Por outro lado, a imagem do plano de fundo foi feita pela Curiosity Mars Science Laboratory em 08 de setembro de 2012 no 33º dia após o pouso na superfície de Marte observando-se o solo marciano como jamais foi visto. E também não é bobagem...
Image credit: NASA/JPL-Caltech/MSSS.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Uma frase que vale um post

"A persistirem os médicos, os sintomas devem ser consultados".


Referência à medicina praticada atualmente onde o diagnóstico, que é uma prerrogativa ou atributo do médico, obtido com a semiologia, está sendo substituído pela chamada medicina diagnóstica, onde a quantidade de exames solicitados é exagerada, desnecessária e sem sentido.
Geralmente o paciente não é ouvido ou sequer examinado, como se fazia antigamente. Os exames subsidiários são exclusivamente para confirmar ou não uma suspeita diagnóstica, jamais para “fazer” o diagnóstico que é uma parte da arte médica. A medicina diagnóstica é uma distorção dos tempos atuais e uma especialidade que nunca existiu, não se ensina nas boas escolas médicas, é uma necessidade de “mercado” que tenta modificar a semiologia médica, e não permite ouvir ou sequer examinar o paciente.
Este é apenas um dos inúmeros exemplos.



5 comentários:

Leandra (Alum) disse...

A Medicina Diagnóstica é a filha-irmã da Medicina Defensiva, onde o importante é ter arquivados, para o caso de um processo médico, os exames necessários para se comprovar sua conduta médica.
Como exemplo, falo da Síndrome do intestino irritável, onde o diagnóstico é essencialmente clínico, baseado nos critérios de Roma. Mas hoje, no SUS, peço pelo menos um Enema Opaco, associado a uma Retossigmooidoscopia, ou uma colonoscopia, antes de firmar o diagnóstico de SII.
É a Medicina Defensiva onerando os pacientes e o Estado em prol de ter que se provar eventualmente a um Juiz, a sua conduta.
:(

Nelcivone disse...

Muito tem sido falado e escrito a respeito da excessiva utilização dos exames de laboratório e do impacto dos mesmos nos custos crescentes da assistência médica. Por utilização excessiva entende-se o uso sem critério de exames de "rotina", a repetição de exames no mesmo paciente sem que haja um motivo razoável, a falta de observação das interferências que um procedimento diagnóstico pode ter em outro, a solicitação de exames sem um nexo efetivo com o quadro clínico do paciente ... a lista seria longa.

A relação custo/benefício de cada exame deve ser analisada individualmente. Antes de preencher o pedido de exame o médico necessita conhecer o quanto cada exame custará econômica, física e emocionalmente ao seu cliente. Embora os exames laboratoriais possam ser considerados uma fonte eficaz de informações, eles possuem limitações que são inerentes aos métodos e procedimentos utilizados. Consequentemente, a solicitação de exames deve ser individualizada e restrita aos testes relacionados ao quadro clínico do paciente. A solicitação aleatória de exames é de pouca valia no escla-recimento diagnóstico e muitas vezes traz mais confusão. É mais útil a solicitação de poucos exames criteriosamente selecionados do que de muitos ao acaso. Uma história clínica minuciosa e um exame clínico bem elaborado ainda são os pilares de uma boa assistência médica. Um médico competente usa o laboratório para confirmar ou excluir uma hipótese diagnóstica construída com base no seu raciocínio clínico. O médico inexperiente muitas vezes utiliza o laboratório em substituição ao exame clínico e, com isto, sacrifica seu cliente, onera os custos da assistência médica e ... erra mais. Muitos médicos praticam a chamada "medicina defensiva" e solicitam mais e mais exames visando se proteger de futuras acusações de imperícia ou negligência.

Antes de requisitar um exame de laboratório o médico deve responder às seguintes perguntas:
1. O resultado deste exame pode mudar meu diagnóstico, prognóstico ou tratamento ?
2. O resultado deste exame permitirá que eu tenha um melhor entendimento da doença apresentada pelo meu paciente ?
3. Que benefício este exame trará para meu paciente ?

O médico deve ter um canal de comunicação direta com o laboratório através de uma via da mão dupla entre ele e o patologista clínico. O patologista clínico atuando como um consultor com relação aos exames laboratoriais e o clínico proporcionando um "feedback" ao patologista. Quando surgir qualquer dúvida sobre exames ou resultados conflitantes, o médico requisitante deve imediatamente entrar em contato com o patologista clínico para discussão do caso. Um resultado inesperado é, na maioria das vezes, considerado "erro do laboratório" quando na verdade ele pode estar sinalizando para um fato clínico relevante.

Por outro lado, o laboratório não é infalível e os resultados incompatíveis com o quadro clínico do paciente devem ser confirmados, preferencialmente, no mesmo laboratório onde foram realizados. A prática de se repetir o exame em outro laboratório em nada contribui para a melhoria da qualidade do serviço e muitas vezes traz uma enganosa sensação de tranqüilidade. O médico pode ficar satisfeito com o segundo resultado quando de fato o primeiro era o verdadeiro. O inverso também pode ocorrer e, neste caso, o primeiro laboratório ignorará uma falha por ele cometida. Conclui-se que, para uma boa qualidade de assistência, é sempre importante o diálogo entre o médico e o laboratório. (Autor: Dr. Nelcivone Soares de Melo. Médico Hematologista e Patologista Clínico. Diretor do Médico da P2D Prontuário Universal.)

Leonardo Diamante disse...

Pois é, por isso mesmo " A persistirem os médicos, os sintomas devem ser consultados".

Anunciação disse...

O pior que os pacientes já vivem tão acostumados com isso,que acham um absurdo se a gente não requisita aquele catatau de exames.Uns até já chegam dizendoo que exames querem fazer.Minha resposta:Façamos o seguinte:você me conta o que te incomoda,a gente conversa sobre isso e aí eu resolvo se é necessário esse monte de exame que você falou.

Dr. Paulo Freire disse...

No Portal Saude Direta estamos finalizando o setor de NOTÍCIAS, onde os colegas poderão encontrar referências sobre tratamentos médicos (Diretrizes, Protocolos e Algoritmos), que ajudarão no atendimento de seus pacientes.

Todos os artigos são em pdf, podendo imprimi-los e arquivá-los para posterior leitura. Parcerias firmadas com centros de informação estarão alimentando o sistema, tipo WIKI, onde os colaboradores fornecem as notícias, sem interferencia do Coordenador.

Em andamento estarão no PEP do Portal Saúde Direta diversas sugestões de exames laboratoriais pelo CID, e sugestões de tratamentos medicamentosos pelo CID.

Além disso implementaremos protocolos de condutas para diversos diagnósticos mais comuns.

Temos observado que a formação do médico atual está muito deficiente, e o conhecimento médico evolui rápido e constantemente. Os médicos precisam de ferramentas práticas e confiáveis, que o ajudem a atender os pacientes com mais segurança. Este é o principal propósito do Portal Saúde Direta - difundir o conhecimento.

Confira em

http://www.saudedireta.com.br

Abrs

Paulo Freire