautas viagem para a Lua, Marte e até asteróides, no futuro. Embora não tenha mencionado datas para o lançamento desses vôos, os novos programas têm orçamentos previstos para os próximos cinco anos.
O primeiro desses programas terá uma verba de US$ 7,8 bilhões, para estimular a criação de novas abordagens para viagens espaciais, como o estabelecimento de depósitos de combustível no espaço e novos sistemas de reciclagem de ar e água para naves tripuladas.
Um programa de desenvolvimento de um novo foguete de carga, com foco em novos combustíveis, motores, materiais e processos terá US$ 3,1 bilhões. O objetivo, é levar à inovação de métodos para acessar o espaço e ir além da órbita baixa da Terra.
Outros US$ 4,9 bilhões serão destinados ao desenvolvimento e teste de novas tecnologias por meio de prêmios e incentivos ao setor privado.
A Nasa terá ainda US$ 3 bilhões para as chamadas "missões precursoras", com robôs, que "abrirão caminho para a exploração posterior, com seres humanos, da Lua, Marte e asteróides". Bolden citou como exemplo a missão LCROSS, que confirmou a existência de água no pólo sul da Lua.
Acesso ao espaço será privatizado
"Imagine viagens a Marte que levem semanas, em vez de quase um ano; pessoas espalhando-se pelo Sistema Solar interior, explorando a Lua, asteróides e Marte quase simultaneamente, num fluxo contínuo. E Imagine tudo isso sendo feito em colaboração com nações de todo o mundo", disse Bolden. "É isso que o plano do presidente para a Nasa permitirá, assim que desenvolvermos as capacidades necessárias", pois novos programas de exploração dependerão de parcerias com o setor privado e com outros países
Na verdade toda esta reformulação do orçamento da NASA ficou suspenso durante meses, enquanto uma comissão independente estudava as opções e a Casa Branca analisava os resultados. A escolha de Obama foi apresentada oficialmente na segunda-feira 1º de fevereiro.
Desperdício
Esta comissão reunida pela administração Obama atingiu dois pontos de amplo consenso. O primeiro foi que fazia pouco sentido passar dez anos construindo a estação espacial, para então jogá-la no lixo após apenas cinco anos de operação.
O segundo foi que, nos níveis atuais de financiamento, cerca de US$ 100 bilhões para vôos espaciais tripulados por humanos na década de 2010 a 2020, o atual programa era, nas palavras do painel, "não executável".
A Nasa pode não chegar à superfície lunar nem mesmo em 2030, segundo a conclusão da comissão. Estender a vida da estação espacial desviou ainda mais verba dos esforços lunares. Cumprir a meta de retornar à Lua até 2020 pode exigir US$ 50 bilhões adicionais.
Nenhum plano alternativo cabe no orçamento. "Nossa visão é que será difícil, com o orçamento atual, fazer qualquer coisa que seja realmente inspiradora na área dos vôos espaciais", disse Norman Augustine, ex-diretor executivo da Lockheed Martin e presidente da comissão, durante sua última reunião pública, em 12 de agosto.
Conforme solicitado foram oferecidas diversas opções a serem consideradas pela administração, nenhuma recomendação em particular, e todas as opções incluíram compromissos que a administração deveriam assumir e decidir para onde ir,e como chegar lá.
A opção mais simples seria seguir com o programa atual, mas num ritmo mais lento para se adequar ao financiamento disponível, chegando à lua por volta de 2025.
Laboratório orbital
Bolden também disse que os EUA prorrogarão seu compromisso com a Estação Espacial Internacional (ISS) "pelo menos até 2020", em vez de abandonar a estação em 2015 ou 1016, como previa o plano apresentado no governo Bush. Afirmou ainda que, uma vez completa, a ISS será tratada como "um grande laboratório". "Todo os tipos de educadores, escolas, instituições científicas e instituições de outros governos usarão a ISS para pesquisas".Ele quer que parte do investimento adicional seja usado para incentivar empresas privadas, para ajudá-las a desenvolver uma nova geração de sistemas de lançamento para transportar humanos para a Estação Espacial Internacional.
Além de ser uma usuária desses foguetes e cápsulas, a Nasa também estabeleceria e monitoraria padrões no novo mercado, especialmente em questões relativas à segurança da tripulação.
"Uma forte indústria comercial americana de lançamentos especiais trará uma competição muito necessária, agirá como um catalisador para o desenvolvimento de novos negócios capitalizando o acesso mais barato ao espaço, ajudará a criar milhares de novos empregos e a reduzir o custo do acesso humano ao espaço", diz a declaração de orçamento.
Missões da Nasa serão concentradas na própria Terra
Com o orçamento apertado, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deve fazer com que a Nasa se volte mais para o monitoramento e a observação da própria Terra, com investimento em equipamentos e pesquisas sobre a questão climática, por exemplo. Essa estratégia ganha força porque o tema do clima é uma das principais bandeiras do presidente dos Estados Unidos, em vez de se concentrar na exploração de outros planetas ou da Lua, por exemplo.
Durante o governo Bush, a observação da Terra e os estudos sobre o aquecimento global não eram uma prioridade. A tentativa era até de esconder isso. Agora com o Obama há um interesse maior em saber o que vai acontece com o nosso planeta, em colher dados que ajudem a proteger e defender a Terra, e torná-la um lugar mais sustentável.
Pouco interesse
"Acho que muita gente se importa pouco com o espaço", disse Bob Werb, presidente da Space Frontier Foundation, organização que defende a povoação do espaço. "Trata-se de um assunto essencial apenas para uma pequena porcentagem da população. Foi declarado que o apoio ao espaço tem um quilômetro de largura e uma polegada de profundidade, e há muito de verdadeiro nisso".
"O povo norte-americano não tem idéia do que está acontecendo", disse a congressista Gabrielle Giffords, do Arizona, e presidente do subcomitê espacial e aeronáutico. "O norte-americano médio não sabe que o ônibus espacial irá embora no fim de 2010.
Esperança
Até agora, ao menos, sair inteiramente do negócio dos voos espaciais não parece estar sendo considerado.
Como candidato presidencial no ano passado, Obama disse apoiar o objetivo de retornar à Lua até 2020. Desde que se tornou presidente, ele tem dito repetidamente que a Nasa tem de ser inspiradora, mas sem dizer o que ele acha que seria uma missão inspiradora.
A primeira decisão é uma das completas: aumentar a verba para o programa espacial para pelo menos US$ 130 bilhões ao longo da próxima década, o nível necessário segundo o painel, ou segurar as maiores ambições e manter os astronautas na órbita baixa da Terra pelas próximas duas décadas.
"Essa não é uma escolha que a Casa Branca queria ter", disse Giffords
Dificuldades
O projeto de orçamento de Obama, que começa a valer em outubro deste ano, precisa ainda ser aprovado pelo Congresso americano,e está sujeito a mudanças. Esta não será uma tarefa fácil.
Em discurso ao Congresso americano, Obama qualificou a geração de emprego como sua prioridade número um.
"As pessoas estão sem trabalho. Elas estão sofrendo. Elas precisam de nossa ajuda. E eu quero um projeto para gerar empregos na minha mesa sem demora. Empregos devem ser nosso foco número um em 2010", declarou.
Apesar disto, defensores da missão à Lua e milhares de funcionários dos centros espaciais da Flórida, Alabama e Texas estão preocupados. Congressistas desses Estados vêm atacando a idéia de abandono do plano, e alguns têm cargos em comitês que podem bloquear os planos de Obama. Por exemplo, o senador Bill Nelson, da Flórida, preside o subcomitê de espaço do Senado. E a presidente do subcomitê de espaço da Câmara, deputada Gabrielle Giffords, é casada com um astronauta.
No seu pronunciamento, o administrador enfatizou o potencial da criação de empregos do novo plano, principalmente no setor privado, e a necessidade de parcerias internacionais para levar metas mais ambiciosas adiante.
Homem na Lua
Em entrevista coletiva, outras autoridades da Nasa evitaram citar prazos para o envio de astronautas ao espaço para além da órbita da ISS, mas afirmaram que a agência não desistiu de explorar o Sistema Solar com missões tripuladas, e insistiram - numa crítica ao Constellation - que o novo plano "não cria falsas expectativas", e que o cancelamento do programa de retorno à Lua não deve ser visto como "um passo atrás".
"A verdade é que já estivemos na Lua, há 40 anos. Um foco de curto prazo em baixar o custo do acesso ao espaço e no desenvolvimento de tecnologias avançadas essenciais para nos levar mais longe, mais depressa, é exatamente o que a nação precisa", disse, em nota, Buzz Aldrin, o segundo homem a pisar na Lua. A nota de Aldrin foi divulga pela Nasa.