Por outro lado, a imagem do plano de fundo foi feita pela Curiosity Mars Science Laboratory em 08 de setembro de 2012 no 33º dia após o pouso na superfície de Marte observando-se o solo marciano como jamais foi visto. E também não é bobagem...
Image credit: NASA/JPL-Caltech/MSSS.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A importância da desospitalização

A desospitalização talvez seja um termo que ainda não vamos encontrar nos dicionários. Porém como palavra já está sendo usada e entendida por todos aqueles que querem ver o paciente fora do hospital, no sentido mais amplo, inclusive tratando-se em sua casa ou na pior das hipóteses num “Hospital dia”.
A maioria, se não a totalidade dos sistemas de gestão Hospitalar, tem seu inicio na admissão do paciente e seu fim na alta hospitalar e administrativa, até que aconteça uma nova internação que começa também pela admissão e termina na alta.
Não existe nenhum sistema de gestão no nosso meio que tenha condição de acompanhar o paciente entre a alta e a próxima admissão, que é exatamente o que está se convencionando chamar de período de desospitalização, que evidentemente quanto maior, melhor.
Todas as empresas que trabalham com a gestão do paciente parecem ignorar ou não querer saber o que acontece entre uma e outra internação.
Por outro lado é exatamente este período que muitas empresas prestadoras de serviços médicos estão interessadas em controlar ou monitorar.
Uma operadora de saúde por exemplo tem absoluta necessidade de saber o que acontece com seus pacientes neste período exatamente para poder interferir no sentido de aplicar os bons princípios da medicina preventiva a fim de além de proporcionar uma melhor qualidade de vida aos seus pacientes e também diminuir seus custos.
Este período também chamado de desospitalização deveria ser uma continuidade do sistema de gestão como se fosse uma nova fase do PEP que iria anotar a evolução do paciente em sua casa.
Boas empresas em nosso meio já mostraram preocupação com estes aspectos, e uma delas em particular já desenvolveu um pequeno trabalho de cuidados no pós alta controlado pelo seu próprio HIS e até mesmo usando dispositivos móveis. Eu pessoalmente tive o privilégio de participar e aprender com este projeto que chegou a atingir seus objetivos.
A medicina preventiva, o acompanhamento do paciente fora do hospital é uma necessidade que será praticamente obrigatória num bom sistema de gestão do paciente em prazo muito curto, com a participação ativa da enfermagem, fisioterapeutas, nutrólogos, farmacêuticos e assistentes sociais, talvez até mais que os próprios médicos.
As empresas que estão preocupadas com o custo do tratamento, sejam seguradoras ou operadoras de saúde vão exigir esta funcionalidade que já vai chegar tarde
A prova definitiva deste fato esta no fato que o Ministério da Saúde começa a se preocupar com o assunto.
Fora do Brasil, muito embora especialistas reconheçam que vários tipos de tecnologias de informação possam encontrar uso amplo na monitoração e assistência a pacientes em suas residências, em casas de repouso ou em asilos, esse uso ainda é muito pequeno, segundo estudo recente da Agency for Healthcare Research and Quality nos EUA.
O Institute of Medicine (IOM) também publicou recentemente um relatório sobre a diversidade e maturidade das TICs nos cuidados de saúde de longo prazo, tipicos deste ambiente.
A University of Missouri pretende montar uma infraestrutura nacional para atender a necessidade de monitorar pacientes fora do Hospital com objetivo de reduzir o número de internações, segundo o professor Greg Alexander, professor da MU Sinclair School of Nursing que é um dos fundadores do IT Sophistication in Nursing Homes.

4 comentários:

Dr. Cidio Halperin disse...

Leonardo, excelente post sobre uma palavra que é "esquecida" do nosso sistema (dito de) saúde. O alcance da desospitalização é imenso podendo provocar uma grande redução no custo do tratamento das doenças crônicas, recuperações mais rápidas além de imensa diminuição do custo. Porém o nosso sistema é baseado no binômio ambulatório-internação ou seja, nada diferente disto é previsto ou mesmo pago. Iniciativas de prevenção ou de rehabilitação dificilmente são reconhecidas ou mesmo aceitas pelos demais membros do sistema de saúde. Infelizmente todos trabalham pela doença e não pela prevenção ou recuperação da saúde.Abraços, (http://foradoponto.blogspot.com)

Dr. Frederico Berardo disse...

Prezado Leonardo, muito oportuno este post. Parece que atualmente alguns grandes hospitais de SP (que vivem cheios) estão se mobilizando em favor da tal desospitalização, pois estão percebendo que "girar" o leito é muito melhor, para novas internações e cirurgias. Alguns até estão criando grupos específicos para tratar do tema de maneira objetiva, que é, no meu entender, a estratégia correta. É necessário envolver as operadoras de saúde, que podem ter seu custo muito reduzido, e mostrar aos nossos médicos que é muito melhor para todos a alta mais precoce. Isto tudo se forem oferecidas ao paciente e família alternativas confiáveis no pós alta, como serviços de home care confiáveis e clínicas de retaguarda hospitalar bem equipadas para os pacientes mais complexos. Com isto, o esforço da desospitalização vale muito a pena, evitando-se na maior parte das vezes o grande problema (para todos os envolvidos) da reinternação.

Leonardo Diamante disse...

Os dois comentários são pertinentes e até certo ponto semelhantes.
Entretando estou começando a ver um movimento por parte das operadoras no sentido de dar atenção aos pacientes fora de seus hospitais.
Evidentemente o objetivo é a diminuição dos custos e não o bem estar dos pacientes. De qualquer forma, acaba valendo...

kica disse...

Fta.Cristiane Jordan
trabalho em um hospital infantil em salvador/Ba e junto com uma equipe multidisciplinar queremos montar um projeto de desospitalização. Gostariamos de mais orientações e relatos de esperiências de outros profissionais.Agredito que esta é uma forma eficaz de cuidar.
Agradeçida