Por outro lado, a imagem do plano de fundo foi feita pela Curiosity Mars Science Laboratory em 08 de setembro de 2012 no 33º dia após o pouso na superfície de Marte observando-se o solo marciano como jamais foi visto. E também não é bobagem...
Image credit: NASA/JPL-Caltech/MSSS.

Mostrando postagens com marcador ANVISA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ANVISA. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 12 de março de 2010

Novamente as farmácias

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) editou em agosto de 2009, novas regras para a comercialização e dispensação de medicamentos, bem como restringiu os produtos que podem ser oferecidos pelas farmácias, com a exclusão de itens tipicamente de conveniência, como refrigerantes e alimentos não classificados como remédios. Estas regras ainda não estão sendo aplicadas na prática, porque as grandes redes de farmácias e drogarias conseguiram uma liminar e portanto não estão mais obrigadas a cumprir os itens 9 e 10 da Resolução nº 44, que são os mais polêmicos instituídos pela ANVISA,o que entretanto não quer dizer que assim será indefinidamente, pois a Agência entrou com recurso.
Porque estamos falando da Farmácia ou Drogarias transcrevo literalmente a definição de seu significado segundo o dicionário Aurélio versão Século XXI:

Farmácia
[Do gr. pharmakeía, pelo lat. tard. pharmacia.]
S. f.
1. Parte da farmacologia que trata da maneira de preparar, caracterizar e conservar os medicamentos.
2. Estabelecimento onde se preparam e vendem medicamentos. [Sin., desus., nesta acepç.: botica. ]
3. Profissão de farmacêutico.
4. Setor de hospital em que se guardam medicamentos.
5. Conjunto de medicamentos que se têm em casa, num colégio, numa repartição, etc., para uso no tratamento de leves indisposições, ou em primeiros socorros.

Farmácia galênica. Farm.
1. Ramo da farmácia (1) em que se estudam os medicamentos de composição não definida, a manipulação das formas farmacêuticas (q. v.) e das receitas [ v. receita (4) ] .

Drogaria
[De droga + -aria.]
S. f.
1. Estabelecimento onde se vendem drogas [ v. droga (1 a 3) ] .
2. Porção de drogas [ v. droga (5) ] .


Para aqueles que por qualquer motivo não gostam do Aurélio fui buscar o significado que está no Michaelis, versão do UOL que transcrevo a seguir:

farmácia
far.má.cia
sf (gr pharmakía, pelo lat) 1 Arte que ensina a conhecer e conservar as drogas e a preparar os medicamentos. 2 Estabelecimento onde se preparam ou vendem os medicamentos. Neste sentido, antigamente, a palavra mais usual era botica. Por ext: drogaria. 3 Profissão de farmacêutico. 4 Coleção de medicamentos. 5 pop Mistura de bebidas alcoólicas.


drogaria
dro.ga.ri.a
sf (droga+aria) 1 Quantidade de drogas. 2 Comércio de drogas. 3 Loja onde se vendem drogas.


Pois é, parece nem haver necessidade de discutir o tema, entretanto houve com o passar do tempo uma grande inversão de valores de forma tal que as Farmácias foram completamente descaracterizadas e por questões comerciais tornaram-se lojas de conveniências, com a anuência ou vista grossa da própria ANVISA.
Está havendo excessiva defesa para a manutenção das lojas de conveniência, deixando-se de lado a questão central, que é a função da farmácia, pois não se trata de limitar os produtos no ponto de venda, mas sim resgatar seu papel principal, que é o da atenção farmacêutica.
Eu pessoalmente como médico, venho observando que as Farmácias de Manipulação estão tomando o lugar destas atuais Farmácias e Drogarias.
Soro fisiológico a água destilada são dois produtos que praticamente não se encontram mais nas farmácias e elas próprias já informam que poderão ser encontrados em Farmácias de manipulação ou casas de material médico cirúrgico.
Em países do primeiro mundo, além da obrigatoriedade da venda exclusiva de remédios, é exigido que o farmacêutico seja o proprietário do estabelecimento, respondendo por ele integralmente, inclusive com sua presença física permanente.
Estabelecimentos de conveniência, cuja experiência é muito bem sucedida nos postos de gasolina, realmente devem sair das farmácias e neste aspecto a ação da ANVISA acertou em cheio.
Entretanto como tudo ou quase tudo neste nosso maravilhoso país, as medidas tomadas acertam pela metade. Na mesma instrução a ANVISA determina que os medicamentos não podem mais ficar a disposição das pessoas para serem escolhidos e devem passar para dentro do balcão, o que obriga o cidadão a pedir o medicamento para o “Farmacêutico”.
Esquece a ANVISA que este “farmacêutico” é apenas um balconista que casualmente está trabalhando numa farmácia, pois até ontem era balconista de uma loja de ferragens e talvez amanhã vá para um açougue. Isto não me parece ingenuidade, mas sim falta de inteligência.
Como se não bastasse a interferência deste ser humano, vamos ter que conviver com a complexidade da propina “interlaboratorial”, que faz com que o nosso pedido seja mudado por outro melhor remunerado.

Explico: Eu quero 20 comprimidos de Nova Algina.
Porque o senhor não leva Nevra Algina que é a mesma coisa e muito mais barato?
Eu que pegava minha Nova Algina na gôndola sem dar satisfação para ninguém, agora vou ter que brigar com o “farmacêutico balconista”.
Pior ainda: o que é bom para dor de cabeça?
Ibuprofeno plus extra 3 ao dia. Pronto está feita a besteira.

Por tudo isso, a ação da ANVISA é bem vinda em termos de frear a falta de limites e os abusos que assistimos no mesmo espaço destinado aos remédios, onde encontramos alimentos, bebidas, material de limpeza, enfim tudo que podemos precisar numa madrugada fria.
A função da Agência como órgão regulador no meu entender é a atenção a quem precisa de medicamentos, combater a automedicação e outras práticas semelhantes, fazendo com que a farmácia volte a ser uma unidade de saúde.
A questão aqui pode parecer simples, mas não é, envolve toda a cadeia da indústria farmacêutica, desde a patente, a produção, distribuição, estoque, logística até o consumo final. Se levarmos em consideração as dimensões do Brasil, o assunto torna-se mais complexo ainda e teremos que considerar a questão do roubo de cargas.
Somente com o apoio da sociedade, das entidades que de alguma forma estão envolvidas com a questão da saúde e dos meios de comunicação poderemos ter novamente a farmácia cumprindo o papel de farmácia, com o único objetivo de servir a comunidade.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Certificação, vamos desfazer a confusão

Semana passada, concomitante à Feira Hospitalar, aconteceram dois eventos tratando das questões da Tecnologia da Informação ligadas a Saúde.
Um deles sob a responsabilidade da Universidade São Camilo a ADH´2009 e o outro ligado aos próprios realizadores da feira, o ClasSaúde.
O mês de Junho, nestes últimos 5 anos tem sido um momento importante para alinhar as nossas expectativas, não só no que diz respeito a atividade médica e hospitalar, pois a Hospitalar é o maior evento do ramo na América Latina e a cada ano com uma presença internacional cada vez maior, como também ver e ouvir as novidades na área de TIC e Saúde no Brasil e no mundo.
Surpreendentemente estes eventos vêm mostrando que apesar das dificuldades tecnológicas inerentes à um pais em desenvolvimento, as nossas ações estão muito bem posicionadas em relação àquelas desenvolvidas no primeiro mundo. Algumas destas conclusões não são minhas, mas sim de convidados estrangeiros que assim se manifestaram e pelo que senti não foi por educação ou algo semelhante mas sim por convicção.
O fato de estar escrevendo sobre este tema é para poder anotar de forma clara a ausência nos dois eventos de dois temas, que sinto não apenas necessários serem postos para discussão, como também por estarem gerando controvérsias.
O primeiro deles é com relação a discussão e denominação de Certificação de Software e Certificação Digital que tanto vem confundindo as pessoas.
Eu tenho insistido muito, inclusive mais de uma vez pude expressar minha preocupação com a mistura destas duas certificações, tendo em vista que a confusão já está formada, pois pessoas acham que software certificado é aquele que tem certificação digital.
Eu penso que o termo Certificação Digital já é um termo consagrado e adotado em várias atividades na área da tecnologia e com grandes dificuldades de ser modificado, mesmo porque não me parece necessário.
Por outro lado a Cerificação do Software é uma ação que além de muito nova, é restrita a área da saúde e poderia ser substituída por Homologação do Software.
Por outro lado, neste mesmo momento estamos convivendo com os processos de Acreditação Hospitalar que além de ter uma terminologia internacionalmente adotada, vem confundir mais ainda as nossas “certificações”.
Assim sendo, por exemplo, poderíamos ter a
A instituição ABC ACREDITADA pela Joint Commission International,
Possui o Software XYZ HOMOLOGADO pela SBIS/CFM
Com CERTIFICAÇÃO DIGITAL em todos seus setores.
Os termos Homologação, Certificação e Acreditação estariam referindo-se a coisas distintas e sem a menor chance de confusão.
Parece que a SBIS, que recém publicou sua última versão do Manual de Cerificação, está estudando a questão, pois argumenta que praticamente no mundo inteiro se usa o termo "Software certification". O próprio Presidente da SBIS tentou dirimir a dúvida em artigo publicado no Business saúde.
Todo este processo é muito novo para todos nós que nele estamos envolvidos, permeados de dúvidas e questões que vão aparecendo e sendo progressivamente solucionadas, com apoio da SBIS/CFM bem como a ANVISA com um trabalho competente e brilhante.
Outra questão esquecida nos eventos diz respeito à um nova personalidade que está chegando, ou já chegou em nosso meio, e que esta sendo chamada de Paciente Expert ou Paciente Informado.
Recentemente escrevi um post sobre o assunto tendo em vista a relevância do mesmo, e tivemos um evento, que também está disponível em vídeo.
De uma forma simples trata do paciente que usa as informações da internet para esclarecer suas dúvidas com relação a um diagnóstico médico que tenha sido feito, ou mesmo busca informações para se municiar para a consulta médica. Ou seja, antes ou depois da consulta médica, o paciente procura a internet para se informar.
Não tenho a intenção de discutir o assunto neste momento tendo em vista a sua complexidade e os vários enfoques sobre o assunto, dependendo do ponto de vista que é abordado.
De qualquer forma dois aspectos são fundamentais e precisam ser rapidamente equacionados.
O primeiro deles é a presença do próprio paciente para discutir com todas as pessoas envolvidas no seu atendimento as questões que lhe dizem respeito.
Não faz sentido nos dias de hoje uma discussão sobre Prontuário Eletrônico do Paciente sem a presença do paciente.
A segunda questão é estabelecer critérios para que as informações postadas na rede tenham credibilidade e sejam verdadeiras. Estas ações me parecem mais complexas no sentido que deverá envolver um número significativo de pessoas e Instituições para que se possa oferecer ao Paciente Informado a informação de boa qualidade.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Fiscalização na Padaria

De uma forma geral todas as boas histórias escritas, contadas, gravadas ou filmadas são baseadas em fatos da vida real.
Esta cena ocorreu de fato e, portanto é a absoluta realidade do nosso cotidiano, apenas eu não sei se ela é uma boa história.
O cenário é uma padaria bem bacana, destas que já são incontáveis na nossa cidade de São Paulo. Eu digo padaria porque elas também vendem pão, mas na verdade elas têm de tudo, não só para comer e beber, como pilhas, detergentes e em algumas até papel higiênico. O flagrante foi dado por um fiscal da Vigilância Sanitária que descobre uma garrafa de água mineral cujo vencimento para o consumo foi ontem. Ele procura o gerente da loja e em poucos minutos já estão discutindo a questão bem próximo ao caixa. Exatamente aquele caixa totalmente decorado pelos fabricantes de cigarros onde põe à venda todos os seus produtos. Esta fotografia com todos os maços de cigarros multicoloridos, as frases de advertências do Ministério da Saúde e as fotos chocantes que todos nós já acostumamos a ver diariamente, compõe o cenário de um fiscal autuando e multando uma loja que vendia uma garrafa de água que venceu ontem.



Algo de errado deve haver neste episódio. A pessoa que multa a água que valeu até ontem, pertence ao mesmo órgão (Ministério) que autoriza a venda do venenoso cigarro, e é quem determina o prazo de validade de ambos produtos.
Mais ainda, dentro do prazo, segundo a ANVISA água e cigarro são dois produtos próprios para o consumo, sendo que um deles mantêm, e o outro tira a vida. O que esta errado nesta história?

Apreciaria comentários.